Ontem à tarde, a meio de uma cansativa limpeza de jardim, resolvo beber uma água tónica que estava a jazer no frigorífico há já não sei quanto tempo. Curioso, resolvo verificar a data de validade:
Não faço outra igual.
27 de abril de 2013
25 de abril de 2013
24 de abril de 2013
País alegre!
~
Com a sapiência própria da criança, ouvi hoje a melhor definição do 25 de Abril:
- Éramos um país triste e, com o 25 de Abril, ficámos um país alegre!
23 de abril de 2013
richie havens
"i didn't know what i did.
i just did it and didn't call it anything except music."
pode ter sido 'apenas' música.
mas seguramente richie havens foi das vozes mais importantes na luta pelos direitos humanos.
já aqui falamos muito sobre a importância da música de richie havens, mas todas as vezes são pouca.
agora, que não vai poder cantar mais em nossa defesa, resta o agradecimento pelo que fez e pelo que foi.
e fica uma obra imensa, mesmo que sempre ao lado do grande reconhecimento.
richie havens, freedom
22 de abril de 2013
Teimosias
Ali está, ao lado do viaduto, junto a um bairro degradado da cidade. Por perto, casas em ruinas, gente sem idade, a vaguear, inexpressiva, cães sem dono de volta dos contentores. Ali está, a lembrar-nos que, mesmo em sítios visitados pelo desalento, sobrevive a pequena nota de cor, nascida de uma árvore solitária que teima em vingar, gesto de resistência ao fumo dos carros , ao cheiro a óleo queimado que se desprende da estação ferroviária.
19 de abril de 2013
Da utilidade dos marcos de correio
Arredados, cada vez mais, do
quotidiano das gentes, levam-nos a estabelecer outras associações como, por
exemplo, a das cabines telefónicas ou a
dos telefones que, com contador, podíamos utilizar no interior de
estabelecimentos comerciais na era a.TM (antes do telemóvel).
Guardada desde uma caminhada através de Alfama, a imagem veio à lembrança a partir do post deixado pela T. As palavras
gravadas traduzem a zanga das pessoas do bairro, relativamente às interdições
de estacionamento, embora seja uma dor de cabeça trazer o carro para algumas zonas
da cidade… Quando as coisas vão perdendo a função inicial, acabam por ser
utilizadas ao sabor da criatividade. Acontece que a realidade não é só a que de
imediato apreendemos em meio urbano e, mesmo cruzando a cidade todos os dias,
reparo que, perto de casa, os moradores mais idosos recorrem à carrinha dos CTT
que, sempre à mesma hora, estaciona no largo da aldeia ou ainda deitam a
correspondência (quem sabe se para os seus mais novos a viver longe) nas caixas
de correio públicas, à porta do café ou
da mercearia.
Os marcos podem não conter – como
na canção romântica do tempo dos meus pais – tantas mensagens de teor vário. A
maior parte de quem nos escreve, fá-lo para cobrar a água, o telefone, e não
por ‘gentilezas’ várias de cariz pessoal. Quanto aos marcos de correio, que os não deixem morrer, a fim de também
servirem de interessante pretexto para dois dedos de prosa com as gerações que já trocam
mensagens em tempo real e ao alcance de uma ou várias teclas.
14 de abril de 2013
10 de abril de 2013
Bairros onde o tempo se deteve
Constitui sensação curiosa perceber que, na cidade, ainda há espaços com vida própria. Tendo de percorrer algumas ruas de S. Domingos de Benfica, olho os estabelecimentos de bairro com caixotes, à porta, a transbordarem de frutos da estação, ruas a fervilhar de vida, cafés cheios de senhoras que se enfeitam para a bica (um pouco ‘gaiteiras’- diz-me a minha filha que por lá vive- penso que se refere aos penteados armados de laca e ao bâton aplicado a preceito), moradores a passear cães de razoáveis dimensões pela trela, o que faz pensar que deverão, decerto, ser donos dedicados, que os treinam, a fim de não incomodarem o condomínio... Alguns instantâneos dão conta dos denominados bazares a exibirem, nas montras, troféus ‘kitsch’, enfeites que fazem as delícias decorativas de algumas donas de casa. Uma evasão aos dias menos sorridentes que correm – penso – pois parece que, por aqui, o tempo se deteve.
7 de abril de 2013
6 de abril de 2013
3 de abril de 2013
Amor desvairado
(Primeiro de uma série de grafittis recolhidos por aí. As mentes mais pudibundas que me perdoem. Osculo-as castamente na fronte).
31 de março de 2013
Inundações
Já estou farto destes dias intermináveis de chuva, dão cabo
do juízo a qualquer um. Mas por enquanto, apesar da neura, ainda não estou tolo
de todo.
