17 de novembro de 2011

Português Suave


























Após a extinção do ‘suave’, apresenta-se agora a extinção do ‘Português’.
Para alguém que, como eu, tem o estúpido gosto de fumar e se iniciou exactamente pelo ‘Português Suave’, esta notícia é catastrófica, equivale-se às medidas da tróica. A propósito, porque é que anda toda a gente a escrever tróica com ‘k’?
Nesta terra em que se vai perdendo as referências identitárias, excluir a Torre de Belém da imagem gráfica dos maços de tabaco é mau sintoma.
Pior de tudo é que o ‘Português’ se vai passar a designar ‘LM’. Podiam ter escolhido algo menos impessoal, a não ser que seja uma referência invertida à chanceler alemã MerkeL.

Máquina registadora





































Hoje nos restaurantes, esplanadas e cafés implantou-se a irritante moda de apresentar um ‘talão de consulta de mesa’ em vez da devida factura. Apesar de o talão ser produzido por software obrigatoriamente licenciado pela DGI, o mesmo esclarece que ‘não serve para IRS’.
Vem isto a propósito de, sentado no pequeno tasco de Lisboa, o Tascardoso, ao Príncipe Real, ter dado de caras com esta antiga máquina registadora, tendo a curiosidade de mostrar ao ‘freguez’, de forma clara, legível e directa a importância que vai pagar e, obviamente, com a função de registar o dinheiro que vai entrar na caixa.
Não cheguei a perguntar a razão de ter sido colocada uma foice sobre legenda.

Bianquita

Bianquita no Júlio das Farturas.
DL, 1933

Autocarro

A Carris oferece um autocarro de nove em nove dias.
1967.

Descubra o sol

"... e depois descubra o sol, e da sombra emerge o amarelo brilhante deste vaso de mimosas. É bastante: um só vislumbre nascente, eis-me cheio de uma alegria confusa e surpreendente. É uma tarde de Janeiro que me põe assim em frente do avesso do mundo. Mas o frio permanece no fundo do ar. Por toda a parte uma película de sol que estalaria com uma unhada mas que reveste todas as coisas de um eterno sorriso. Quem sou eu e que posso eu fazer senão entrar no jogo das folhagens e da luz ? Ser esta luz em que o meu cigarro se consome, esta doçura e esta paixão discreta que transparece no ar. Se tento atingir-me, é mesmo no fundo desta luz. E se tento compreender e saborear este delicado sabor que revela o segredo do mundo, é a mim mesmo que encontro no fundo do universo. Eu mesmo, isto é, esta extrema emoção que me liberta do cenário. Ainda há pouco, outras coisas, os homens e os túmulos que eles compram. Mas deixai-me cortar este minuto no tecido do tempo. Outros deixam urna flor entre as páginas, encerram nela um passeio em que o amor os aflorou. Eu também passeio mas é um deus que me acaricia"

Albert Camus, O Avesso e o Direito, Colecção Miniatura, Livros do Brasil, Capa de Bernardo Marques

16 de novembro de 2011

Ainda a sardinha portuguesa




Material  da Campanha de Promoção das Sardinhas Portuguesas executada pelo ETP Estúdio Técnico de Publicidade em 1937 com design de José Rocha e Fred Kradolfer.

Incluía caixa de amostras para prova, folhetos em várias linguas, papel de embrulho e anúncios. Enviado por Carlos Rocha.

As sardinhas portuguesas




Material  da Campanha de Promoção das Sardinhas Portuguesas executada pelo ETP Estúdio Técnico de Publicidade em 1937 com design de José Rocha e Fred Kradolfer.
Clicar nas imagens para visualizar este magnífico material.
Enviado por Carlos Rocha.

Quim e Manecas

As aventuras de Quim e Manecas, por Stuart de Carvalhais, no Diário de Lisboa em 1933. A primeira BD portuguesa:)

1933

Tão modernos estes antigos...1933

Gravadores-Impressores

Parece-me assinado por Rocha. Será? Kradolfer desenhou muita publicidade da Bertand.
1933

O esquentador

O Esquentador Falcão da Fábrica Portugal. !950.

Carinhoso

Começar bem o dia com Stuart num cartoon de 1933.

