19 de dezembro de 2011

Portagens na EN 125


















Com a diminuição do número de veículos na A22, mais os actos de sabotagem aos  portais de portagem (que pena tenho, que o  bom senso não mos permita) e  acrescendo  ainda os custos de policiamento aos mesmos, parece-me que seria boa medida e muito mais rentável portajar a EN125 e fechar de vez a perdulária Via do Infante. Regressaríamos ao passado, aos doces engarrafamentos e à bela média de 29 mortos por ano.

Foto de Virgilio Rodrigues, DN 06/08/2011

18 de dezembro de 2011

Portagens


















O não querer, ou melhor, o não poder pagar portagens, tem os seus encantos.
Facilmente volta-se a assistir à disputa entre um Corsa e um Clio. Anda-se muito mais devagar, poupando combustível. Come-se sopa ao preço de uma bica de auto-estrada. E pára-se numa área de serviço como esta em Canal Caveira, pelo menos, há 15 anos parada no tempo, disponibilizando produtos regionais, pão caseiro, sandes, enchidos e queijos, esplanada, churrasco no exterior, e amplo parque de estacionamento.
Uns quilómetros mais à frente a estrada nacional desaparece, e volta-se ao século XXI, e por nós lá passam os Volvos, os Mercedes, os Audi, e os BMW no seu  brrrrrruuummmmmm.
Penso que os portais das auto-estradas seriam uns bons quiosques de verificação da declaração de IRS.

17 de dezembro de 2011

Cesária em hora di bai

Cabo Verde tem sido, por motivos a despropósito,  viagem adiada. Vogamos, muitas vezes, através de vozes que nos despertam pela saudável diferença. A lembrar livros que, no passado (em fastidiosas aulas de teoria musical), ensinavam ser a voz humana o mais fascinante instrumento, deambula-se por cantos de interioridade. Cesária faz desfilar no imaginário o azul marítimo da sua terra, a vida pobre e simples, o despojamento, um diferente luar. Quando encontramos uma irrepreensível afinação de  vozes treinadas e que nada «sentem», torna-se fácil relegá-las ao esquecimento. Trazendo a entoação a bater bem junto ao coração da terra, far-nos-á sempre viajar ao imaginário de Cabo Verde, vendo o milho (para a cachupa) a sobreviver à escassez da água que não cai do céu e crianças a correr, descalças, em infidáveis praias, a devolver-nos a paisagem e a musicalidade da sua língua crioula.

Lua nha testemunha

«Nha Venância, bô crê ouvi um poeminha?»
«Mas poema direito, bô ouvi?», e riu agradada como ainda não tinha rido naquele dia.
Caminho longe…
Caminho obrigado
caminho trilhado
nos traços da fome
caminho sem nome
caminho de mar
um violão a chorar
Caminho traidor
«Caminho traidor, sim senhor. Gente espera uma coisa e São Tomé dá outra. Ou não. Traidor porque rouba filho da nossa terra. Isso mesmo, moço.» (…)

Manuel Ferreira, Hora di Bai

16 de dezembro de 2011

com papas e bolos.....

uma das publicidades mais recorrentes de um dos operadores da distribuição em portugal tem a ver com as poupanças em cartão.
não que seja o único a recorrer a recorrer a esta propaganda que nos diz que um determinado produto fica por metade do seu preço com um desconto em cartão de 50%.

sejamos claros: qualquer produto só fica por metade do preço afixado se, na altura da compra, pagarmos metade do preço que lá está (não sendo líquido que estejamos a comprar barato, estamos seguramente a pagar metade do preço afixado)
se um produto tem um desconto de 50% a ser descontado numa segunda compra, terei que juntar ao preço do produto comprado em primeiro lugar o que paguei pelo produto que tenho que comprar para receber o desconto e então avaliar o desconto final.
grosso modo, um desconto de 50% em cartão poderá corresponder a um desconto de 25% nos dois produtos comprados (isto partindo do princípio, hipotético e longe da realidade, de só comprar o tal produto com 50% em cartão).
tal como quando o desconto passa a ser de 75%.. a descontar em duas compras posteriores.
o valor do desconto nunca se altera: os mesmos 25% teóricos (sendo que nestes casos costuma ter limites temporais para o desconto, o que pode significar que o mesmo nunca aconteça...)?
e o preço do produto?
mantém-se se o desconto é de 50% ou 75%?
claro que não.

