Ainda estou a sorrir da perfeita paginação da Crónica Feminina. Numa página o final feliz de mais uma fotonovela. Noutra a Margarina Chefe. Evidências das revistas femininas dos anos 60.
19 de abril de 2015
18 de abril de 2015
14 de abril de 2015
11 de abril de 2015
4 de abril de 2015
2 de abril de 2015
Árvores e Picaretas e Crónica Masculina
Quase todos conhecemos o fenómeno editorial que foi a Crónica Feminina,criada por Mário Aguiar, da Agência Portuguesa de Revistas. O que muitos desconhecem é a existência da Crónica Masculina, criada em 1956 e que durou apenas 20 números. Pena, pois era bem engraçada. Aqui vos reproduzo uma capa e contracapa e um pequeno artigo sobre a construção do Metro no Marquês e Bártolo Valença.
27 de março de 2015
Muito modernos estes antigos
Agora entendi porque vendo tantos livros de cozinha e nenhuns manuais de língua francesa...Assim era em 1918 e pelos vistos, continua a ser.
26 de março de 2015
23 de março de 2015
21 de março de 2015
25 de fevereiro de 2015
Short Cuts - Memória de Brasília
A amizade, o vinho, o tempo
Pelo menos uma vez por mês, uma turma de amigos se reúne em torno de uma mesa, para lembrar o passado, planejar o futuro e se deliciar com o presente. São velhos amigos que tem muito em comum e que nunca perdem a oportunidade de traduzir o amor por Brasília em uma declaração de amor à vida. O vértice desses encontros é o Silvestre Gorgulho.
Silvestre é um apaixonado incorrigível. E no rastro da paixão dele, que tem Brasília como eixo, se alinham Carlos Magalhães da Silveira, Paulo Castelo Branco, Waltercy Santos, Tadeu Filippelli, Cláudio Gontijo, Antônio Bigonha, Denise Rottemburg, entre outros. Um time seleto.
De vez em quando, tenho a honra de poder sentar à mesa com eles. Encontros que viram aula de história, sem o quadradismo comum às salas de escola. É história viva. Contada entre risos soltos, comida deliciosa e bons vinhos.
Num desses encontros, tive ao alcance das mãos a lucidez provocante do coronel Affonso Heliodoro, perto de completar 98 anos de idade. Esse mineiro de Diamantina, protagonista da criação de Brasília, tornou-se parte indiscutível da história da Nova Capital do Brasil.
De encontro em encontro, Silvestre vai inventando um jeito da gente nunca esquecer Brasília.
As fotos desse encontro foram feitas por Ronaldo Ferreira.
Duas Torre, um outro horizonte
Dia atrás, Orlando Brito, um dos mais respeitados profissionais do fotojornalismo brasileiro, publicou duas imagens da Torre de TV, na página "Memórias de Brasília", criada por Silvestre Gorgulho para que a memória desta cidade não se perca assim tão fácil.
Uma das fotos de Orlando, registrava um inusitado flagrante de uma prova de hipismo na base daquele monumento. O horizonte praticamente vazio ao redor. O próprio Orlando explica: "No começo dos anos 70, a cidade completava dez anos de existência. Promover eventos culturais e esportivos ao pé da Torre era uma das principais estratégias de entretenimento, em Brasília".
Na outra foto, produzida por ele, agora, do mesmo local de onde tirou a primeira, vê-se claramente o registro da passagem de quatro décadas. Entre uma e outra, além da força do tempo, os efeitos da modernidade. Ao invés de provas de hipismo, carros, escadas rolantes, bicicletas e telefones celulares.
Olhando pra essas fotos e lendo o texto do Orlando, em que ele também fala da Torre Digital, lembrei-me de buscar os registros da construção da outra torre, a última grande obra de Oscar Niemeyer em Brasília.
A "Flor do Cerrado" que ficou deslumbrante depois de pronta, já era linda e desafiadora, enquanto estava construção. Estive lá várias vezes, enquanto operários e máquinas a erguiam. Muitas dessas visitas, acompanhado pelo Silvestre.
Em todas, ficava extasiado com a imagem lá do alto. Em uma dessas idas, tomei um susto com a minha imagem refletida nas peças de vidro que depois comporiam as pétalas arredondadas da "Flor".
Impossível não imaginar: O que será daquele horizonte, daqui a quarenta anos?
O carro, a menina, a copa de 70
Naquele dia, a seleção brasileira de futebol acabara de sagrar-se campeã, no México. Pelé, Rivelino, Tostão e companhia ainda não tinham saído do estádio, quando as ruas de Brasília se enfeitaram de verde e amarelo e se encheram de alegria e gente, na medida do que era possível preencher aquela imensidão de espaço.