Com os solos ensopados, com as bacias de retenção cheias,
continuando a chover desta maneira é natural e esperado que os rios saiam do
seu leito de curso normal e transbordem para os terrenos das suas margens, espaço
que é seu por natureza, o leito de cheia.
Tradicional e historicamente os habitantes não urbanos destas
áreas anseiam por estes dias. O rio cheio traz aos terrenos os detritos que o
fertilizam, transformando terrenos arenosos em áreas de boa aptidão agrícola.
Nestes dias, além da chuva, chateia-me o corrupio de repórteres as estes
locais à procura de tragédia, os quais, com um ar sério e de caso,
só encontram povoações felizes apesar de isoladas, vivendo este quotidiano que
lhes traz riqueza, com enorme normalidade.
Para inglória destes jornalistas, casas inundadas,
equipamento urbano submerso ou estradas intransitáveis só nas áreas urbanas teimosamente
ocupadas aos rios.
Foto retirada em http://assimterraceu.blogspot.pt
26 de março de 2013
Coisas de uma prima... bera
De um relance, olho os vasos da entrada, sob chuva incessante. No alpendre, acabo de ver um gato enorme, tigrado, terá entrado por alguma fenda dos muros, penso. Desafia-me, através da janela da sala, empoleirando-se num sofá. Ao fundo, as cadelas, que o pressentiram, ladram sem parar. Apontamentos de uma manhã chuvosa. Que os amores-perfeitos do jardim, à custa de tanta água, não venham a perder a perfeição inicial.
24 de março de 2013
22 de março de 2013
Óscar Lopes ou quando o silêncio grita
Morreu Óscar Lopes. Guarda-se, dos tempos de juventude, a
obra de autoria conjunta com António José Saraiva, História da Literatura Portuguesa, sempre rigorosa e um título de referência para professores e alunos de Língua e Literatura. Seria exaustiva a listagem do grande legado que ficou, correndo-se o risco de diversos lapsos. Ficará a
menção ao contributo dado às publicações Seara Nova, Vértice e Mundo Literário.
Sem tempo para ler o jornal, acabo de me deter, sem entusiasmo, no noticiário televisivo… Nem
uma palavra sobre o seu desaparecimento, quase após uma hora de emissão pouco profícua (desiste-se da espera...). Ao invés, desfilam, nos destaques, a referência ao comentador da RTP
prestes a entrar em funções (e petições pró e contra...), aos candidatos às eleições num clube de futebol, a
um cantor que comemora 50 anos de carreira (e cujo nome também terá a ver com a
dita), às discussões acesas em torno de uma moção de censura ao governo, a par de dois nomes sonantes de Holywood, hoje na invicta…
Estranhos tempos, os que vivemos. Há dias, comentava-se o facto de uma nota de
imprensa divulgada a órgãos de comunicação que, por vezes, batem à porta pedindo opiniões técnicas, ter ficado na gaveta (houve quem telefonasse no dia do evento, a demonstrar confusão de datas, embora a mensagem tivesse sido clara e enviada com a devida antecedência)… Nela se apresentava um
evento cultural com interesse para… professores. Um dos participantes, de inquestionável
currículo, ao ouvir o desabafo, afirmou «se os professores, ao invés de
discutirem questões técnicas e científicas, estivessem a experimentar, em abundância, todos os vinhos, à hora do almoço, aí, sim, teriam visibilidade». Fica-se em
silêncio, ouvindo silêncios que gritam mais do que as manchetes.
P.S: pensamentos que deveriam ficar só com a própria : será que a escolha de notícias se prende com quem tem a responsabilidade de as tornar destaque, ou com o que se interpreta como sendo o gosto dos destinatários?
Imagem: blogue «A inocência descompensada»
20 de março de 2013
O meu Pai
O meu pai não gostava nada de comemorações, nem eu gosto.
Continuo a senti-lo de mão dada passeando-me descontraidamente
ou consolando-me em algum momento mau.
Pai, sempre te achei muito especial, invulgar, isto é, muito
particular e singular, tão diferente de todos os outros. E sempre gostei muito de ti, em especial por isso.
Hoje já não se comemora o Dia do Pai, assim digo-te que te adoro e continuo a desejar a tua mão dada à minha, todos os dias, sempre.
Um beijo Pai.
A gazeta das artes
Compramos na Feira da Ladra um molho de Gazetas das Artes dos anos 60. Belíssimos artigos, informação fantástica. Um óbice porém. Estiveram guardadas numa arca num lugar muito húmido. Pacientemente, o Miguel trata-as com delicadeza e areja-as neste estendal de roupa nuns poucos momentos de sol. Eu sorrio de as ver intactas e saudáveis de novo.Porque o papel também tem vida,efémera, mas tem.