15 de novembro de 2011

O nariz luzidio

E também em 1935...Porque não teem as mulheres francesas o nariz luzidio?

A cigana

Nunca um homem tinha olhado duas vezes para mim...1935,Diário de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa.
Clicar para ampliar.

Sóbrio e barato

Assim se promoviam as conservas portuguesas em 1935. Diário de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa

14 de novembro de 2011

O Monte dos Vendavais

Foi um dos romances que iniciou a minha paixão pela leitura. Adequadamente. Um dos  personagens masculinos que mais me impressionou. Heathcliff criado por Emily Bronte. Talvez às vezes ainda  sonhe com ele. Este é o início de O  Monte dos Vendavais, Editorial Inquérito.


"Acabo de regressar duma visita ao meu senhorio, o único vizinho que perturbará a minha solidão. Estes sítios, na verdade, são maravilhosos! Creio que, em tôda a Inglaterra, não poderia encontrar refúgio tão completamente afastado da agitação mundana. Um verdadeiro paraíso para misantropos! E o Sr. Heathcliff e eu constituímos o par ideal para a partilha dêste deserto. Que homem extraordinário! Nem êle suspeita da simpatia que me inspirou quando, ao estacar o meu cavalo, lhe surpreendi os olhos negros que se escondiam, desconfiados, sob as sobrancelhas, e os seus dedos que, num gesto esquivo, mergulhavam profundamente nos bolsos do colete, ao anunciar-lhe o meu nome. — É o Sr. Heathcliff? — interroguei. Respondeu com um aceno de cabeça. — Sou Lockwood, o seu novo inquilino. Pensei que devia vir visitá-lo, logo que cheguei, para lhe exprimir a esperança de não ter sido impertinente com a minha insistência para habitar Thrushcross Grange. Ouvi dizer, ontem, que o senhor tivera certas apreensões... — Thrushcross Grange — interrompeu êle — é minha propriedade. Não permito que ninguém me aborreça quando posso opor-me a isso... Entre! Êste «entre» foi pronunciado com os dentes cerrados e queria dizer: «vá para o diabo!» A própria cancela a que se apoiava não denunciou o menor movimento de acordo com o convite, e foi esta circunstância, creio, que me impeliu a aceitá-lo"

Aguardente 1920

O sóbrio e elegante rótulo da Aguardente 1920, de autoria de Carlos Rocha.

10 de novembro de 2011

As primeiras chuvas

















Quando chega a Primavera alegramo-nos com o brotar da vida vegetal e animal.
E só nos tranquilizamos quando caem as primeiras chuvas, elevando o cheiro forte, intenso e único da terra a saciar a sua sede.
Há falta de outras intuições animais perdidas, a estes voláteis momentos de alegria primaveril e de tranquilidade outonal, chega-nos a incerteza e a preocupação da imprevisibilidade da natureza e do comportamento humano.

Foto retirada de http://www.flickr.com/photos/andreclick/4491275475/

Decência e proporcionalidade processual














Numa semana em que os grandes títulos dos jornais são dedicados a casos de grande corrupção ou da especulação financeira, uma pequena notícia sensibilizou-me e levantou-me uma série de questões relativas à proporcionalidade entre actos e procedimentos.
Notícia:
A justiça quer levar a tribunal um sem-abrigo, acusado de tentar furtar seis chocolates de um supermercado Lidl no Porto. A empresa não foi lesada, mas decidiu apresentar queixa e o homem, cujo paradeiro é incerto, foi formalmente acusado pelo Ministério Público (MP) do crime de furto simples.

Fotografia © Gonçalo Villaverde - DN

Como Moisés



(imagem: The Guardian)

À semelhança de Moisés, poderia ter sido transportado pelas águas do rio. Deixa, através do sono, perceber uma expressão serena. A dormir, todos parecemos indefesos, principalmente os de tenra idade. É uma criança indiana da cidade de Mumbai cujos os pais, vendedores de cestos, trazem consigo durante a sua atividade de sobrevivência.
Apetece acompanhar este sono com cantos ancestrais, desconhecendo as toadas (que ouvi cantar a amigas de um grupo vocal estritamente feminino, vão desencantar estas coisas a memórias antigas e partituras amarelecidas), imagino a conhecida canção de embalar:
«Dorme, meu menino, a estrela d'alva
Já a procurei e nao a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti.»