Fazia três anos que o bancário Ernani Amaral Prado, havia desembarcado por aqui. Funcionário do Banco Mercantil, ele morava com a família na altura da 707, na W3 Sul. Uma de suas filhas, Dora Prado, tinha sete anos, estudava no Elefante Branco e se emocionava, cada vez que o pai passava, veloz, com a sua Variant, por baixo das tesourinhas.
Dora é jornalista, vive hoje em Belo Horizonte e, mesmo de longe, diz que ainda se emociona toda vez que enxerga as linhas de Brasília.
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| Velhos amigos, boas histórias. |
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| Com Silvestre, tomando lições sobre Brasília. |
De vez em quando, tenho a honra de poder sentar à mesa com eles. Encontros que viram aula de história, sem o quadradismo comum às salas de escola. É história viva. Contada entre risos soltos, comida deliciosa e bons vinhos.
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| O humor adolescente do Cel. Affonso Heliodoro. |
De encontro em encontro, Silvestre vai inventando um jeito da gente nunca esquecer Brasília.
As fotos desse encontro foram feitas por Ronaldo Ferreira.
Duas Torre, um outro horizonte
Dia atrás, Orlando Brito, um dos mais respeitados profissionais do fotojornalismo brasileiro, publicou duas imagens da Torre de TV, na página "Memórias de Brasília", criada por Silvestre Gorgulho para que a memória desta cidade não se perca assim tão fácil.
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| A Torre de TV, em dois tempos, sob o olhar cuidadoso de Orlando Brito. |
Na outra foto, produzida por ele, agora, do mesmo local de onde tirou a primeira, vê-se claramente o registro da passagem de quatro décadas. Entre uma e outra, além da força do tempo, os efeitos da modernidade. Ao invés de provas de hipismo, carros, escadas rolantes, bicicletas e telefones celulares.
Olhando pra essas fotos e lendo o texto do Orlando, em que ele também fala da Torre Digital, lembrei-me de buscar os registros da construção da outra torre, a última grande obra de Oscar Niemeyer em Brasília.
O carro, a menina, a copa de 70
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| Dora, 1970, em dia de comemoração: A Variant em Brasília e o Brasil campeão, no México. |
Fazia três anos que o bancário Ernani Amaral Prado, havia desembarcado por aqui. Funcionário do Banco Mercantil, ele morava com a família na altura da 707, na W3 Sul. Uma de suas filhas, Dora Prado, tinha sete anos, estudava no Elefante Branco e se emocionava, cada vez que o pai passava, veloz, com a sua Variant, por baixo das tesourinhas.
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| Dora Prado |
25 de janeiro de 2015
Feira de vaidades
Um dos efeitos da crise é: nunca esteve a feira da ladra tão cheia de oferta de roupa em segunda mão. . Lembro-me que dantes só via gente muito nova à procura de modelos vintage, e de gente com muito mais idade à procura duma peça barata. Agora é um fenómeno completamente atípico, todos compram a roupa que sai no caso, de um bonito baú um tanto surrado. Aboliu-se o preconceito pelos artigos em segunda mão em geral.
17 de dezembro de 2014
Bailongo!
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| Yamandu Costa e Guto Wirtti |
É um passeio musical que percorre o quintal do Brasil e a varanda do mundo. Vai do chamamé ao tango. Da Vaneira a Villa Lobos. Num roteiro que é provinciano e universal, ao mesmo tempo. É preciso escutá-los de perto para compreender. Yamandu e Guto são amigos de infância que nunca se perderam. Talvez, por isso mesmo, o show deles é como uma viagem no tempo. Um resgate, com tudo o que isso possa significar.
É como encontrar um velho amigo, um amor antigo, uma alma em sintonia, e perceber que o tempo e a distância não foram capazes de apagar da lembrança o que houve de melhor e o que ficou preservado para sempre.
Guto conta a história de como encontrou o seu "Baixolão", um instrumento menor, muito menor, que um Ciello, mas com uma sonoridade tão grave quanto a batida firme no peito, de um coração apaixonado. Yamandu visita Lupicínio Rodrigues, seu conterrâneo, e dá a Nervos de Aço uma interpretação doce e viril ao mesmo tempo, uma interpretação única, que por pouco não nos tira da cadeira e nos faz sair dançando em meio à plateia.
Talvez eu não consiga traduzir aqui o significado da música que eles fazem. Melhor mesmo é assisti-los. E comprovar a genialidade desses dois jovens músicos brasileiros. Eles, sim, representam o que o Brasil tem de melhor em sua essência.