tomemos o exemplo de dois folhetos de um operador líder:
1. folheto com validade de 26 de abril a 8 de maio de 2011: desconto de 50% em cartão
2. folheto com validade de 16 a 31 de julho de 2011: desconto de 75% (50%+25% a descontar em dois meses sucessivos).

existem apenas 5 produtos semelhantes nos dois folhetos.
para evitar publicidades, usaremos letras para os identificar:
produto a:
preço base com 50%: 3,99€
preço base com 50%+25%: 4,29€
produto b:
preço base com 50%: 3,88€
preço base com 50%+25%: 4,57
produto c:
preço base com 50%: 2,28
preço base com 50%+25%: 2,34€
produto d:
preço base com 50%: 4,68
preço base com 50%+25%: 4,99€
produto e:
preço base com 50%: 5,49
preço base com 50%+25%: 7,29

olhando para estes produtos, afinal todos os coincidentes, concluímos existir aqui um padrão: aumenta o desconto, aumenta o preço base.

Cartas de jogar


Um pequeno e lindo baralho de cartas de 1894, que logrou sobreviver à voragem dos tempos. Colecção de Carlos Palhares.

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Adivinham

Quem era e que obra estava a realizar?

Feira da Ladra

Se existisse uma máquina de viajar no tempo, eu comprava bilhete e ia navegar ao ano de 1929,,saborear esta feira da Ladra, fotografada por Raul Reis. Guarda o que não presta, acharás o que precisas.

Elegante

As mais lindas

As mais lindas pernas de Lisboa, 1927.

14 de dezembro de 2011

Gatos

Gatos jogando à cabra cega do célebre ilustrador  Louis Wain. Almanaque Bertrand 1925.

Incertezas

Incertezas, Almanaque Bertrand 1925.

as promessas são o que são: e não são de confiar

há uns tempos que ando a prometer à nossa presidente (cumprimentos reverenciais...) cumprir com as obrigações primárias de escrever.
por razões que tiveram a ver com o medo de ser chamado para algum cargo no governo porque, como sabem, as credenciais fundamentais para ser convidado para o governo era ter escrito umas bocas num qualquer blog sobre a salvação da pátria em 3 dias ou morar em massamá.
eu estava no nível máximo de risco.
no entanto, depois de nos últimos tempos já andarem a fazer sorteios pelo número de militante para as nomeações de administradores hospitalares, achei que estava na altura de sair da clandestinidade.
portanto, se julgavam que estavam livres das inutilidades sobre que escrevo, estão enganados...

Cor para dias a preto e branco



A atravessar a vila de regresso a casa, sou surpreendida por um pequeno e colorido cortejo de Natal. Pego na máquina fotográfica ainda a tempo de colher instantâneos. Os fotografados divertem-se ao ver que alguém decidiu fazer o registo de imagem e até há quem se coloque em pose , mesmo sem tempo para dizer «cheese». Apraz a calma dos automobilistas que se apercebem da breve paragem do carro à sua frente.



Fica uma pequena nota de cor, mesmo em tempos que para muitos se afiguram a preto e branco.

Letras e Rádio

13 de dezembro de 2011

Troika



















Preocupado como ando com a vida e desconcentrado no uso da nossa linguagem, embaraço-me facilmente com a escolha de vocábulos.
Por isso, a repetição constante, em tudo quanto é lado, do vocábulo ‘troika’ levou-me a uma pequena pesquisa no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

tróica troica (ói)
(russo troika)
s. f.
s. f.
1. Carruagem ou grande trenó russo, puxado por três cavalos.
2. Conjunto de três pessoas ou entidades, geralmente com uma finalidade política.

  » Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: troica

Agrada-me o significado apresentado em 1. - Portugal a ser puxado por ‘três cavalos’, o qual terá servido de inspiração ao 2.
Ora bem, parece-me que ao escrevermos 'troika' [termo russo] estamos a referir-nos a três cavalos atrelados, mas se quisermos referir-nos a pessoas ou entidades políticas convém que escrevamos 'tróica' (ou 'troica').