Ema
















Sem dúvida que o meu romance favorito da Jane Austen é o Orgulho e Preconceito. Mas não resisto a mostrar-vos a capa do Ema. Este livro pertenceu a Maria Adelaide Oliveira Monteiro, diz a assinatura de posse, Lisboa 1948.
Há 51 anos: beba mais e melhor leite.

Royal

Um belo anúncio de 1950 do Pudim Royal.

Em virtude

Diário Popular 14 de Novembro de 1950

9 de novembro de 2011

7 de novembro de 2011

Um outro olhar

Assim era em 1972. Reconheceis?

Um certo olhar

Assim era em 1972. Reconheceis?

Manuela de Freitas, Para onde Is, Teatro Comuna.

Dabri

Muito tenho usado eu o Dabri, nestes últimos dias....Armários e estantes muito careciam dele. E chego a casa e na única Crónica Feminina que ficou cá por casa esquecida, reencontro a mesma embalagem ainda  tal qual como era em 1972.

Odol

Os maravilhosos anúncios do início do século XX. Odol atraí multidões, à semelhança dos célebres meetings ingleses. tal é a sua popularidade. Outra marca que ainda sobrevive. L´Illustration, 1907

5 de novembro de 2011

Mais Stuart

1936.

Livros em sacos

Mudar de casa não é fácil. Mas é infinitamente gratificante. Os livros foram transportados por sacos Pingo Doce.A casa ficou assim momentos antes da primeira fase da mudança.O resto vai depois. Total de 150 sacos cheios de papel velho.

Tempo da Guerra

"Essa revista estava atrás da estante. Deve ser do tempo da guerra" Antes da primeira guerra, respondi eu. Folguei em rever a publicação L`illustration achada pelo senhor das mudanças. Data:1907

Vegetariano

Doutor Caprino por  Käthe Olshausen., Almanaque Bertrandd, 1921

Rivoli

O maior cinema do país. Revista Cinéfilo, 1935

3 de novembro de 2011

Memórias das cidades



(imagem: solstício em Manhattan, autor não identificado)

Cidades que – citando o poeta publicitário por sobrevivência – se estranham e, mais tarde, se entranham. Nunca se pensa, após as primeiras impressões que, voltar mais tarde ao local muda totalmente a impressão inicial. Espaço agitado, onde se pode caminhar em segurança , a horas adiantadas, contrariando mitos urbanos. Sem abrigo dormem sobre caixas de cartão atravessadas na passagem dos caminhantes. Em fim de tarde, o parque despido de folhagem ainda deixa ver esquilos que, nervosos, se cruzam com uma multidão mais ou menos apressada.
Começa um Natal antecipado e há patinadores no gelo junto ao centro Rockfeller.
As coisas do progresso fazem entender que existem tantos museus quantos Starbucks e, por breve instante, chega a nostalgia de cafés bebidos, apressadamente e em manhãs frias na leitaria do bairro. Ao longo do percurso, templos mais ou menos visíveis de diversos credos. Na Chinatown surpreendem montras engorduradas onde alimentos irreconhecíveis se encontram expostos atrás de vidros enevoados pela condensação. Espanta ver os skaters no meio do trânsito frenético.
O que, por vezes, interiorizamos enquanto imaginário no ecrã de cinema acaba por não se distanciar de alguns cenários. Existem por aí cidades que superam tudo o que sobre elas possamos idealizar.

2 de novembro de 2011

Jane Eyre

O romance que me fez imaginar o amor . Lido, por recomendação da minha mãe, aos 11 anos. Muito mais  tarde vim a descobrir que tinha sido o meu pai a oferecer-lhe este livro.A capa é, penso que estou a identificar bem, do Carlos Rocha.

Era

 Há tempos triste que marcam o interregno entre o que foi arrasado e o que vai ser edificado. E mesmo o futuro não promete grandes alegrias para os lisboetas. Relembre-se  o belo cheiro a sardinha assada e a frango no churrasco. Feira Popular em 1970 por Eduardo Gageiro.