Há 60 anos o Nivea era assim publicitado no Almanaque do Diário de Notícias. Todos os dias folheio um almanaque da colecção cá de casa e deslumbro-me com uma imagem.
2 de maio de 2015
1 de maio de 2015
Dias de Rádio
Era assim a publicidade da Philips em 1938, no Século Ilustrado, nos tempos em que a rádio era o centro do universo.
30 de abril de 2015
O sol no coração e a navalha na liga.
Estreava-se assim no Monumental a peça A Severa, a mulher que tem o sol no coração e a navalha na liga. A sua protagonista, Amália Rodrigues , era festejada com flores. Corria o ano de 1952. Século Ilustrado.
28 de abril de 2015
As ovelhas da Praça de Alvalade
Há cerca de um ano precisei de me deslocar à livraria da Faculdade de Letras. Encantada com o espólio de exemplares hoje desaparecidos das modernas superfícies comerciais, encontro uma preciosidade: um livro com imagens captadas pelo fotógrafo Luiz Carvalho, todas elas – de acordo com as datas que as acompanham – de finais dos anos 70, início da década de 80 do século passado. Tendo publicado a presente fotografia na “rede social da moda” (sempre com referência ao autor e à obra, como deve ser feito e por muito respeitar o trabalho de cada um), fiquei surpreendida com alguns comentários: “deve ser montagem”; “ não passavam rebanhos na Praça de Alvalade” […] opiniões essas rebatidas por quem afirmava ter presenciado cenários como o fotografado. No caso pessoal e também por esta época, posso referir que, nas traseiras do edifício central da Faculdade de Letras (pavilhões onde também havia aulas) via, com frequência, rebanhos a passarem junto à janela da sala (pretexto para me desviar de matérias menos empolgantes…). Também recordo com nitidez, a saída na paragem de autocarro junto ao hipódromo do Campo Grande : nos atalhos que tomava a caminho das aulas, lá me ia cruzando, de quando em vez, com um rebanho. No passado domingo, como teste, mostrei a fotografia à minha mãe que me respondeu: “lembro-me da Av. do Brasil e do Areeiro, quando era pequena, serem uma espécie de aldeias, com matagal e com apontamentos rurais de que hoje duvidaríamos”. Acredito na veracidade da imagem aqui divulgada, embora fosse interessante a opinião de quem tem memórias mais nítidas de cenários como o apresentado.
Imagem: do livro de © Luiz Carvalho ‘Portugueses’, Editora perspectivas & realidades (tiragem: 2000 exemplares)
26 de abril de 2015
Cavalheiro
Assim eram mostrados os anúncios amorosos publicados nos jornais, pelo Magazine Civilização em 1935.
25 de abril de 2015
25 de abril : "como a voz do mar"
“Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta
como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar
Interior de um povo
Interior de um povo
[…]”
…E passaram 41 anos. Para quem viveu o momento em idade de guardar memórias, a euforia de correntes que se quebram.
Uma guerra inexplicável
a terminar, inebriados por tudo podermos dizer, as portas de Caxias, abertas de par em par, a aprendizagem do quotidiano então renovado, vivências
que, em termos históricos, não se encontram distantes.
Tanto haveria para dizer, pensando que, ao longo de quatro
décadas, nem sempre os dias de um povo são coloridos com as
tonalidades que nos tornam mais autênticos e de bem com a vida.
Procurando imagens menos divulgadas, duas fotografias captadas na Praça dos Restauradores.
Imagens: 1- casacomum; 2- centro de documentação da
Universidade de Coimbra
Esta é uma das peças duma reportagem sobre o Nordeste, publicada em 1968 no Século Ilustrado. Roby Amorim conta-nos a história da emigrante no Canadá que regressou a Fonte de Aldeia. " Novos hábitos, novas maneiras de vestir, mas a mãe apesar do dinheiro que vem de fora, mantém-se fiel às tradições". Eduardo Gageiro fotografa.
Maravilhosos jornalistas que por palavras e por imagens, apesar da censura vigente, resistiam e mostravam o país real.