19 de março de 2013
Palavras leva-as o vento?
São estes os moinhos de vento da região (de modelo mediterrânico, diz-se). Testemunham, mesmo os que se encontram em derrocada, tempos de artes e ofícios. Vingou por mais tempo um deles, em funcionamento até há pouco, na freguesia de S. João das Lampas. As crianças visitavam-no, vendo o velho moleiro, a trabalhar para que guardassem na memória profissões de tempos distantes, para que não pensassem que a farinha ‘nascia’ em sacos, à semelhança dos que, espantados e já crescidotes observam , pela primeira vez, galinhas a debicar a terra ou maçãs a pender das árvores não conseguindo, de imediato, estabelecer associação com o que figura nas secções dos supermercados. Não se pense que, com saudosismo, se lamenta ver hoje as velas, despidas dos panos que as revestiam. Fica-se a imaginar moleiros fazendo deles casa e local de trabalho, à semelhança – estes em maior isolamento – dos faroleiros. O risco reside, sim, no facto de poderem vir a cair no esquecimento. Vem a reflexão a propósito do 80.º aniversário que hoje completa o escritor Philip Roth e da sua afirmação do dia, no suplemento do jornal Le Monde “posso prever que dentro de trinta anos, ou mesmo mais cedo, haverá nos Estados Unidos tantos leitores de verdadeira literatura, como há hoje leitores de poemas em latim”.
17 de março de 2013
Legados familiares ou memórias a preto e branco
13 de março de 2013
o espírito dos dias que correm
cada vez mais esta é a sensação:
muitos a espreitar o banquete de poucos
(quadro de guilherme filipe, no restaurante o pascoal, em fajão)
muitos a espreitar o banquete de poucos
(quadro de guilherme filipe, no restaurante o pascoal, em fajão)
diálogo lisboeta
este sábado, num talho da morais soares, mãe e filha estão ao balcão a ser atendidas.
diz a filha ao olhar para o talhante a cortar uns bifes:
-ò mãe, não gostava nada de ser vaca..
responde a avisada e experiente mãe:
- eu não gostava era de ser boi.
eu trouxe hamburgers de cavalo, não fosse o diabo tecê-las...
diz a filha ao olhar para o talhante a cortar uns bifes:
-ò mãe, não gostava nada de ser vaca..
responde a avisada e experiente mãe:
- eu não gostava era de ser boi.
eu trouxe hamburgers de cavalo, não fosse o diabo tecê-las...
dúvidas que me assaltam
neste momento em quais serão os parâmetros em que baseiam 115 gajos fechados numa sala a tentar saber qual é o mais papável de entre eles?
... sendo que papáveis são quase todos.
há uns que, pela idade, o decoro manda que já não sejam papáveis mas apenas que se sirvam da sua experiência de papáveis para descobrir o mais papável dos papáveis.
e será que, como diz a lenda urbana, também usam as calças no fundo das nádegas para indicar que são papáveis?
ou será um qualquer outro sinal?
tipo um saiote de rendas....
Vivo de boa sopa, não da linguagem *
… ou como tudo muda, de modo vertiginoso, até a língua
(leia-se, idioma) fica entaramelada… Conclui-se que, das duas uma – de acordo
com o lugar-comum, «a língua portuguesa é muito traiçoeira», ou o vinho caseiro
produzido pelas redondezas, continua a exceder a graduação definida por lei
(diz-se que ronda os 15 graus com consequências notórias).
* Frase de Molière
4 de março de 2013
Rainy day
fotografia: Jim Hubbard
Como uma segunda-feira de chuva se pode converter em algo de reconfortante, quando se decide madrugar, para mais cedo poder chegar a casa… porque se tem casa pois, no caminho para o trabalho, faz parte da paisagem uma multidão de imigrantes clandestinos, a viverem na mendicidade. Já foram alvo de diversas reportagens e “moram” sob um dos viadutos por onde se passa ao longo da semana… assume-se, em público, nem sempre se saber a resposta para situações específicas, como esta, a preencherem o quotidiano . Explicação para isso? Desconhecimento reconhecido com humildade no tocante a diversas formas de sobrevivência.
Rainy day, John Lee Hooker
28 de fevereiro de 2013
As florinhas
Estou na esplanada a bebericar uma meia de leite e a atacar uma bonita e imensa tosta. Reparo nos passantes, ouço as conversas, algumas azedas, outras simpáticas e vou pensando no que tenho a pensar.
