10 de abril de 2011
Ponta da Unha
Fazer a barba com a ponta da unha, Domingo Ilustrado, 1935..Ilustração de Emmerico Nunes? Quase de certeza.
Evasões ou pequenos grandes gostos

Entrada num grande espaço, lembro-me de procurar um livro referido por uma amiga: Temor e Tremor, de seu título em português, traduz a experiência de uma competente executiva japonesa acabada de se radicar nos Estados Unidos.
Sendo o choque de culturas tema de particular interesse parece, o enredo, conter ingredientes bem condimentados, dado a protagonista, na tentativa de implementar parâmetros apreendidos no país natal, terminar funções na qualidade de empregada de limpeza das instalações sanitárias da firma.

Não se encontrando o livro disponível no momento da procura, fixo-me nos DVDs. Fugitiva de locais fechados e sobrelotados e, algo limitada pela oferta do momento, acabo por fazer duas rápidas escolhas ditadas por boas memórias: Sunset Boulevard e A Rosa Púrpura do Cairo.
Ao chegar a casa, não posso deixar de sorrir ao estabelecer associação com as opções repentinas de compra. Sem o ter pensado, verifico que ambas se prendem com o fascínio exercido pela sétima arte, mesmo que de perspectivas diversas: no primeiro caso, a das estrelas (mesmo que decadentes), no segundo, a da espectadora enquanto evasão para um mundo (aparentemente) mais apelativo.
O filme de Wilder continua inabalável ficando a pairar, por algumas horas, a expectativa em relação ao de Woody Allen.
9 de abril de 2011
Neptuno e Gustavo Matos Sequeira
Tenho uma profunda admiração por Gustavo Matos Sequeira, um mordaz e culto escritor de Lisboa. Este delicioso diálogo,entre ele a estátua de Neptuno ,fez-me sorrir e ficar presa à narrativa ágil e cheia de referências. Como andamos esquecidos dos grandes intelectuais portugueses! E passo a transcrever. É longo, mas vale a pena.
Ouvindo o Filho de Saturno…
Entrevista fabulosa com um Deus do Olimpo no Largo de Dona Estefânia
Por Gustavo Matos Sequeira
Diário Popular, de 22 de Outubro de 1950
Raras vezes passo pelo Largo de Dona Estefânia. Está fora das minhas deambulações habituais. Outro dia, porém, às horas do anoitecer, cruzei-o de Nascente para Poente, embrulhado na rede das minhas costumadas meditações, agora perigosíssimas na lufa-lufa do trânsito alfacinha. Vinha a patronear comigo mesmo, sobre uma ideia em projecto, quando um “psst” intrometido me chamou a atenção. Psstt, pstt…Quem seria a chamar-me? Circunvagfuei os olhos e não topei vivalma. Só um polícia (extraordinária visão) passava apressado em direcção ao Saldanha. E o “psstt” continuava, agora mais estridente. Até que…(e o pasmo parecia que me atarrachava ao chão) dei com os olhos na estátua de Neptuno, erguida a meio do lago, e o tridente a agirar-se no ar. O “psstt” vinha exactamente daquela direcção, e um gesto de chamamento do Deus, acabou de convencer-me. Era ele quem me chamava.
Desvanecido com a confiança do Filho de Saturno ali posto há uns dias (não sei se por castigo), aproximei-me timidamente, da borda do lago e ouvi então, a sua voz, que soava como um marulho de vaga:
-Tenha paciência, acuda-me. Eu tenho passado a vida a obedecer ao “peito lusitano”, força impetuosa, “ a quem Neptuno e Marte obedeceram”, como diz Luís de Camões, mas já não posso mais. Desde o ano 31, antes de Cristo, depois da batalha naval de Actium, em que os romanos me ergueram um templo, que não me deixam ter sossego. E então, desde que os de Lisboa me tomaram à sua conta, tenho andado numa verdadeira peregrinação, com o plinto nos pés, a correr à experimenta todos os recantos da cidade. O senhor e é amigo de Lisboa e deve ser meu amigo. Eu tenho prestado muito serviço a esta velha Olisipo. Livrei-a de temporais, enchi-a de boas águas, presidi à chegada da água de Carenque, e estive nos Barbadinhos quando veio a de Alviela. Tenha pena de mim. Consiga que me deixem agora estar aqui quieto, que já não me mudem mais. Já não me chega o dinheiro para pagar tantas mudanças.