Maravilhosos jornalistas que por palavras e por imagens, apesar da censura vigente, resistiam e mostravam o país real.
24 de abril de 2015
25 de Abril
(...)
Que o poema seja microfone e fale uma noite destas de repente às três e tal para que a lua estoire e o sono estale e a gente acorde finalmente em Portugal.
(...)
Manuel Alegre
23 de abril de 2015
à la minute
A propósito das fotografias de um fotógrafo ambulante em Lisboa, da Ana Luisa Cunha Alvim e do Armindo Ribeiro, lembrei-me desta fotografia de 1967. Retratavam elas o quotidiano de um fotógrafo à la minute nos anos 60 e foram publicadas no Século Ilustrado. Dizia a legenda: "A refeição do La Minute" é na rua de toda a gente. Sempre pode passar quem deseje uma fotografia".
22 de abril de 2015
Leni
Assim era publicado pelo Século Ilustrado de 1939, o anúncio ao filme de Leni Riefenstahl em exibição no São Luiz.
19 de abril de 2015
18 de abril de 2015
14 de abril de 2015
11 de abril de 2015
4 de abril de 2015
2 de abril de 2015
Árvores e Picaretas e Crónica Masculina
Quase todos conhecemos o fenómeno editorial que foi a Crónica Feminina,criada por Mário Aguiar, da Agência Portuguesa de Revistas. O que muitos desconhecem é a existência da Crónica Masculina, criada em 1956 e que durou apenas 20 números. Pena, pois era bem engraçada. Aqui vos reproduzo uma capa e contracapa e um pequeno artigo sobre a construção do Metro no Marquês e Bártolo Valença.
27 de março de 2015
Muito modernos estes antigos
Agora entendi porque vendo tantos livros de cozinha e nenhuns manuais de língua francesa...Assim era em 1918 e pelos vistos, continua a ser.
26 de março de 2015
23 de março de 2015
21 de março de 2015
25 de fevereiro de 2015
Short Cuts - Memória de Brasília
A amizade, o vinho, o tempo
Pelo menos uma vez por mês, uma turma de amigos se reúne em torno de uma mesa, para lembrar o passado, planejar o futuro e se deliciar com o presente. São velhos amigos que tem muito em comum e que nunca perdem a oportunidade de traduzir o amor por Brasília em uma declaração de amor à vida. O vértice desses encontros é o Silvestre Gorgulho.
Silvestre é um apaixonado incorrigível. E no rastro da paixão dele, que tem Brasília como eixo, se alinham Carlos Magalhães da Silveira, Paulo Castelo Branco, Waltercy Santos, Tadeu Filippelli, Cláudio Gontijo, Antônio Bigonha, Denise Rottemburg, entre outros. Um time seleto.
De vez em quando, tenho a honra de poder sentar à mesa com eles. Encontros que viram aula de história, sem o quadradismo comum às salas de escola. É história viva. Contada entre risos soltos, comida deliciosa e bons vinhos.
Num desses encontros, tive ao alcance das mãos a lucidez provocante do coronel Affonso Heliodoro, perto de completar 98 anos de idade. Esse mineiro de Diamantina, protagonista da criação de Brasília, tornou-se parte indiscutível da história da Nova Capital do Brasil.
De encontro em encontro, Silvestre vai inventando um jeito da gente nunca esquecer Brasília.
As fotos desse encontro foram feitas por Ronaldo Ferreira.
Duas Torre, um outro horizonte
Dia atrás, Orlando Brito, um dos mais respeitados profissionais do fotojornalismo brasileiro, publicou duas imagens da Torre de TV, na página "Memórias de Brasília", criada por Silvestre Gorgulho para que a memória desta cidade não se perca assim tão fácil.
Uma das fotos de Orlando, registrava um inusitado flagrante de uma prova de hipismo na base daquele monumento. O horizonte praticamente vazio ao redor. O próprio Orlando explica: "No começo dos anos 70, a cidade completava dez anos de existência. Promover eventos culturais e esportivos ao pé da Torre era uma das principais estratégias de entretenimento, em Brasília".