Vejo entrar um casal e uma (suponho eu) empregada, ajoujados de malas e com um vasto ramo de mimosas(?), para o prédio ao lado. No meio da confusão, solta-se um pequenino galho e fica ali abandonado na calçada.. Quando me levanto, pego nele com reverência, e arranjo-lhe lugar em casa junto à fotografia da minha mãe. Nunca fui de homenagens fúnebres, ela sabia, mas sei também que ela gostaria de estar acompanhada com flores. E é isto.
27 de fevereiro de 2013
Tudo pela língua materna
... e antes de regressar à vida real, um apontamento desta manhã. Num estabelecimento das imediações, discutia-se o nome deste «peixinho». Como sabem que aqui a vizinha dá aulas, consultaram-na para servir de desempate na divergência. Houve até alguém que, não duvidando do pessoal esclarecimento, a custo zero e sem número de contribuinte apenso, (tudo pela língua materna), referiu o facto de, nos mercados e peixarias circundantes, ser deturpado o nome desta iguaria dos mares. A questão prendia-se com a letra inicial. Acrescentei que estar escrito de determinada forma, não atestava sobre a idoneidade da ortografia, basta olhar-se para as ementas de restaurantes, para referir um exemplo (conheço quem, por deformação profissional, as corrija a tinta vermelha).
Imagem: soemilheus.blogspot
26 de fevereiro de 2013
24 de fevereiro de 2013
And the oscar goes to...

Um investigador fez uma previsão surpreendente para as últimas presidenciais nos Estados Unidos. Para tal, recorreu a algoritmos. Desta feita, aplicou a técnica à atribuição dos Óscares. São as seguintes as previsões, de acordo com a técnica: «Argo», melhor filme, Spielberg, melhor realizador , Daniel Day-Lewis, premiado pelo desempenho no papel do presidente que pôs fim à escravatura, Jenifer Lawrence, galardoada pelo desempenho em «Hapiness Therapy». A previsão é assinada por três organismos especializados neste tipo de análise alicerçada numa pesquisa atenta em fóruns e redes sociais. Recorrendo a um considerável número de artigos, críticas e prognósticos e utilizando um potente algoritmo, os três analistas mediram, ao longo das últimas semanas, a expressividade de cada nomeado. Os resultados apurados revelaram ligeiras diferenças, mas os favoritos destacaram-se em todos os estudos: Daniel Day-Lewis, Cristoph Waltz ou Tommy Lee Jones deveriam receber o prémio pelo melhor desempenho secundário. Anne Hattaway, a distinção para o melhor papel secundário feminino e «Amor», de Michael Haneke, deveria receber Óscar para o melhor filme estrangeiro. Fica a referência, a fim de se poder aferir o rigor do método utilizado.
(fonte: L’internaute magazine)
23 de fevereiro de 2013
«Se por acaso me olhas, tenho vergonha da vida»*
Não muito dada a doces (nem aos que atraem a maioria), existe um, irresistível, as orangettes, cascas de laranja cristalizada, envoltas em chocolate amargo. Trabalho deste sábado terminado descobre-se, por acaso, um local onde as vendem, de fabrico artesanal. Pequeno capricho de fim de semana : trazer, para casa, um pacotinho, com o confessado «péché mignon»... Tendo acabado de espreitar o The Guardian, ressalta a imagem captada num país africano no qual, através de um programa internacional de combate à fome, se procede, com regularidade, à distribuição de porquinhos da índia para sobrevivência das populações. Preenchem, de modo súbito, o pensamento, os versos finais de um despretensioso poema de Matilde Rosa Araújo por aqui deixado, em tempos: «diz que perdoas meu fato/junto de teu abandono/moço de fato macaco/que varres folhas de Outono». Nenhuma imagem para o apontamento presente (a das orangettes, por surgir como ostensivo despropósito, a do jornal britânico, por motivos pessoais que não vêm ao caso).
*versos do poema de Matilde Rosa Araújo citado no texto
*versos do poema de Matilde Rosa Araújo citado no texto
22 de fevereiro de 2013
A modernidade
Estou a levantar dinheiro, entre chuva, e pressinto um táxi.Agito-me e o senhor pára.
Diz-me ele, ar afável e simpático: Não sei se esta modernidade dos computadores e essas tretas tais não nos estragam o carácter de vida. Tal e qual. E prolongou o raciocínio: Esta pressa faz-nos mal, não saboreamos devagar as coisas boas. Não vivemos em tempos fáceis, digo eu. Nunca ninguém viveu, diz ele. E tem razão. Hoje é sexta-feira. Dia de ir ter com o Miguel e sentir-me de novo completa. Sem pressas, prometo.
