3 de maio de 2015

La Rose - Tempos diferentes




As famosas conservas La Rose voltaram! 
Em 1938, o anúncio não era propriamente de promoção da marca mas sim uma declaração de apoio do industrial aos políticos fascistas ibéricos.
Hoje aparecem mais coloridas. 
As fotos foram tiradas na feira de produtos tradicionais no Príncipe Real. Uma ideia simples que resulta muito bem. É difícil não comprar qualquer coisa, tal é a abundante boa escolha de produtos.


2 de maio de 2015

Azenhas do Mar




Desconheço a história das construções amplas nas Azenhas do Mar, típica localidade de litoral,  a confinar com a Praia das Maçãs.
As vivendas bonitas, junto ao mar, datam de tempos em que era permitida a construção perto das arribas. Muitas delas, ao longo dos anos e da ausência de cuidados, corroídas por ventos marítimos, ficaram votadas ao abandono.
Algumas destas casas têm história conhecida: a casa branca de Raul Lino, ex libris das Azenhas do Mar,  ou ainda,  a confinar com a Praia das Maçãs, a morada de férias de Alfredo Keil, autor da música d’ “A Portuguesa” , construção de seu nome “Villa Guida”, em homenagem à filha do compositor.
 

Quando o vento é brando, torna-se aprazível o passeio, em plano superior, ao longo das praias: desde as Azenhas à Praia das Maçãs , o azul do mar e a diversidade da paisagem atraem quem gosta de caminhadas (egoisticamente afirmaria que por aqui há poucos transeuntes).
Ao longo dos tempos, reincidente nestes passeios pedestres, sempre pensei que muitas das grandiosas habitações de férias – algumas ainda cuidadas – deveriam pertencer a proprietários de estratos sociais privilegiados, dadas as dimensões e o cuidado na estética.


A degradação de algumas vivendas entristecia. Em pouco tempo, muitas delas começaram a ser recuperadas com a funcionalidade de casas de ´hóspedes (de seu nome 'hostel') .  A decisão pode ser considerada como “mal menor”, pois para quem por aqui passa com frequência olhando, com atenção, o cenário, apraz ver como tudo volta a ficar cuidado.
Foto 1: casa branca de Raul Lino; foto 2: casa no presente em recuperação; foto 3: casa em ruínas (todas elas nas Azenhas do Mar)


 

Nívea

Há 60 anos o Nivea era assim publicitado no Almanaque do Diário de Notícias. Todos os dias folheio um almanaque da colecção cá de casa e deslumbro-me com uma imagem.


1 de maio de 2015

Dias de Rádio


Era assim a publicidade da Philips em 1938, no Século Ilustrado, nos tempos em que a rádio era o centro do universo.

30 de abril de 2015

O sol no coração e a navalha na liga.

Estreava-se assim no Monumental a peça A Severa, a mulher que tem o sol no coração e a navalha na liga. A sua protagonista, Amália Rodrigues , era festejada com flores. Corria o ano de 1952. Século Ilustrado.

28 de abril de 2015

As ovelhas da Praça de Alvalade




Há cerca de um ano precisei de me deslocar à livraria da Faculdade de Letras. Encantada com o espólio de exemplares hoje desaparecidos das modernas superfícies comerciais, encontro uma preciosidade: um livro com imagens captadas pelo fotógrafo Luiz Carvalho, todas elas – de acordo com as datas que as acompanham – de finais dos anos 70, início da década de 80 do século passado. Tendo publicado a presente fotografia na “rede social da moda” (sempre com referência ao autor e à obra, como deve ser feito e por muito respeitar o trabalho de cada um), fiquei surpreendida com alguns comentários: “deve ser montagem”; “ não passavam rebanhos na Praça de Alvalade” […] opiniões essas rebatidas por quem afirmava ter presenciado cenários como o fotografado. No caso pessoal e também por esta época, posso referir que, nas traseiras do edifício central da Faculdade de Letras (pavilhões onde também havia aulas) via, com  frequência, rebanhos a passarem junto à janela da sala (pretexto para me desviar de matérias menos empolgantes…). Também recordo com nitidez, a saída na paragem de autocarro junto ao hipódromo do Campo Grande :  nos atalhos que tomava a caminho das aulas, lá me ia cruzando, de quando em vez, com um rebanho. No passado domingo, como teste, mostrei a fotografia à minha mãe que me respondeu: “lembro-me da Av. do Brasil e do Areeiro, quando era pequena, serem uma espécie de aldeias, com matagal e com apontamentos rurais de que hoje duvidaríamos”. Acredito na veracidade da imagem aqui divulgada, embora fosse interessante a opinião de quem tem memórias mais nítidas de cenários como o apresentado.


Imagem: do livro de © Luiz Carvalho ‘Portugueses’, Editora perspectivas & realidades (tiragem: 2000 exemplares)

26 de abril de 2015

Cavalheiro

Assim eram mostrados os anúncios amorosos publicados nos jornais, pelo Magazine Civilização em 1935.