O Deus que diziam falsamente ser irmão de Júpiter (se o fosse outro galo lhe teria cantado) agitava nas mãos húmidas o tridente… lacrimejando saudoso dos golfinhos que outrora o acompanhavam. E eu retorqui-lhe:
-Prometo-lhe solenemente: Vou interessar-me pela sua sorte, magnífico Deus. Um memorial do município onde tenho amigos fiéis, resolverá possivelmente o seu caso. Hei-de conseguir que o deixem quieto de vez, em compensação, conte-me as suas andanças…
Neptuno, descansando no colo o tridente, para dar às mãos uma certa liberdade, nos gestos, espreitou em redor, viu que não andava por ali ninguém e começou:
-aqui onde me vê sou feito de mármore de Carrara,. Esculpiram-me em Itália há cento e setenta e nove anos. Há quem diga que foi Machado de Castro (conheceu-o?) quem me talhou. Vim depois para cá: a gente das águas Livres destinou-me para uma fonte que ia fazer-se no Campo de Santana, ali acima, mas a ideia não foi por diante. E eu fui de cambulhada com socos e varandas para uns armazéns da Junta das águas.
- Era para dar cavaco,- disse-lhe eu para o lisonjear.
- E dei-o. Não é nada agradável estar em companhia de pedras sem categoria. Anos depois imbicaram comigo de novo. Um famoso arquitecto que os senhores tiveram, que era de sangue húngaro, estudara também um chafariz de respeito, ali para os altos do Chiado, em frente da Travessa do Secretário de Guerra.
- É hoje a rua Nova do Trindade…
- É isso mesmo. Mas aconteceu-lhe o mesmo que à fonte do Campo de Santana. O traçado era de polpa, semelhante ao da Esperança, com uma espalda toda catita, mas a ideia foi sacrificada.
-Era caro, naturalmente…
- Caro ou barato, (olhe que o barato geralmente não presta), desistiu-se de o construir mas como a água era ali precisa, e muito, arranjaram outro, feito à pressa, , com uma varanda que se pediu ao adro do Loreto, e duas escadas para serviço de tanque. Os galegos (nova incarnação dos meus delfins) ficaram radiantes. Eram cerca de duzentos às ordens, de um capataz, arvorado em golfinho-mor da minha corte. E digo isto, porque me puseram lá.
- Deve ter visto muito, Senhor Neptuno…
- Coisas que não pode imaginar. Foi o melhor tempo da minha vida de estátua. A animação do largo, o Entrudo e a Semana Santa, os livreiros ao redor, os centros de cavaco onde pontificavam os artistas do lírico, ali perto o picadeiro do Feiner, que deixou o nome a um larguinho, a Estanqueira do Loreto, feia como uma matrona de Épiro, os botequins políticos, as festas do embaixador Lanes, os saraus líricos do Hotel da Península, a passagem das procissões, as festas pelos anos de Dom João VI; as corretagens amorosas do Rei Wamba, sempre de olho alerta à porta dos Grezieiros, e, sobretudo, os Delfins, de barris e cordas, a que chamavam galegos, e que deixaram memórias na ilha onde está agora um poeta que ainda não percebeu que está ali. Que saudades. Aquilo é que era um poiso agradável. E via correr a água. Sim, porque agora, só vejo águas paradas e águas paradas não têm graça nenhuma.
O deus ia tão entusiasmado na sua história, que não lhe quis cortar o fio. Pingos de lágrimas orvalhavam-lhe a barba. E continuou:
- Um dia embirraram comigo. Um munícipe qualquer, que não tinha nada que fazer, passou por ali e achou que eu afrontava a nobreza do local. Veja-se a ingratidão. E em 1852 vi-me apeado e depois de várias voltas, fui parar ao Museu do Carmo.
