10 de março de 2012

9 de março de 2012

«A» de aqueduto

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A sua visão, em manhã de sol, faz pensar como foi precipitada a ideia de que, sem a memória das pedras erigidas de acordo com cuidadosos planos, não existiria História. A juventude traz-nos certezas (próprias da idade) inabaláveis.
Sem dúvida que nas construções revivemos, de modo pessoal, épocas diversas. Acontece que a constatação não exclui o facto de, tanto o património natural como modos organizacionais de vida cujas origens se perdem no tempo, trazem aprendizagens  talvez ainda mais importantes, para quem alicerçou (pré) conceitos no velho continente.

(dando início a uma postagem por ordem alfabética)

6 de março de 2012

Dois nomes, uma imagem, uma pequena pista

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Aqui representados na juventude e, decerto, fáceis de identificar.

Como auxiliar (a 50%), fica por aqui a modos que uma pista .

4 de março de 2012

Gatos

Feras sonolentas, fotografia de Miguel Gil. O banco improvisado é uma base de guarda-fato encontrada no lixo e almofadas compradas em saldo na Ikea.

2 de março de 2012

Ociosidade

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Não sei se o grande romancista estaria certo, mas fica o desafio: em que local se encontra o azulejo?

29 de fevereiro de 2012

Poema para Galileu

A 29 de fevereiro de 1632, Galileu Galilei publica, em Florença, o Diálogo sobre os dois grandes sistemas do mundo. Dele fazem parte três participantes: o primeiro defende o heliocentrismo, o segundo o geocentrismo e o terceiro não toma partido. No ano seguinte, o processo de Galileu terá lugar perante a Inquisição, e o sábio será obrigado a retractar-se, sob pena de ser queimado. A condenação acabará por convencer Descartes a esperar algum tempo, antes da publicação do seu Tratado do mundo e da luz (1664) no qual defende opinião idêntica.

Poema para Galileu

28 de fevereiro de 2012

Lembrete

Em jeito de recado, informo que ando aqui a executar pequenos ajustes no template do blog, se notarem anomalias não estranhem e não se formalizem por eventuais omissões. Aproveito e transcrevo esta excelente sugestão da nossa Luísa, sobre um blogue a visitar.
"No jornal desta semana encontrei um artigo muito interessante que me levou a um blog genial e me fez pensar no Dias e em si. Acho que vai gostar, pelo 'vintage' e pelo 'humor'...
http://bad-postcards.tumblr.com/ "

Divirtam-se:)

Espírito empreendedor...

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Ao longo da semana, os carros no parque de estacionamento pago por avença pelos utentes do comboio suburbano, são brindados com folhetos diversificados (e repetidos ): prometem-nos um sorriso de artista em Cannes, compram-nos alguma pulseira ou fio de ouro legado pelos antepassados (pensa-se em trasações sérias) , oferecem-se para ficar com carros mais antigos, mesmo com mossas, cortam-nos o cabelo a preço imbatível, e até nos curam maleitas de corpo e de espírito…
Sabemos que as coisas não estão fáceis, até há quem confidencie que – em nome de dos últimos resquícios de sanidade mental - já tenha deixado de assistir aos noticiários, sobretudo quando, em diferentes canais, surgem credenciados economistas com opiniões antagónicas e igualmente seguros das afirmações proferidas , o que faz andar à roda qualquer cabeça outrora bem assente sobre a cervical, sobretudo após se ter de de tomar decisões complicadas, e viajar em transportes públicos mais cheios do que um ovo, não por defesa ferrenha do ambiente, mas para não ver os «aéreos» a fazerem jus à designação, tarefa ciclópica neste admirável mundo novo.
A moda do século parece centrar-se no apelo ao espírito empreendedor. Olhando um dos últimos folhetos deixados no pára-brisas, fica-se a pensar «é a vidinha… mas não será que o ímpeto de sobrevivência começa a raiar o surrealismo?».

Circumlóquios

Sorrir com as graças do Almanaque Bertrand de 1911. Faz bem à alma:)

25 de fevereiro de 2012

De Cesário a Cesariny

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(tela: David Hockney)

Lembrar Cesário na data do seu nascimento, é igualmente lembrar os que lhe prestaram homenagem. Poeta das cidades movimentadas foi ainda , na esteira de jograis e trovadores perdida nas origens, observador da beleza humana realçada por cenário campestre. Na fuga à tentação de não repetir por aqui o seu poema «De tarde» deixa-se um outro, mais recente, o olhar de outro sujeito poético de nome algo parecido com o do homenageado. Até na vida prática, Cesário viu «mais além», tendo sido um precursor na apresentação das peças de fruta que seu pai comercializava: o poeta lembrou-se de as limpar e polir com óleo , peça a peça, a fim de as tornar mais apelativas aos compradores, colocando a estética ao serviço do pragmatismo.

homenagem a cesário verde

Aos pés do burro que olhava para o mar
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um último cigarro
um feijão branco em sangue e rolas cozidas

Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!

Mário Cesariny

uma questão de fé



a senhora assunção cristas, ministra do etc, tem fé que chova.
podia ter outras coisas, como um plano para a agricultura, para as pescas, para o ambiente ou para o ordenamento do território, mas não tem.
afinal não se pode ter tudo.
mas a senhora tem fé.
que chova.
não sei se tem outras fezadas, mas já tem conversa para a próxima vez que estiver a falar com aquele amigo imaginário a que recorre para evitar pensar que está a falar sozinha e a olhar no vazio.
afinal a fé move montanhas, especialmente se tivermos umas retroescavadoras ou uns tubos de dinamite.
ontem, pelos caminhos de massamá, tropecei num carro carregado de fé.
fé do melhor calibre: ao benfica e à senhora de fátima.
só falta uma imagem do deusébio no altar. o resto está lá tudo.
hoje um matutino publicava na primeira página que jesus tem fé em javi
e desta matéria que somos feitos.
o que é uma conclusão muito triste...

Como numa orquestra sem dissonâncias

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A infância é um lugar revisitado. Em busca da idade da inocência, em fotografias a preto e branco, as marcas do passado enquanto convite à divagação - o fotógrafo captava os fotografados com o rigor de um maestro em regência de uma orquestra síncrona, sem permissão para dissonâncias. Pensamento recorrente ao olhar a fotografada que, decerto, reconhecerão.