Diz-me ele, ar afável e simpático: Não sei se esta modernidade dos computadores e essas tretas tais não nos estragam o carácter de vida. Tal e qual. E prolongou o raciocínio: Esta pressa faz-nos mal, não saboreamos devagar as coisas boas. Não vivemos em tempos fáceis, digo eu. Nunca ninguém viveu, diz ele. E tem razão. Hoje é sexta-feira. Dia de ir ter com o Miguel e sentir-me de novo completa. Sem pressas, prometo.
20 de fevereiro de 2013
a parede ao fundo do túnel
é sabido que estamos governados por um bando de ineptos e incompetentes.
mas o mais grave é que a sua ignorância não os deixa perceber quão estúpidos são.
a constante inépcia para compreender a crise e a forma de a ultrapassar bem como a incapacidade de reconhecimento dos erros cometidos é alarmante.
são ignorantes e fanaticamente convictos como todos os ignorantes.
cada medida que tomam torna a economia pior a a vida dos portugueses mais miserável.
é como se andassem na demanda do graal da incompetência.
e, ao sinal de falharem todas as previsões sobre o crescimento económico ou o desemprego, não dizem que vão corrigir as políticas:
aquela besta ignorante que teoricamente comenda as outras bestas, diz que vai corrigir... as previsões.
alguém escrevia a semana passada no 'publico', ´não há luz, só túnel'
os portugueses cada dia têm mais a certeza que ao fim do túnel está uma grossa parede que, ou a derrubamos juntamente com o governo, ou morremos esmagados nela.
depende de nos não lhes dar descanso.
mas o mais grave é que a sua ignorância não os deixa perceber quão estúpidos são.
a constante inépcia para compreender a crise e a forma de a ultrapassar bem como a incapacidade de reconhecimento dos erros cometidos é alarmante.
são ignorantes e fanaticamente convictos como todos os ignorantes.
cada medida que tomam torna a economia pior a a vida dos portugueses mais miserável.
é como se andassem na demanda do graal da incompetência.
e, ao sinal de falharem todas as previsões sobre o crescimento económico ou o desemprego, não dizem que vão corrigir as políticas:
aquela besta ignorante que teoricamente comenda as outras bestas, diz que vai corrigir... as previsões.
alguém escrevia a semana passada no 'publico', ´não há luz, só túnel'
os portugueses cada dia têm mais a certeza que ao fim do túnel está uma grossa parede que, ou a derrubamos juntamente com o governo, ou morremos esmagados nela.
depende de nos não lhes dar descanso.
13 de fevereiro de 2013
«Radio days»
Imagem: ricksantiqueradios
Na data de hoje viaja-se no tempo , reavivando memórias trazidas por um amigo dos meus avós. Contou-nos, na infância, sobre a festa em Lisboa, na data em que foi transmitida, em público, a primeira emissão no Rossio, a praça enfeitada de inúmeras bandeiras, povoada por uma multidão entusiasmada. Os transportes despejavam centenas de ouvintes incrédulos, que se acumulavam aos milhares. Narrou a efeméride com o tal «brilhozinho nos olhos», o Victor Hugo, que nos cantava árias de ópera, quando aparecia lá por casa, a dedicar boa parte do seu tempo de homem idoso, com uma cultura invejável, a atrair a nossa atenção - a minha e a dos meus irmãos - na entrega dedicada às coisas que o apaixonavam. Considerávamo-lo algo excêntrico e detentor de uma personalidade cativante.
Não sei há quanto tempo se deu a efeméride, mas relembrei-a quando, há alguns anos, vi «Radio Days», de Woody Allen. É nestas lembranças que se vê utilidade na existência de datas rotuladas, por nos trazerem memórias de pessoas e de acontecimentos.
Um trecho da banda sonora do filme de Woody Allen aqui.
12 de fevereiro de 2013
Preceito
Foi a vontade de cheirar as lojas de comércio tradicional que nos levou na segunda-feira à baixa. E logo nos deu a inspiração de ir à Pollux, onde há anos não íamos. Corremos andar a andar, num armazém muito vazio, excepto na zona de plásticos, sacos e revestimentos. Quase que uma sensação estranha de ver os tão poucos empregados, com tanta vontade de vender, numa imensa maioria de artigos pouco adequados ou caros. Um último andar com um café situado num local fabuloso de vista larga e soalheira, mas quase estragado pelos artefactos de flores artificiais em abundância. De novo a simpatia da empregada, sem subserviência mas eficiente. E à saída, não resisti a comprar chávenas de café e frascos de vidro para especiarias. Deslumbrei-me a olhar para o preceito com que foram embrulhadas e conferidas. Pena terem substítuido o cordel por fita-cola. Quase que apetece desejar uma melhor gestão para a Pollux, adequada ao tão bonito edifício, completamente descaracterizado e aos funcionários empenhados e profissionais. Enquanto não se investir seriamente na qualidade e oferta, não teremos muita hipótese de ver o comércio florescer.