Foto retirada de Wikipedia

12 de dezembro de 2011

Chegou-me hoje pelo correio. O Namoro alfacinha de André Brun com capa de Stuart de Carvalhais. Promete-me um tempo de leitura agradável.

Anos 70

Quem nunca desejou ter um? 1978, imagem de Carlos Rocha.

11 de dezembro de 2011

Orgulho e Preconceito

"É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro, na posse de grande fortuna, precisa de casar-se. Por muito pouco que se saiba dos sentimentos e planos de um homem nessas condições, quando se fixa pela primeira vez numa localidade, aquela verdade está tão arreigada na imaginação das famílias circunvizinhas que ele é desde logo considerado como propriedade legitima de alguma filha casadoira. - Meu querido Bennet — dizia-lhe a esposa um dia — já ouviste dizer que Netherfield Park foi finalmente alugado? Que não, que não tinha ouvido, respondeu o senhor Bennet. — Pois foi! — tornou a mulher. — A senhora Long acaba de sair daqui e contou-me tudo. Bennet não deu resposta. - Não queres saber quem o alugou? tornou impaciente a mulher. - Se queres dizer-mo, não faço qualquer objecção. Era quanto bastava. — Pois é bom que saibas. A senhora Long diz que Netherfield foi alugado por um rapaz do norte da Inglaterra, possuidor de grande fortuna; que èle veio na segunda-feira para o ver, e ficou tão encantado que chegou logo a acôrdo com o senhor Morris. Toma posse da casa antes do S. Miguel"


Chamem-se o que quiserem, é dos romances que mais reli na vida. E não perco os filmes e as séries realizados. Orgulho e Preconceito de Jane Austen, Editorial Inquérito, comprado na feira da Ladra por 50 cêntimos.

História por imagens

A história das bonecas, segundo o Almanach Hachette de 1921.

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8 de dezembro de 2011

Dia a dia

Assim era publicitado pela actriz Jeanne Moreau. E viva o sabonete Lux. 1959

Publicidade: mudam-se os tempos - II



(imagem: reason.com/blog)

Quando o consumo de cigarros era considerado pacífico – muitos filmes abordam o tema e a imprensa, sobretudo a norte americana, revelou-nos processos contra as tabaqueiras por danos posteriormente causados – reparamos que até o Pai Natal faz publicidade a uma determinada marca. Hoje em dia, a imagem seria improvável mesmo num filme de nonsense, imaginando-se o simpático velhote de barbas brancas a emanar mais fumo do que a chaminé por onde entra no silêncio da noite.

Publicidade: mudam-se os tempos - I



(imagem: prof2000)

É certo que o público-alvo de marcas e de produtos é delineado quando se elabora um anúncio. Apesar de tudo, nos tempos que correm e com a legislação existente (mesmo sabendo que nem sempre os diplomas são respeitados na íntegra, outro assunto que daria «metros» de texto) , dá que pensar este postal publicitário de 1964, tão em consonância com um slogan nacional de então.
As belas etiquetas para a bagagem do Hotel Fénix.

Rabiscos

Gosto destes rabiscos do passado numa agenda da Papelaria Fernandes de 1913. Clicar para ampliar.

Natal

Um bilhete postal de Natal, 1944.

Querida mamâ

Querida mamâ. vamos dar um passeio a Lisboa (Campolide). Assim rezava este postalinho de 1902.

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Dor

Os nossos calmantes de dores.1929.

A mais deliciosa

Água de Colónia Benâmor, 1929.

5 de dezembro de 2011

O gato










































O belo gato deliciado com o calorífero da Vacuum, 1929. Eu pensava que o ilustrador era o Emmerico Nunes, mas o Carlos corrigiu, com toda a razão: É do Cunha Barros:)

Reclamos luminosos

Os primeiros anúncios luminosos em Lisboa, reportagem no Notícias ilustrado, 1929,  fotografias de Ferreira da Cunha e V.Rodrigues.

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