3 de dezembro de 2014
«Lisboa nas narrativas: olhares do exterior sobre a cidade antiga e contemporânea»
Em pesquisa de textos e crónicas sobre Lisboa, encontro um interessante estudo da Universidade Nova de Lisboa, ilustrado com fragmentos de relatos de viagem, crónicas e ficção, compreendidos entre época próxima ao terramoto de 1755 , passando pelas impressões de refugiados da II Guerra Mundial e avançando pelo século XX. O título de tal estudo coincide com o do presente post. Das crónicas, realço a prosa de Cecília Meireles, a prender-nos no encantamento da sua destreza poética. Dessas impressões de viagem, datadas da primeira metade do passado século, deixo um fragmento:
«[…] pode-se caminhar pela velha Lisboa, que é ainda a que eu mais amo, embora sejam muito bonitos estes bairros que vão surgindo, com janelas sobre janelas, como, outrora, azulejo sobre azulejo, tudo muito clarinho, muito inocente, muito festivo, azul, cor-de-rosa, amarelo, verde, branco. Eu gosto é dos chafarizes, dos lampiões, de certas perspectivas, de certas portas, de certas pedras. E do Tejo. O Tejo com seus barquinhos é uma coisa linda de olhar, seja de um lado, seja do outro, seja do céu, - quando se vêem as ondas desenhadas uma a uma como trança desmanchada de sereia.[...]»
A organização de textos de Cecília Meireles, presente neste interessante trabalho, baseia-se na compilação Crónicas de Viagem 3, reunida por Leodegário A. De Azevedo Filho. As crónicas foram publicadas em diversos jornais brasileiros da época.
18 de novembro de 2014
Poesia não morre
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| Frame do documentário "Só dez por cento é mentira" |
A passagem de Manoel de Barros não foi uma surpresa pra mim. Havia alguns meses, o poeta anunciava estar cansado dessa vida. Morreu, como dizem aqui no Brasil "como um passarinho". No meu entendimento, passarinhou. Como disse o amigo Bosco Martins, na edição do Correio Braziliense que homenageou o poeta, "a morte, a gente tem que ter serenidade para aceitá-la como uma decorrência do nascer".
Mas toda morte nos faz refletir e a do Manoel, minha fonte de inspiração eterna, me fez retornar ao passado. Eu era um jovem repórter de TV no início da década de 90, do Século passado. E fui trabalhar em Campo Grande, terra onde o poeta viveu a maior parte da vida.
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| Manoel e sua escrita |
Um dia, recebi um desafio, foi em 1991: Entrevistar o poeta Manoel de Barros para a primeira revista científica da UNIDERP - Universidade para o Desenvolvimento da Região do Pantanal. Obter dele algo que ligasse a poesia à pesquisa e ao trabalho que a Universidade pretendia fazer no Pantanal. O convite veio da professora Yara Penteado e do professor Paulo Cabral. A Revista se chamaria ONATI. Topei na hora.
Fiz a lista de perguntas e mandei pro Manoel, que já à época preferia as correspondências às entrevistas presenciais. 23 anos depois, relendo o que ele escreveu, constato - poesia não morre. Por isso, tomo a liberdade de recuperar o conteúdo dessa nossa “conversa”, resgatando um pouco da poesia viva de Manoel de Barros, que eu tenho certeza, não nos deixará.
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| Frame do documentário "Só dez por cento é mentira". |
O peso das contradições do Brasil lhe pesa também sobre a poesia?
Manoel de Barros - Não pesam as contradições do Brasil porque, na verdade a gente, eu, tenho muito mais contradições do que o Brasil. Eu ganho do Brasil de 10 a zero. Acho que a gente é poeta por isso mesmo: que precisa resolver as suas contradições. E porque não as resolve, graças a Deus. Eu não resolvo essa briga dentro de mim senão com palavras. E há uma figura de estilo que concilia muito a gente por dentro. Se trata da antítese. A gente produz uma frase antitética e fica feliz. Parece que a frase nos harmoniza. Assim como esta, por exemplo: Só as coisas rasteiras me celestam.
Manoel de Barros - Sabe, Maranhão, eu tenho um mundinho bem reduzido. Tentei algum tempo alargar esse mundo lendo os filósofos, pensadores, romancistas, poetas de todos os lugares e tempos. Vi pinturas, esculturas, vitrais, pessoas, países, ruinas, aldeias, costumes, ternuras, desgraças. Andei por estradas modernas e por trilheiros. E vi, como diz o Eclesiastes, que tudo é vaidade e vento. Isto seja: que tudo é igual e vai pro pó. Não me impressiono com as tecnologias. Pra mim, elas acrescentam algumas palavras novas, que ainda não aceito em meus poemas. Não aceito porque essas palavras ainda não entraram no meu sangue. Componho como compunha: a lápis e usando um velho dicionário português dos eremitas calçados de 1870. E as minhas percepções sensoriais.
