3 de julho de 2006

TPC: Cartonagem

Eu tenho um problema (ou, eventualmente, não tenho um problema): entre os sete e os 13 anos não tive acesso a televisão. E fui inacreditavelmente feliz, já agora. Isto leva-me a imagens vagas dos Looney Tunes (?) a preto e branco antes dos sete; de resto vi vários em cinema (tempo em que havia um desenho animado da Warner Bros. ou da Disney antes de qualquer filme) e só depois dos 13.

Não tenho séries favoritas. Todas, invariavelmente, me me despertavam um bocejo. Vickis, Heidis, & companhia, sempre me pareceram telenovelas rascas para crianças andicapadas. Os Dragon Balls contemporâneos trouxeram mais do mesmo, com uma dosesita de hiperviolência mal amanhada. Os Barbapapa tinham piada. Não mais.

Muita da culpa desta atitude deve-se a um energúmeno de nome Vasco Granja. Com um ar de paizinho simpático e tons de quem está a cativar adolescentes para actividades desviantes, o gajo ia mostrando na TV, e nas barbas das autoridades, filmes subversivos da Polónia, da Checoslováquia (uma terra que havia na altura) e que tais. Chegou ao desplante de passar coisas de tipos perígosíssimos como um tal Norman McLaren e de violentar completamente a minha infância ao ensinar novos modos de ver o trabalho de homens como Chuck Jones ou Tex Avery - e eu, que pensava que eram fazedores de fitas inocentes, a perceber de repente aquilo tudo.

Depois fiquei assim, claro. Não tenho culpa de gostar de tipos como o Tim Burton, de anormais que fazem porcarias como uma chamada Les Triplettes de Belleville e de tarados estrangeiros como um que dá pelo nome, de certeza falso, de Otomo Katsuhiro. A culpa é do Granja. Devia ser obrigado a voltar à TV para castigo. Ele ou um qualquer filhinho dele. VINGANÇA!

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