13 de maio de 2010

A beleza em 1918

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Aqui temos uma poetisa chamada Luthgarda.
Almanaque o século, 1918

Nota: Foi criadora do Natal dos Hospitais, segundo me informam.

2 comentários:

... disse...

Lutgarda Guimarães de Caires (1873-1936) cedo órfã de mãe, cresceu num ambiente artístico, dedicando-se à leitura e à música, esta uma das aprendizagens, porquanto o pai tocava harpa, violino e cítara. Desde muito jovem, Lutgarda criava peças de teatro, representadas em família, com o irmão e primos. Desloca-se do Algarve para Lisboa, onde casa com o advogado e escritor madeirense João de Caires, fundador da Sociedade de Propaganda de Portugal, criando o casal um salão literário onde reunia vários vultos, vivendo, também em Óbidos e Alcobaça.
A sua melancólica poesia revela a perda de dois filhos, o que a terá compelido à filantropia, vindo a criar o Natal dos Hospitais, fornecendo às crianças presentes, brinquedos e agasalhos por ela mesma tricotados. Dedica-se, também, ao estudo das condições prisionais, à época mistas, segundo proposta do então Ministro da Justiça Diogo Leote, vindo a conseguir melhores condições higiénicas, bem como a abolição de máscaras para os presos com penas mais severas e da obrigatoriedade do silêncio.
Lutgarda não foi uma feminista favorável ao voto feminino - que considerava prematuro dada a elevada taxa de analfabetismo feminino -, debatendo-se, sim, pelo direito à instrução e igualdade de oportunidades, bem como pelo livre arbítrio e administração dos seus bens pelas mulheres casadas, conforme testemunham os seus artigos de cariz social em vários jornais - O Século, o Diário de Notícias, A Capital, Brasil-Portugal, Ecos da Avenida e Correio da Manhã.
Corajosa e polémica, publica, em 1910, Glicínias, a primeira obra, e ainda Bandeira Portuguesa - este desencadeando severas críticas, porquanto defendia a manutenção das cores azul e branca. Seguiram-se inúmeros outros escritos, alguns dedicados a figuras da época como Branca de Gonta Colaço, Maria Amália Vaz de Carvalho, Virgínia Quaresma, Laura Chaves e Guerra Junqueiro. Escreveu a peça Inês, em parceria com Manuel Vieira Natividade e Virgínia Vitorino, e o libreto para a ópera Vagamundo. O soneto Florinha da Rua levar-lhe-ia o primeiro prémio nos Jogos Florais Hispano-Portugueses, Ceuta, 1923. Pela sua dedicação às crianças, o governo português agraciou-a com as Ordens de Benemerência e de Santiago de Espada. Regressaria ao Algarve, seu lugar natal.

[este excerto faz parte de um trabalho onde incluo Lutgarda]

tm

Red Lion disse...

Na av. marginal de Vila Real de Santo António há duas estátuas desta Senhora, mas confesso que apenas sabia ser uma poetisa portuguesa.
É por a equipa deste blogue me ajudar a aprender todos os dias qualquer coisa que para mim é de leitura obrigatória.
Obrigada.