19 de junho de 2011

Um chá de menta árabe

Um bom chá de menta árabe como só no local sabem servir, é eficaz digestivo para quem não tem hábito de fartos jantares.
Surpreende-se o pequeno grupo ao ver a sala povoada e barulhenta, situação inesperada em hora pouco avançada da noite. Passado pouco tempo, percebe-se a causa de por lá se encontrar ruidosa multidão: uma jovem mulher executa a dança do ventre, deixando parte da assistência surpreendida. A dança  feminina - afirma-se - traz efeitos terapêuticos a quem a executa. Recordo vagamente que era considerada uma espécie de ginástica de preparação para o parto. O barulho continua a incomodar em local erradamente escolhido por dois factores: sossego e uma reconfortante tisana.



Decido sair, convencendo o pequeno grupo familiar que me acompanha. Já à porta, surge o encantador de serpentes que ainda consigo fotografar. Evoco vagamente o pequeno-grande universo de Xerazade, acreditando ser a imaginação o maior lugar que nos visita.



Já em casa e a pensar no breve apontamento, encontro na estante da sala As noites das mil e uma noites de Naguib Mahfuz, abrindo-o na página onde é descrito o café dos emires:

O café ficava situado no lado direito da longa rua comercial. Espaçoso e de planta quebrada, com a entrada para o passeio público, as suas janelas davam para ruas laterais e casas vizinhas. Ao longo das paredes havia almofadas para os clientes distintos, e no centro, dispostos em círculo, tapetes para as pessoas vulgares se sentarem. Serviam-se bebidas variadas, quentes e frias, consoante as estações, e também se podiam encontrar xaropes mediciais(…).

18 de junho de 2011

Sesta

Estávamos a fotografar uma igreja para uma futura adivinha e não resisti a esta cena idílica. A canícula apertava e este senhor entregava-se desveladamente a uma sesta, por certo merecida.

belated bloomsday

of what did the duumvirate deliberate during their itinerary?

o dia 16 de junho já foi muitas vezes comemorado nesta casa.
umas vezes no dia, outras nem por isso.

music, literature, ireland, dublin, paris, friendship, woman, prostitution, diet

ulisses é o livro que eu passei mais horas a ler. durante alguns anos era quase uma espécie de apêndice que transportava sempre que viajava. como tem um estilo de escrita diferente em cada capítulo era como se transportasse um saco de livros que podia escolher para me deliciar.

the influence of gaslight or the light of arc and glow-lamps on the growth of adjoining paraheliotropic trees

este ano, em dublin, o bloomsday teve uma forma original de ser celebrado, para além da tradicional peregrinação por todo o trajecto de um pouco mais de 24 horas de leopold bloom: através da rede twitter (@11ysses), um conjunto de apaixonados por este apaixonante livro, enviou as mensagens necessárias para completar o texto completo e assim poder ser lido. como comentava alguém no twitter, podia ser lido como poesia.

he could feel my breasts all perfume yes and his heart was going like mad and yes i said yes iwill yes.

17 de junho de 2011

em defesa dos examinandos do limoeiro

uma turma de candidatos a magistrados foi acusada de 'copiar' os testes durante um exame da disciplina de 'investigação criminal e gestão do inquérito'.
têm chuvido as mais variadas críticas à actuação dos examinandos e à sua ética global.
não posso estar mais em desacordo destas calúnias!!!!

aqueles putativos magistrados apenas estão muito à frente do seu tempo e do órgão de soberania em que pretendem ingressar.

a questão seria muito simples de explicar, não fora a manifesta má vontade com que a população brinda a justiça e os justiceiros.

aqueles homens e mulheres, já plenamente integrados no novo espírito neo-liberal de avaliação das competências no serviço público (não, não estou a dizer que são funcionários públicos, mas apenas que servem o público), decidiram, como prova da sua abertura de mentalidades, realizar uma prova de grupo como em qualquer processo de recrutamento, em que, dado um problema, o conjunto dos candidatos discute a sua resolução.
aliás, e consultados por um elemento da direcção da associação sindical dos juízes (é sempre bom saber que um órgão de soberania tem um sindicato, faltando agora um para os deputados e outro para o presidente da república) os examinandos 'disseram-nos que, antes de começar a prova, trocaram umas impressões uns com os outros, não tiveram a noção de que era uma prova individual'.
obviamente!!! onde já se viu os exames serem individuais!!!

para além disso, aquela 'troca de impressões' foi também, e em simultâneo, um processo de antecipação para os julgamento com colectivo de juízes, onde, naturalmente, têm que consultar os colegas sobre as decisões a tomar.
por último, é nítida má fé acusar o centro de estudos judiciários quanto ao exame ter o 'formato' dito americano, com resposta de escolha múltipla assinaladas pelo sinal gráfico 'x' dentro de um quadrado (que tem a notável vantagem de treinar os cidadãos para os boletins de voto).
afinal, que eu saiba, as pessoas podem ser culpadas ou não culpadas (com ou não prova da inocência).
para quê complicar o que pode ser simples?

Todos se aproximam

Tal o poder de Lander...

Enviada por José quintela Soares

Continuidade

Todos diferentes, todos iguais.

Azul

Mais azulejos de fachada.

Onde mora?

Portas

Eram tão bonitas estas portas de cabeleireiro. esta ainda permanece no número 16 da Almirante Reis.

Fonte

Reconheceis? Era o ano de 1933.

CP

Que estação era esta em 1933? Nos nossos dias tem um pormenor diferente...

Defender a economia

Rolhas que valem Libras, 1933.

15 de junho de 2011

Telegrama

Neste tempo, anos 40 do século passado, não existiam sms, nem mms,nem internet e nem se usava muito o telefone. Receoso que a carta não chegasse a tempo, o meu pai enviava um telegrama à minha mãe. Recebeu-o a Alice,operadora dos CTT, neste encontro entre Palmela e Esposende. Os meus pais estavam noivos e a muitos quilómetros de distância. Foi um amor que durou toda a vida,entre o João e a  Zé.

Dauphine

Não há dúvida, em qualquer século, somos aficionados de adivinhas. Nesta iniciativa do Diário Popular de 1957, procurava-se adivinhar o nome de localidades portuguesas por onde se passeava o Dauphine.

Reconheceis?


Isabel Wolmar e Manuela Paulino, 1966.
Clicar para ampliar.

Bonecada

E em 1966 esta era parte da iconografia duma muito popular série televisiva. E quem era esta senhora?

Os putos

E os miúdos corriam como ainda  correm para se pendurarem no eléctrico..

Toca a entrar!

Em 1966 era assim o afluxo de público para os transportes colectivos.