(
imagem: solstício em Manhattan, autor não identificado)
Cidades que – citando o poeta publicitário por sobrevivência – se estranham e, mais tarde, se entranham. Nunca se pensa, após as primeiras impressões que, voltar mais tarde ao local muda totalmente a impressão inicial. Espaço agitado, onde se pode caminhar em segurança , a horas adiantadas, contrariando mitos urbanos. Sem abrigo dormem sobre caixas de cartão atravessadas na passagem dos caminhantes. Em fim de tarde, o parque despido de folhagem ainda deixa ver esquilos que, nervosos, se cruzam com uma multidão mais ou menos apressada.
Começa um Natal antecipado e há patinadores no gelo junto ao centro Rockfeller.
As coisas do progresso fazem entender que existem tantos museus quantos Starbucks e, por breve instante, chega a nostalgia de cafés bebidos, apressadamente e em manhãs frias na leitaria do bairro. Ao longo do percurso, templos mais ou menos visíveis de diversos credos. Na Chinatown surpreendem montras engorduradas onde alimentos irreconhecíveis se encontram expostos atrás de vidros enevoados pela condensação. Espanta ver os skaters no meio do trânsito frenético.
O que, por vezes, interiorizamos enquanto imaginário no ecrã de cinema acaba por não se distanciar de alguns cenários. Existem por aí cidades que superam tudo o que sobre elas possamos idealizar.