3 de julho de 2006

A Dona Casimira

Dia de acordar cedo e ir aos Correio. E cedo. Os velhinhos de Arroios primam por ir cedo a tudo o que é público. Até para lhes contarem o gás, água e electricidade insistem em ser os primeiros. Não porque precisem de ir a algum lado. Gostam só de se despachar.
Logo saí cedo de casa. Passo pela rua da casa das meninas e entre edredons a apanhar ar e toalhas de banho, vejo uma imensa bandeira portuguesa. Quem disse que as meninas da vida não são patriotas?
Consigo o feito de ser a primeira a chegar aos CTT. Forma-se uma imensa fila atrás de mim. Uma senhora exige a organização da dita cuja: estão já a pegar-se e a exigir o testemunho da menina (Eu) sobre a ordem a seguir...quando intervém uma velhinha toda vestida de cor de rosa . " Eu não tenho pressa, ainda tenho o parto marcado. Vejam bem, ainda nem nasci por isso não corro para nada". Desmanchou a guerra de Arroios, começou tudo a rir. Entusiasmada a Dona Casimira,trata logo de se apresentar e começou a contar histórias e anedotas num crescendo de "picante" que as outras até se benziam. Eu chorei a rir. sobretudo quando ela explicou aquela velhinha história do casal que fornica alegremente à porta da igreja e que pensam que o padre os abençoou.." Eu abençoar meus filhos? Não..disse apenas de pé é bom mas deitados é muito melhor".
Aqui abriram-se as portas e eu lá fui levantar a carta registada. Batem-me nas costas. É a Dona Casimira.A senhora é a número um? Tem que ouvir o resto da história" E lá vinha o resto do grupo dos velhotes atrás. Tive que fugir à francesa. Ou ainda estaria atrelada à Dona Casimira a esta hora.
" Vejam bem eu fazia tanto barulho a ver o jogo, que as meninas do lado que são estudantes me perguntaram quantas pessoas eu tinha em casa. e eu disse-lhes basto eu meninas...Com a França é que estamos tramados. Vamos lá a ver.."
( um pin com bandeira de Portugal brilhava-lhe na lapela e de que maneira com efeitos especiais e tudo).
Viva a Dona Casimira!

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