com um orçamento limitado mas ampla liberdade para trabalhar, scorcese agarra um livro escrito por ben reitman, um médico com um passado de ginecologista, escritor, vagabundo, anarquista e lutador pelo controlo de natalidade, sobre as confissões que lhe fez bertha thompson dos tempos em que foi ‘boxcar bertha’. embora deste livro pouco mais tenha que o nome.
bertha thompson era filha de ‘mother’ thompson, uma activista radical e neta de moses thompson, um pioneiro do kansas que em 1800 (!!) editava a revista ‘the female emancipator’ e toda a sua vida esteve ligada às lutas mais radicais da sociedade americana, embora algumas vezes bertha preferisse a companhia de chulos, prostitutas e vagabundos.

o filme bebe na história de bertha thompson, mas digere-o de um modo diverso.
‘boxcar bertha’ (uma mulher da rua, na edição portuguesa) relata um seu envolvimento com o líder sindicalista big bill shelley (david caradine) que tinha uma forma muito pessoal de lutar a favor dos ferroviários e dos trabalhadores agrícolas do sul dos estados unidos, fazendo assaltos para dividir o dinheiro pelos desempregados.

é um primeiro filme notável, com um david carradine excepcional (no filme entra também o seu pai john) e uma barbara hershey (ao tempo namorada de david) em começo de carreira.
a cena da crucificação de bill shelley num comboio que vai percorrer o sul dos estados unidos a dar o aviso a todos os que ameaçam os poderosos, é um momento raro na história do cinema.
é para mim um daqueles filmes de culto a que periodicamente volto.
um notável e obrigatório filme.
aqui:
o texto, em pdf, da autobiografia de bertha thompson
aqui:
o trailer de boxcar bertha
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