25 de abril de 2015

Alameda dos meus amores

Alameda Dom Afonso Henriques
Era assim tão linda Lisboa, desenhada por Bernardo Marques em 1949.

25 de abril : "como a voz do mar"



Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta 
 

como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
 

Como a voz do mar
Interior de um povo
[…]”
Sophia de Mello Breyner Andresen, “Revolução” 



 













…E  passaram 41 anos. Para quem viveu o momento em idade de guardar memórias, a euforia de correntes que se quebram.
Uma guerra inexplicável  a terminar, inebriados por tudo podermos dizer,  as portas de Caxias, abertas de par em par,  a aprendizagem do quotidiano então renovado, vivências que, em termos históricos, não se encontram distantes.
Tanto haveria para dizer, pensando que, ao longo de quatro décadas, nem sempre os dias  de um povo são coloridos com as tonalidades que nos tornam mais autênticos e de bem com a vida.
Procurando imagens menos divulgadas, duas fotografias captadas na Praça dos Restauradores.

Imagens: 1- casacomum; 2- centro de documentação da Universidade de Coimbra


Esta é uma das peças duma reportagem sobre o Nordeste, publicada em 1968 no Século Ilustrado. Roby Amorim conta-nos a história da emigrante no Canadá que regressou a Fonte de Aldeia. " Novos hábitos, novas maneiras de vestir, mas a mãe apesar do dinheiro que vem de fora, mantém-se fiel às tradições". Eduardo Gageiro fotografa.
Maravilhosos jornalistas que por palavras e por imagens, apesar da censura vigente, resistiam e mostravam o país real.

24 de abril de 2015

25 de Abril

























(...)
Que o poema seja microfone e fale 
uma noite destas de repente às três e tal 
para que a lua estoire e o sono estale 
e a gente acorde finalmente em Portugal.
(...)
Manuel Alegre
Chico Buarque e a Banda da Carris em 1967
"O velho fraco se esqueceu do cansaço e pensou
Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou
A moça feia debruçou na janela
Pensando que a banda tocava pra ela"

Século Ilustrado.Fotografia de Eduardo Gageiro


23 de abril de 2015

à la minute

A propósito das fotografias de um fotógrafo ambulante em Lisboa, da Ana Luisa Cunha Alvim e do Armindo Ribeiro, lembrei-me desta fotografia de 1967. Retratavam elas o quotidiano de um fotógrafo à la minute nos anos 60 e foram publicadas no Século Ilustrado. Dizia a legenda: "A refeição do La Minute" é na rua de toda a gente. Sempre pode passar quem deseje uma fotografia".

22 de abril de 2015

Leni

Assim era publicado pelo Século Ilustrado de 1939, o anúncio ao filme de Leni Riefenstahl em exibição no São Luiz.

19 de abril de 2015

Ainda estou a sorrir da  perfeita paginação da Crónica Feminina. Numa página o final feliz de mais uma fotonovela. Noutra a Margarina Chefe. Evidências das revistas femininas dos anos 60.

18 de abril de 2015

Estes conselhos da Magda dão cabo de mim. Gosto sobretudo dos dois escudos para responder na volta do correio...Mas analisando bem, se calhar os conteúdos não diferem muito dos actuais consultórios ditos femininos.


Mariano Gago

Um ser e um estar maior que nós todos!








E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando
Cantando espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.










Milú

E cito: "A gentil Milú na sua vespa"
Selecções Femininas, 1954

Tecidos

Tecidos Oliveira nas Selecções Femininas em 1954.

4 de abril de 2015

Citações, pedantismo ou fraqueza? Assim perguntava um muito jovem Vasco Pulido Valente, para a revista Almanaque em 1960. Com 19 anos, já valia a pena lê-lo..

3 de abril de 2015

2 de abril de 2015

a espera

Assim esperava a esposa ideal o regresso do marido a casa.
 Crónica Masculina em 1956.

Árvores e Picaretas e Crónica Masculina

Quase todos conhecemos o fenómeno editorial que foi a Crónica Feminina,criada por Mário Aguiar, da Agência Portuguesa de Revistas. O que muitos desconhecem é a existência da Crónica Masculina, criada em 1956 e que durou apenas 20 números. Pena, pois era bem engraçada. Aqui vos reproduzo uma capa e contracapa e um pequeno artigo sobre a construção do Metro no Marquês e Bártolo Valença.

27 de março de 2015

Muito modernos estes antigos

Agora entendi porque vendo tantos livros de cozinha e nenhuns manuais de língua francesa...Assim era em 1918 e pelos vistos, continua a ser.

26 de março de 2015

23 de março de 2015

A Boneca de Papel

Uma pura delícia: a boneca de papel no suplemento à Revista ABC. ABC-zinho.
1923.