Na outra foto, produzida por ele, agora, do mesmo local de onde tirou a primeira, vê-se claramente o registro da passagem de quatro décadas. Entre uma e outra, além da força do tempo, os efeitos da modernidade. Ao invés de provas de hipismo, carros, escadas rolantes, bicicletas e telefones celulares.
Olhando pra essas fotos e lendo o texto do Orlando, em que ele também fala da Torre Digital, lembrei-me de buscar os registros da construção da outra torre, a última grande obra de Oscar Niemeyer em Brasília.
A "Flor do Cerrado" que ficou deslumbrante depois de pronta, já era linda e desafiadora, enquanto estava construção. Estive lá várias vezes, enquanto operários e máquinas a erguiam. Muitas dessas visitas, acompanhado pelo Silvestre.
Em todas, ficava extasiado com a imagem lá do alto. Em uma dessas idas, tomei um susto com a minha imagem refletida nas peças de vidro que depois comporiam as pétalas arredondadas da "Flor".
Impossível não imaginar: O que será daquele horizonte, daqui a quarenta anos?
O carro, a menina, a copa de 70
Naquele dia, a seleção brasileira de futebol acabara de sagrar-se campeã, no México. Pelé, Rivelino, Tostão e companhia ainda não tinham saído do estádio, quando as ruas de Brasília se enfeitaram de verde e amarelo e se encheram de alegria e gente, na medida do que era possível preencher aquela imensidão de espaço.
Fazia três anos que o bancário Ernani Amaral Prado, havia desembarcado por aqui. Funcionário do Banco Mercantil, ele morava com a família na altura da 707, na W3 Sul. Uma de suas filhas, Dora Prado, tinha sete anos, estudava no Elefante Branco e se emocionava, cada vez que o pai passava, veloz, com a sua Variant, por baixo das tesourinhas.
Dora é jornalista, vive hoje em Belo Horizonte e, mesmo de longe, diz que ainda se emociona toda vez que enxerga as linhas de Brasília.
![]() |
| Velhos amigos, boas histórias. |
![]() |
| Com Silvestre, tomando lições sobre Brasília. |
De vez em quando, tenho a honra de poder sentar à mesa com eles. Encontros que viram aula de história, sem o quadradismo comum às salas de escola. É história viva. Contada entre risos soltos, comida deliciosa e bons vinhos.
![]() |
| O humor adolescente do Cel. Affonso Heliodoro. |
De encontro em encontro, Silvestre vai inventando um jeito da gente nunca esquecer Brasília.
As fotos desse encontro foram feitas por Ronaldo Ferreira.
Duas Torre, um outro horizonte
Dia atrás, Orlando Brito, um dos mais respeitados profissionais do fotojornalismo brasileiro, publicou duas imagens da Torre de TV, na página "Memórias de Brasília", criada por Silvestre Gorgulho para que a memória desta cidade não se perca assim tão fácil.
![]() |
| A Torre de TV, em dois tempos, sob o olhar cuidadoso de Orlando Brito. |
Na outra foto, produzida por ele, agora, do mesmo local de onde tirou a primeira, vê-se claramente o registro da passagem de quatro décadas. Entre uma e outra, além da força do tempo, os efeitos da modernidade. Ao invés de provas de hipismo, carros, escadas rolantes, bicicletas e telefones celulares.
Olhando pra essas fotos e lendo o texto do Orlando, em que ele também fala da Torre Digital, lembrei-me de buscar os registros da construção da outra torre, a última grande obra de Oscar Niemeyer em Brasília.
O carro, a menina, a copa de 70
![]() |
| Dora, 1970, em dia de comemoração: A Variant em Brasília e o Brasil campeão, no México. |
Fazia três anos que o bancário Ernani Amaral Prado, havia desembarcado por aqui. Funcionário do Banco Mercantil, ele morava com a família na altura da 707, na W3 Sul. Uma de suas filhas, Dora Prado, tinha sete anos, estudava no Elefante Branco e se emocionava, cada vez que o pai passava, veloz, com a sua Variant, por baixo das tesourinhas.