Mas, tendo em conta tudo isto, vão à Pollux e experimentem esta viagem ao como era. Porque quisemos ir ao Brás e Brás e estava encerrado. Funciona agora no Poço de Borratém dizia um cartaz. É a vida. Por isso mesmo, vão à Pollux. E comprem qualquer coisinha.
Parabéns!
Os aniversários dos amigos servem de pretexto para lhes darmos mimos. Parabéns querido Azinho, ABS, Armando. Que tenhas um dia muito feliz. Beijinhos aqui da Alameda:)
7 de fevereiro de 2013
A Singer
Adília de seu nome escolhido por ser o da madrinha lá na
aldeia do sul de onde veio casada e com um rancho de filhos, para os subúrbios
da capital, à procura de sustento.
A casa escura, o pingo na torneira , alumínios a arear
enquanto os miúdos comem o caldo de hortaliças, ainda o sol não desapareceu, a
escola fica longe e o dia começa ainda escuro.
Roupa esfregada, cada sábado de manhã, no tanque do pátio ,
batas brancas obrigatórias na escola de finais de quarenta, cada filho só com
um destes tapa- misérias de cor branca – faz-se questão no asseio – a ter de estar
seco e engomado , cada segunda-feira.
Dia de aniversário (tinha-o esquecido), chega a inesperada oferta do seu homem, uma
Singer, nunca havia recebido, nem nos natais da infância, um embrulho que
fosse, nem de papel pardo e cordel. Na vizinhança desses tempos outras chaminés
havia, com bonecos de pasta de cartão, soldadinhos
de chumbo, dentro de cada sapato . O filho do presidente da junta chegou a
receber um boneco de corda que tocava tambor e acabou por paralisar no dia
seguinte, à custa de tanta azáfama de percussionista, com toda a criançada a
rodar o mecanismo.
A Singer ocupou lugares de honra a um canto da entrada estreita,
com direito a cobertura chita colorida, para não entrar o pó, almotolia ao lado, utilizada para contrariar
os danos de uma casa fria e húmida. Iria dedicar-se a fazer o vestuário das
vizinhas e contribuir com uma pequena abastança, a família passaria a vestir-se
melhor, com as artes de costura e os retalhos da retrosaria do bairro.
Praticar solidariedade
Agradecendo a todos os que já contribuiram para a inciativa de que vos falei há dias. No entanto e infelizmente o afluxo das famílias que procuram ajuda é grande e cada vez é mais necessária a nossa solidariedade. Para crianças, adultos e idosos. E relembro mais uma vez:
" A Isabel trabalha a dar apoio a famílias em risco na zona de Lisboa. Um destes projectos é uma "lojinha" que oferece roupa, brinquedos e outros bens às famílias que deles necessitem.
O espaço é simpático e pretende desdramatizar e dar dignidade a um momento difícil pelos que está a passar muita gente. Contou-me ela que se esvazia continuamente, tal o afluxo de pessoas.
Portanto, se tiverem roupa de qualquer tipo. brinquedos, coisas de casa, que já não vos são úteis mas que podem ajudar alguém, contactem-me pelo canjinha@gmail.com ou o telefone 213240520
Caso necessário eles vão buscar"
Foto de Ferdinando Scianna, Magnum
6 de fevereiro de 2013
afinal o tgv agora é bom
a maior bandeira dos actuais governantes para identificar os maus investimentos, desperdícios, loucuras, megalomanias e desfazamento da realidade do anterior governo, foi o tgv.
mesmo tendo sido uma obra que começou com um governo do seu partido, trataram de camuflar essa facto ao estilo da foto do funeral de mao tsé tung com o desaparecimento do 'bando dos 4'.
aquilo nunca existiu e eles não estiveram lá (lá, entenda-se no lançamento do tgv)
hoje apareceu a notícia que o governo, de um modo aparentemente secreto assinou, através da parpública, um contrato de financiamento com um consórcio de bancos composto pelo santander, bcp, bes e caixa, no valor de 600 milhões de euros (exactamente o mesmo valor que estava no concurso ganho pelo consórcio que ganhou o concurso para o troço poceirão caia feito no anterior governo).
não foi preciso muito tempo para que aquilo que era uma loucura, agora seja um projecto louvável; aquilo que era um investimento louco em época de crise, agora seja o investimento certo em época de crise.
não foi preciso muito tempo para este governo entender que o projecto é estruturante e precisava mesmo de ser realizado.