Manoel de Barros - Não há como evitar as aldeias globais e seus efeitos. Elas invadem e destemperam quase tudo. Mas o pantanal em seu todo, em sua ossatura geológica está resgaurdado. Ou quase. O fato de ser uma região de enchentes periódicas, isso preserva um pouco o pantanal. Ninguém se estabelece com indústrias ou supermercados no pantanal. Porque em seis meses as águas lhes comem pelas beiradas. E tudo bóia. E tudo nada. Aquilo é celeiro de bichos e aves e não de cofres bancários. Com a paz dos bichos vive a paz do homem pantaneiro. E viverá enquanto a natureza não modificar a sua ossatura geológica.
Manoel de Barros - Você pode não acreditar, mas eu não me emociono com a natureza como ela é. Suas águas, seus bichos, sua vegetação. Até tenho um certo fastio da natureza. Igual Macbeth falava: Tenho um certo fastio do sol. Talvez a gente queira fazer um sol verde, um homem que voe como as noivas de Chagal, um cavalo azul e de asas. É evidente que eu, tendo sido criado no pantanal, tenha em mim um lastro de brejos e de conchas. Tenho um sentido de abandono em mim. Um sentimento de lonjuras, de distâncias, de lugares sem dono. Venho daqueles tempos em que o pantanal era o ermo. Fui criado naqueles ermos. Por isso tenho em mim um sentimento de abandono. Na minha meninice chegavam apenas carros de bois, de três em três meses no lugar em que morávamos. De forma que essa angústia de estar em lugar distante e perdido, me acompanha até hoje. Não me seduz ver as paisagens do pantanal porque elas estão dentro de mim. O que preciso é transfazê-las.
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| Frame do documentário "Só dez por cento é mentira". |
Manoel de Barros - Existe uma lenda de que eu tenha feito opção para viver à margem. E às margens. Mas, na verdade, eu nunca fiz essa opção e a coisa é lenda mesmo. O que eu sou, sem dúvida, é um tímido incurável. Sofro para atravessar um salão cheio de gente. Sofro em solenidades. Ando sobre pregos se tenho que conversar com senhores conspícuos. Até para entrar em salão de barbeiro, se o salão está cheio de gente, eu sofro. Escolho sempre aqueles velhos salõezinhos de uma só cadeira. Aí fico amigo do barbeiro e nos anedotamos. Daí, por não gostar de sofrer, fui me afastando dos convescotes, das vernissages, dos inauguramentos, dos sodalícios. Prefiro os lupanares do que os sodalícios. Vivo bem nas tocas. A gente acaba descobrindo que no fechado o imaginário voa mais longe.
Manoel de Barros - Os olhos enxergam melhor as coisas do nosso pequeno mundo particular. Aqui ou em Paris os quintais têm as mesmas coisas: folhas secas, cacos de vidro, formigas, bosta de rato, baratas cascudas. Passei algumas horas no quintal de Rodin. Eu estava curioso para ver se os passarinhos de lá tinham duas pernas também, como os daqui. Saí confiante que tinham. Então acertei as pequenas coisas que meus olhos viam na minha terra, na minha cidade, no meu terreiro - eram quase que as mesmas que eu vira no quintal de Rodin. E sei bem que só um milagre estético pode tornar tudo isso universal. O que faz do particular uma coisa universal é o tratamento estético que possamos dar a esse particular de cada um de nós.
Manoel de Barros - Eu fantasio completo. Eu fantasio mulheres, viagens , vulva, pevide, inocências. Queria ter agora um olho de criança para ver o mundo pela primeira vez. (Meu olho está tão gasto!) Eu ía dar nome às coisas. Cobra eu chamaria de flor que anda. Nuvem eu chamaria de sol, etc. etc. Eu daria movimento às pedras. Faria árvore pensar. Tudo o que eu tocasse teria um canto, uma cor, um amor. A solidão teria que existir para que a alma funcionasse e se abrisse em sonhos. Eu sonho tudo. Eu queria saber misturar melhor as palavras a ponto que eu fosse mais poeta.
Ao final, bem ao seu estilo, o poeta me mandou um recado, em que aceita - carinhoso - o convite que faço para tomar "uns goles de cachaça" que ele não dispensava. A certa altura (veja a transcrição do conteúdo, logo a seguir) diz esperar que eu não me decepcione com o conteúdo das respostas. Imaginem, logo eu!