![]() |
| Dora Prado |
25 de janeiro de 2015
Feira de vaidades
Um dos efeitos da crise é: nunca esteve a feira da ladra tão cheia de oferta de roupa em segunda mão. . Lembro-me que dantes só via gente muito nova à procura de modelos vintage, e de gente com muito mais idade à procura duma peça barata. Agora é um fenómeno completamente atípico, todos compram a roupa que sai no caso, de um bonito baú um tanto surrado. Aboliu-se o preconceito pelos artigos em segunda mão em geral.
17 de dezembro de 2014
Bailongo!
![]() |
| Yamandu Costa e Guto Wirtti |
É um passeio musical que percorre o quintal do Brasil e a varanda do mundo. Vai do chamamé ao tango. Da Vaneira a Villa Lobos. Num roteiro que é provinciano e universal, ao mesmo tempo. É preciso escutá-los de perto para compreender. Yamandu e Guto são amigos de infância que nunca se perderam. Talvez, por isso mesmo, o show deles é como uma viagem no tempo. Um resgate, com tudo o que isso possa significar.
É como encontrar um velho amigo, um amor antigo, uma alma em sintonia, e perceber que o tempo e a distância não foram capazes de apagar da lembrança o que houve de melhor e o que ficou preservado para sempre.
Guto conta a história de como encontrou o seu "Baixolão", um instrumento menor, muito menor, que um Ciello, mas com uma sonoridade tão grave quanto a batida firme no peito, de um coração apaixonado. Yamandu visita Lupicínio Rodrigues, seu conterrâneo, e dá a Nervos de Aço uma interpretação doce e viril ao mesmo tempo, uma interpretação única, que por pouco não nos tira da cadeira e nos faz sair dançando em meio à plateia.
Talvez eu não consiga traduzir aqui o significado da música que eles fazem. Melhor mesmo é assisti-los. E comprovar a genialidade desses dois jovens músicos brasileiros. Eles, sim, representam o que o Brasil tem de melhor em sua essência.
3 de dezembro de 2014
«Lisboa nas narrativas: olhares do exterior sobre a cidade antiga e contemporânea»
Em pesquisa de textos e crónicas sobre Lisboa, encontro um interessante estudo da Universidade Nova de Lisboa, ilustrado com fragmentos de relatos de viagem, crónicas e ficção, compreendidos entre época próxima ao terramoto de 1755 , passando pelas impressões de refugiados da II Guerra Mundial e avançando pelo século XX. O título de tal estudo coincide com o do presente post. Das crónicas, realço a prosa de Cecília Meireles, a prender-nos no encantamento da sua destreza poética. Dessas impressões de viagem, datadas da primeira metade do passado século, deixo um fragmento:
«[…] pode-se caminhar pela velha Lisboa, que é ainda a que eu mais amo, embora sejam muito bonitos estes bairros que vão surgindo, com janelas sobre janelas, como, outrora, azulejo sobre azulejo, tudo muito clarinho, muito inocente, muito festivo, azul, cor-de-rosa, amarelo, verde, branco. Eu gosto é dos chafarizes, dos lampiões, de certas perspectivas, de certas portas, de certas pedras. E do Tejo. O Tejo com seus barquinhos é uma coisa linda de olhar, seja de um lado, seja do outro, seja do céu, - quando se vêem as ondas desenhadas uma a uma como trança desmanchada de sereia.[...]»
A organização de textos de Cecília Meireles, presente neste interessante trabalho, baseia-se na compilação Crónicas de Viagem 3, reunida por Leodegário A. De Azevedo Filho. As crónicas foram publicadas em diversos jornais brasileiros da época.
Subscrever:
Mensagens (Atom)














































