Estes dias evocativos trazem-me sempre à tona muita lembrança e saudade. Por isso comecei o dia a jardinar com energia e não pensei em mais nada senão no que tinha a fazer. Quando procurei uma foto da minha mãe para digitalizar, encontrei esta minha, aos 6 anos, no jardim da Póvoa de Varzim. Esta casa já não existe, mas engraçado como guardo as memórias deste espaço, do cheiro das rosas e as cores vivas dos craveiros e das lantanas. Guardo também a lembrança da presença da minha avó e dos seus calmos conselhos.
6 de maio de 2012
Mãe
Hoje abriu-se a moldura, há tanto tempo fechada, para eu digitalizar a imagem. Não resisto a retribuir o sorriso a uma Zé tão jovem e feliz. Nela reconheço as feições das mulheres da minha família. Nela reconheço o amor que a minha mãe soube sempre distribuir à sua volta. Um beijo e muita saudade
5 de maio de 2012
As Marias de Portugal
Descobri hoje por acaso, na Feira da Ladra, esta pequena caderneta de colagens sobre " As Marias de Portugal", Os desenhadores das Marias são, entre outros, Roberto Nobre, Raquel Roque Gameiro e este meu favorito, que vos apresento de novo, eis Bernardo Marques. Desconheço quem seriam os autores das quadras. Penso que este seria um concurso, que terá decorrido nos anos 30. A feliz possuidora desta caderneta era Mariana Nogueira e Silva, moradora na Rua António Pedro, nº 48, 4º direito, Lisboa.
Maria dos Anjos
Somos seres imperfeitos,
Indignos de acompanhar-te,
Pois de barro somos feitos,
Que facilmente se parte.
Por isso linda Maria,
O teu padrinho e teus pais,
Te deram por companhia,
Criaturas imortais.
Maria dos Anjos
Somos seres imperfeitos,
Indignos de acompanhar-te,
Pois de barro somos feitos,
Que facilmente se parte.
Por isso linda Maria,
O teu padrinho e teus pais,
Te deram por companhia,
Criaturas imortais.
Bounty
Mais uma ida à Feira da Ladra, não encontrei o Carlos Caria mas sim mais Illustrated na Loja do Manequim à Porta ao Mercado de Santa Clara. Cheia de material interessante para coleccionadores e voyeurs adeptos do vintage.
Bounty Chocolate Advert, London, 1950s, Illustrated, 1956
A loja de sementes
Ontem lá fui eu a deslizar pela Baixa para comprar sementes de Estrela do Egipto para a mãe do Miguel. Ia deliciada com o passeio e satisfeita por, tendo telefonado previamente para a Martins&Rebelo na Praça da Figueira, ter já a certeza que as ia encontrar lá. Sou de evidências que se conjugam com boas memórias desta linda loja que continua a prestar um bom serviço a quem adora jardins e hortas.
4 de maio de 2012
Sacos
Dois saquinhos de livros velhos comprados na Feira do Livro, no passado sábado. Num deles, 14 números da bela revista editada por José Cardoso Pires e Sebastião Rodrigues, Almanaque (1959-61).
3 de maio de 2012
Aconteceu em 1977...

Um instantâneo captado à porta de um supermercado de Lisboa. Identifiquei-o de imediato, por recordar este local onde acompanhava a minha mãe às compras. Memórias de um ano em que houve racionamento de bens como o leite e o fiel amigo, o que explica a imagem. Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa via «A educação do meu umbigo».
2 de maio de 2012
Fruit Gums
Quase que sinto o açúcar a desfazer-se na boca. Adoro gomas:) Não conhecia os Fruit Gums da Rowntree´s, fiquei a saber que era uma marca tradicional inglesa comprada pela Nestlé no final dos anos 80.Uma pequena peça de colecção este anúncio.
1 de maio de 2012
29 de abril de 2012
A livraria Barateira
Percorro a Feira do Livro, vou de sacos cheios e ouço a novidade. Sabes que a Barateira Fechou?
Desde os meus 18 anos que estava habituada a ir lá, à cata de novidades a bons preços.
Pelos vistos fecharam-na a mando do tribunal para criar uma garagem. Pergunto, porque é que ninguém fala disto?
Desde os meus 18 anos que estava habituada a ir lá, à cata de novidades a bons preços.
Pelos vistos fecharam-na a mando do tribunal para criar uma garagem. Pergunto, porque é que ninguém fala disto?
Um português na Suíça - impressões de viagem
Há cerca de vinte anos viajei pela Suíça. Passando por uma cidade onde viviam amigos dos tempos de liceu, decidi visitá-los. Soube que uma delas, a poucas semanas de dar à luz gémeos, se encontrava internada numa pequena unidade hospitalar. Perguntei então o porquê da medida. Informaram-me que era unicamente para prevenir complicações – um parto gemelar era considerado como uma situação a necessitar de um especial acompanhamento. Fui visitar a S, ao quarto de hospital. No local, o chão parecia um espelho. Encontrei-a saturada por se encontrar há algumas semanas confinada ao espaço. Confidenciou-me que (na idade que tínhamos então, a criatividade era imparável), cansada da imobilidade, se tinha queixado de uma sensação num dente, a sonhar que a deixariam percorrer os corredores. Qual não foi o seu espanto, quando o médico dentista, com equipamento móvel, se deslocou ao leito hospitalar para que ela não fizesse movimentos. Também soube que os serviços municipais lhe estavam a tratar de uma casa maior: um agregado que passa de dois a quatro elementos, não pode ocupar a mesma área de habitação. Como curiosidade, deixo as impressões de viagem de um lisboeta de passagem por este país na década de 50, com o título «Os homens discretos»:
É talvez devido a esse órgão novo, o civismo, que os suíços são os homens mais discretos do Mundo. Temem perturbar ou ofender a intimidade dos outros. Por isso, quando entramos num lugar público, impressiona-nos imediatamente o silêncio extraordinário que ali reina. Todos falam em segredo ou estão calados. Movem-se lentamente. Não gesticulam. Que contraste com os nossos cafés ou as nossas casas de chá! O mesmo se passa com o vestuário, sempre discreto, sempre sem obedecer demasiadamente às modas de cores vivas ou de talhes extravagantes. Cada um quer passar o mais despercebido possível. Nunca chegámos a perceber se tudo isto é feito com esforço, numa auto-repressão constante, se, pelo contrário, é feito naturalmente…
«Um Lisboeta na Suíça», O Século Ilustrado, 2 de Março de 1957 Imagem: switcardcow.com
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