"Maranhão Viegas, prezado jornalista.
A moça que trouxe as suas perguntas me disse que você teria pressa.
Não relaxei entretanto, por isso. Fiz o que posso e o que sei. Talvez
se houvesse prazo maior as linhas aumentassem. Espero que você não se decepcione.
Quanto aos goles em algum boteco do mundo, vamos marcar.
Grande abraço. O amigo, Manoel de Barros.
PS. Acho que misturei as perguntas, a ordem delas. M."
O bilhete aí em cima guardo com o carinho de quem realizou um sonho.
O sonho de ter tocado o poeta e sua poesia.
9 de novembro de 2014
Amália
Original a lua-de-mel de Amália, na Ericeira em 1961...Acampada com a família e motorista e empregado.
8 de novembro de 2014
Teresa Torga
José Afonso fez dela uma canção. A história de uma mulher desesperada e triste que se despe na via pública em 1975. Dela encontrei já registo na revista Plateia e hoje volto a encontrá-la. Pergunto-me, o que lhe terá acontecido?
Mais aqui: "No DL, R.R. (Rogério Rodrigues) conta a história de uma mulher " de que não se conhecia o nome" , que ontem, às quatro da tarde fazia streap-tease enquanto dançava, ao centro do cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro.
"Visivelmente surpreendidos, alguns espectadores da cena, invulgar em ruas de Lisboa, dirigiram-se para a mulher no intento de a proteger das vistas de quem passava e de quem parava, persuadi-la a vestir-se e abandonar o local. No meio da confusão, surge o repórter António Capela, que começa a disparar. Os populares, indignados com o que consideram 'uma baixeza moral', investem sobre ele, insultam-no, empurram-no, agridem-no e só a intervenção do proprietário da drogaria vizinha impede que não lhe partam a máquina (...) Entretanto a mulher tinha sido levada para o limiar de um prédio com porteita à porta. Já vestida, olhava apática para as pessoas que a rodeavam. Dizem-me que se chamava Maria Teresa.'Não sou Maria. Não sou Teresa. Tenho muitos nomes'.Tinha os lábios encortiçados e recusava o copo de água que lhe ofereciam".
"Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?", interroga-se o jornalista, que passa a contar o percurso de vida, entretanto averiguado, de uma mulher de 41 anos, divorciada, sucessivamente actriz de revista, emigrante no Brasil, cantora de fado e que agora, no intervalo de tratamento no Júlio de Matos, "mudava discos no pick-up" de uma boite de Benfica.
Usava o nome de Teresa Torga " porque há um escritor que se chama assim" e ela gostava muito de ler, conta uma vizinha. A última vez que o repórter a viu seguia ela num carro da polícia para a esquadra do Matadouro.
in http://weber.blogs.sapo.pt/
"Visivelmente surpreendidos, alguns espectadores da cena, invulgar em ruas de Lisboa, dirigiram-se para a mulher no intento de a proteger das vistas de quem passava e de quem parava, persuadi-la a vestir-se e abandonar o local. No meio da confusão, surge o repórter António Capela, que começa a disparar. Os populares, indignados com o que consideram 'uma baixeza moral', investem sobre ele, insultam-no, empurram-no, agridem-no e só a intervenção do proprietário da drogaria vizinha impede que não lhe partam a máquina (...) Entretanto a mulher tinha sido levada para o limiar de um prédio com porteita à porta. Já vestida, olhava apática para as pessoas que a rodeavam. Dizem-me que se chamava Maria Teresa.'Não sou Maria. Não sou Teresa. Tenho muitos nomes'.Tinha os lábios encortiçados e recusava o copo de água que lhe ofereciam".
"Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?", interroga-se o jornalista, que passa a contar o percurso de vida, entretanto averiguado, de uma mulher de 41 anos, divorciada, sucessivamente actriz de revista, emigrante no Brasil, cantora de fado e que agora, no intervalo de tratamento no Júlio de Matos, "mudava discos no pick-up" de uma boite de Benfica.
Usava o nome de Teresa Torga " porque há um escritor que se chama assim" e ela gostava muito de ler, conta uma vizinha. A última vez que o repórter a viu seguia ela num carro da polícia para a esquadra do Matadouro.
in http://weber.blogs.sapo.pt/
No centro da Avenida
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
No cruzamento da rua
Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
(...) Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Seu nome é Teresa Torga
Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que o diga António Capela
T'resa Torga, T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha.
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha.
José Afonso, Teresa Torga
in álbum "Com as minhas tamanquinhas", 1976
in álbum "Com as minhas tamanquinhas", 1976
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