25 de fevereiro de 2015

Short Cuts - Memória de Brasília

A amizade, o vinho, o tempo

Velhos amigos, boas histórias.
Pelo menos uma vez por mês, uma turma de amigos se reúne em torno de uma mesa, para lembrar o passado, planejar o futuro e se deliciar com o presente. São velhos amigos que tem muito em comum e que nunca perdem a oportunidade de traduzir o amor por Brasília em uma declaração de amor à vida. O vértice desses encontros é o Silvestre Gorgulho.

Com Silvestre, tomando lições sobre Brasília. 
Silvestre é um apaixonado incorrigível. E no rastro da paixão dele, que tem Brasília como eixo, se alinham Carlos Magalhães da SilveiraPaulo Castelo BrancoWaltercy SantosTadeu FilippelliCláudio GontijoAntônio BigonhaDenise Rottemburg, entre outros. Um time seleto.

De vez em quando, tenho a honra de poder sentar à mesa com eles. Encontros que viram aula de história, sem o quadradismo comum às salas de escola. É história viva. Contada entre risos soltos, comida deliciosa e bons vinhos.

O humor adolescente do Cel. Affonso Heliodoro. 
Num desses encontros, tive ao alcance das mãos a lucidez provocante do coronel Affonso Heliodoro, perto de completar 98 anos de idade. Esse mineiro de Diamantina, protagonista da criação de Brasília,  tornou-se parte indiscutível da história da Nova Capital do Brasil.

De encontro em encontro, Silvestre vai inventando um jeito da gente nunca esquecer Brasília.
As fotos desse encontro foram feitas por Ronaldo Ferreira.


Duas Torre, um outro horizonte 

Dia atrás, Orlando Brito, um dos mais respeitados profissionais do fotojornalismo brasileiro, publicou duas imagens da Torre de TV, na página "Memórias de Brasília", criada por Silvestre Gorgulho para que a memória desta cidade não se perca assim tão fácil.

A Torre de TV, em dois tempos,
sob o olhar cuidadoso de Orlando Brito.
Uma das fotos de Orlando, registrava um inusitado flagrante de uma prova de hipismo na base daquele monumento. O horizonte praticamente vazio ao redor. O próprio Orlando explica: "No começo dos anos 70, a cidade completava dez anos de existência. Promover eventos culturais e esportivos ao pé da Torre era uma das principais estratégias de entretenimento, em Brasília".

Na outra foto, produzida por ele, agora, do mesmo local de onde tirou a primeira,  vê-se claramente o registro da passagem de quatro décadas. Entre uma e outra, além da força do tempo, os efeitos da modernidade. Ao invés de provas de hipismo, carros, escadas rolantes, bicicletas e telefones celulares.

Olhando pra essas fotos e lendo o texto do Orlando, em que ele também fala da Torre Digital, lembrei-me de buscar os registros da construção da outra torre, a última grande obra de Oscar Niemeyer em Brasília.


"Flor do Cerrado" que ficou deslumbrante depois de pronta, já era linda e desafiadora, enquanto estava construção. Estive lá várias vezes, enquanto operários e máquinas a erguiam. Muitas dessas visitas, acompanhado pelo Silvestre.



Em todas, ficava extasiado com a imagem lá do alto. Em uma dessas idas, tomei um susto com a minha imagem refletida nas peças de vidro que depois comporiam as pétalas arredondadas da "Flor".




Impossível não imaginar: O que será daquele horizonte, daqui a quarenta anos?




O carro, a menina, a copa de 70

Dora, 1970, em dia de comemoração:
A Variant em Brasília e o Brasil campeão, no México. 
Naquele dia, a seleção brasileira de futebol acabara de sagrar-se campeã, no México. PeléRivelinoTostão e companhia ainda não tinham saído do estádio, quando as ruas de Brasília se enfeitaram de verde e amarelo e se encheram de alegria e gente, na medida do que era possível preencher aquela imensidão de espaço.

Fazia três anos que o bancário Ernani Amaral Prado, havia desembarcado por aqui. Funcionário do Banco Mercantil, ele morava com a família na altura da 707, na W3 Sul. Uma de suas filhas, Dora Prado, tinha sete anos, estudava no Elefante Branco e se emocionava, cada vez que o pai passava, veloz, com a sua Variant, por baixo das tesourinhas.

Dora Prado
Dora é jornalista, vive hoje em Belo Horizonte e, mesmo de longe, diz que ainda se emociona toda vez que enxerga as linhas de Brasília.

25 de janeiro de 2015

Feira de vaidades


Um dos efeitos da crise é: nunca esteve a feira da ladra tão cheia de oferta de roupa em segunda mão. . Lembro-me que dantes só via gente muito nova à procura de modelos vintage, e de gente com muito mais idade à procura duma peça barata. Agora é um fenómeno completamente atípico, todos compram a roupa que sai no caso, de um bonito baú um tanto surrado. Aboliu-se o preconceito pelos artigos em segunda mão em geral.