pelo meio já se perdeu tempo e dinheiro e os outros países mesmo em crise avançaram com aquilo que era realmente importante e não megalómano.
mas nós gostamos mesmo é de discutir o acessório.
nisso somos espectaculares.
p.s. se o contrato foi assinado a 22 de janeiro, porquê o segredo?
mesmo tendo sido uma obra que começou com um governo do seu partido, trataram de camuflar essa facto ao estilo da foto do funeral de mao tsé tung com o desaparecimento do 'bando dos 4'.
aquilo nunca existiu e eles não estiveram lá (lá, entenda-se no lançamento do tgv)
hoje apareceu a notícia que o governo, de um modo aparentemente secreto assinou, através da parpública, um contrato de financiamento com um consórcio de bancos composto pelo santander, bcp, bes e caixa, no valor de 600 milhões de euros (exactamente o mesmo valor que estava no concurso ganho pelo consórcio que ganhou o concurso para o troço poceirão caia feito no anterior governo).
não foi preciso muito tempo para que aquilo que era uma loucura, agora seja um projecto louvável; aquilo que era um investimento louco em época de crise, agora seja o investimento certo em época de crise.
não foi preciso muito tempo para este governo entender que o projecto é estruturante e precisava mesmo de ser realizado.
pelo meio já se perdeu tempo e dinheiro e os outros países mesmo em crise avançaram com aquilo que era realmente importante e não megalómano.
mas nós gostamos mesmo é de discutir o acessório.
nisso somos espectaculares.
p.s. se o contrato foi assinado a 22 de janeiro, porquê o segredo?
5 de fevereiro de 2013
a importância dos curricula
de acordo com o nosso primeiro ministro, os curricula servem para descrevermos aquela parte do nosso passado e experiência profissional que é desconhecido da generalidade das pessoas, e daquelas para quem pretendemos trabalhar.
para explicar o inexplicável, passos coelho justifica a omissão no curriculum de franquelim alves a sua passagem pela sociedade lusa de negócios, apenas porque já toda a gente sabia e não valia a pena falar disso.
imagina-se que toda a restante carreira de franquelim alves foi inútil (incluindo a sua passagem pelo mrpp, sim foi meu camarada um curto período de tempo, pela editora vento leste, pela revista o tempo e o modo e pela chefia da redação do luta popular, já no começo dos anos 80, igualmente omissas porque são obviamente do conhecimento geral da população portuguesa), já que ninguém delas soube, pelo que precisam se ser incluídas nesta nova versão dos curricula para as actividades desconhecidas e outras actividades menos notórias
o primeiro ministro entrou naquilo a que podemos chamar uma espiral recessiva de vergonha e respeito pela verdade.
não será mentira compulsiva.
mesmo sendo as pulsões são a única coisa que o parecem guiar, a mentira parece ser mais uma obra do acaso de uma mente erraticamente perdida.
é mais um padrão.
nem uma única decisão tomada com o discernimento que uma atitude séria e ponderada deve ter.
e porque o passado profissional do franquelim alves merecia melhor tratamento, ele devia ter sido poupado a este vexame público.
mas o próprio parece querer também colocar-se a jeito.
para explicar o inexplicável, passos coelho justifica a omissão no curriculum de franquelim alves a sua passagem pela sociedade lusa de negócios, apenas porque já toda a gente sabia e não valia a pena falar disso.
imagina-se que toda a restante carreira de franquelim alves foi inútil (incluindo a sua passagem pelo mrpp, sim foi meu camarada um curto período de tempo, pela editora vento leste, pela revista o tempo e o modo e pela chefia da redação do luta popular, já no começo dos anos 80, igualmente omissas porque são obviamente do conhecimento geral da população portuguesa), já que ninguém delas soube, pelo que precisam se ser incluídas nesta nova versão dos curricula para as actividades desconhecidas e outras actividades menos notórias
o primeiro ministro entrou naquilo a que podemos chamar uma espiral recessiva de vergonha e respeito pela verdade.
não será mentira compulsiva.
mesmo sendo as pulsões são a única coisa que o parecem guiar, a mentira parece ser mais uma obra do acaso de uma mente erraticamente perdida.
é mais um padrão.
nem uma única decisão tomada com o discernimento que uma atitude séria e ponderada deve ter.
e porque o passado profissional do franquelim alves merecia melhor tratamento, ele devia ter sido poupado a este vexame público.
mas o próprio parece querer também colocar-se a jeito.
3 de fevereiro de 2013
Django Unchained
Gostar de Tarantino sem acanhamento ou preconceito, encontra explicação na impressão digital deixada pelo realizador, na aparente simplicidade da dicotomia bons/maus; preconceituosos/mentes livres, requintados/boçais…Perpassa uma violência não gratuita, a conduzir os destinatários das imagens (dois momentos do filme levam a desviar o olhar, mas só esses). Sente-se ainda o gozo – para o realizador e alguns destinatários cúmplices – da escolha da banda sonora que, em alguns pontos, quase nos transporta a momentos altos da nossa autónoma (a outra pertence a um departamento bem menos empolgante) educação musical, apetecendo pedir: «interrompa-se o filme, vamos passar, por momentos, a ver e ouvir Richie Havens em “Freedom”... para não mencionar Johnny Cash... "there ain't no grave..."». Um filme extenso? Não se dá pelo correr do tempo…
Fica-se a rir por dentro, sabendo que – vide a última grande digressão americana dos clássicos Crosby, Stills, Nash & Young e o modo como foram recebidos em Atlanta - a película será mais uma pedra bem colocada em alguns sapatos.
(opção para não traduzir o título do filme: «unchained» não equivale, na totalidade, a «libertado»)
Django Unchained(opção para não traduzir o título do filme: «unchained» não equivale, na totalidade, a «libertado»)
Foto: blog soinlovewiththemovies
2 de fevereiro de 2013
Em busca da "leveza" de Italo Calvino
Um instantâneo do primata em cativeiro e disparam
pensamentos desordenados: a associação a um filme
baseado numa estudiosa da espécie; o facto de estes animais terem um regime
alimentar na quase totalidade vegetariano; discussões e teorias de ciência vs
religião… a lista começa a levar ao bocejo, servindo de pretexto para fugir a
uma escrita com data marcada, que se pretende rigorosa e parte da articulação de
características defendidas por Italo Calvino em Seis propostas para o próximo milénio, conferência pouco anterior à
sua morte. Desafia-nos o escritor com as seguintes características: leveza, rapidez,
exatidão, visibilidade, multiplicidade e consistência.
O dia afigura-se pouco convidativo a sair de casa, mas é
grande a tentação da leveza, destacada por Calvino enquanto olhar atento, a
abarcar ângulos diversos, em recusa à visão óbvia (o peso) das coisas, vulgarmente designada por ideias feitas. Torna-se aliciante
a proposta de se resistir ao peso, contrapondo-lhe subtilezas. O que terá isto
a ver com gorilas? – pensa-se … é que
estes animais são livres (não o da foto, que o será de modo relativo...) e – por contraditório
que se possa afigurar – movem-se com a agilidade (no caso próprio desejar-se-ia
a mental) que, quanto mais premente se torna, mais esquiva se revela…
1 de fevereiro de 2013
Bilhetinhos deixados em casa
Confesso que fico de lagrimita ao canto do olho, quando encontro estes bilhetinhos que me deixa a minha sobrinha-neta Maria:)
paco ibanez e sasha waltz na gulbenkian
não juntos!!
mas ainda assim, os dois.
este domingo, paco ibanez vai à gulbenkian cantar os poetas da américa latina.
de nicolás guillen, césar vallejo, pablo neruda.
a lotação está esgotada e não me vai ser possível rever um dos maiores cantores da lingua castelhana.
relembro uma noite mágica no largo central do seixal em que paco ibanez mostrou como continua a ser uma voz cada vez mais necessária.
no domingo seguinte, dia 10, é a vez da companhia de sasha waltz regressar a portugal.
já aqui falei dela a propósito do deslumbrante 'dido and aeneas'.
desta dez, a sua proposta é, com mark andre, realizarem um concerto coreográfico (gefaltet) onde exploram os sons e os silêncios na música de mozart e do próprio mark andre.
o resultado só pode ser algo a absolutamente não perder!!!
mas ainda assim, os dois.
este domingo, paco ibanez vai à gulbenkian cantar os poetas da américa latina.
de nicolás guillen, césar vallejo, pablo neruda.
a lotação está esgotada e não me vai ser possível rever um dos maiores cantores da lingua castelhana.
relembro uma noite mágica no largo central do seixal em que paco ibanez mostrou como continua a ser uma voz cada vez mais necessária.
no domingo seguinte, dia 10, é a vez da companhia de sasha waltz regressar a portugal.
já aqui falei dela a propósito do deslumbrante 'dido and aeneas'.
desta dez, a sua proposta é, com mark andre, realizarem um concerto coreográfico (gefaltet) onde exploram os sons e os silêncios na música de mozart e do próprio mark andre.
o resultado só pode ser algo a absolutamente não perder!!!
paco ibanez, andaluces de jaen
sasha waltz, mark andre, gefaltet
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Fotografia de José Marques, 