- Sempre era uma honra e uma distinção…
Seria, mas eu tomei-o como uma afronta ao Olimpo. No Carmo vivi uns anos. Estavam lá outras figuras de pedra, como eu, O São João Nepomuceno, o São Roque, a Dona Maria I, gente boa e de tom, mas estavam longe de ser da minha estirpe. Nunca tinha ouvido falar deles no Olimpo. Desculpe esta filausia.
-Por amor dos deuses…
- O que eu passei dava para um volume de memórias. Certa manhã levaram-me para o reservatório dos Barbadinhos. Gostei. Fiquei a presidir à chegada da água nova, vi a grande festa de inauguração do Alviela, e julguei, que ingénuo fui, que ali acabaria os meus dias de estátua. Não tardou muito que me tirassem do trono e passei a andar de armazém em armazém, mudado como um traste inútil. Fazerem, de mim um traste, lá me pareceu forte demais.
- E depois?
- Depois (parece-me que foi ainda ontem) acarretaram comigo para a Praça do Chile, uma rotunda que nunca mais acaba e onde eu fiquei positivamente a nadar. Aquilo foi para me amesquinharem. Talharem-me deste tamanho e porem-me numa praça tão grande! Senti-me ridículo, mas enfim tornei a cair na ingenuidade de supor que me deixavam ali quieto.
-Começo a ter pena de si, amigo Neptuno. Tartamudeei eu, para o amparar no desgosto.
-Obrigadinho. Quis porém o malfadado destino, que viesse para cá o Fernão de Magalhães e me pregasse a partida. Parece impossível. Um homem que eu protegi tanto, quando andou com a mania de dar a volta ao mundo. Tanto temporal que lhe evitei, tanto.
- E correram-no de novo.
- Sem a menor consideração. Agora vim parar aqui, para o Largo Dona Estefânia, (sabe Júpiter por quanto tempo) outra vez no meio de um lago, sem ouvir ao menos correr um fio de água. Tenho tantas saudades dos galegos.
- Esteja sossegado, poderoso deus. Agora devem deixá-lo em paz.
-Tenho medo…
- Medo de alguma nova avenida que corte o Largo Dona Estefânia?
- Não. Medo que se lembrem de pôr aqui o senhor Dom Pedro V!
O deus tornou a colocar nas mãos o tridente, flectiu o corpo na posição primitiva e, piscando os olhos de água…despediu-me com ar conformado de quem ainda não se sente seguro no seu trono de meia dúzia de dias.
Foto de Judah Benoliel, 1950, Arquivo Municipal de Lisboa.
Nota: Esta leitura mostrou-me um erro comum na net, a data da mudança desta estátua para o local onde ainda agora se encontra ( sorte do Neptuno ou boa cunha de Matos Sequeira) foi em 1950 e não em 1951, como geralmente se lê.
Nota: Esta leitura mostrou-me um erro comum na net, a data da mudança desta estátua para o local onde ainda agora se encontra ( sorte do Neptuno ou boa cunha de Matos Sequeira) foi em 1950 e não em 1951, como geralmente se lê.
Brylcreem
Ainda conheci o Brylcreem, produto verde e viscoso se bem o recordo. Ainda tive uma embalagem destas comprada na Feira da Ladra, mas perdeu-se com o tempo e as mudanças de casa. Esta imagem data de 1950-
ronronar
o obama da eb 2,3 de massamá
há uns tempos, o inigualável mendes bota afirmava que a credibilidade política de passos coelho vinha de morar em massamá e não num condomínio qualquer.
jamais me tinha passado pela cabeça que o facto de, também eu, morar em massamá, dava alguma credibilidade no que quer que seja e muito menos na política.
recentemente, num livro laudatório sobre passos coelho escrito pela jornalista felicia cabrita e brilhantemente apresentado pelo inultrapassável (ok, é-o, mas apenas pelo medina carreira) mário crespo, ficamos a saber que para além dos dotes para um determinado doce conventual, o menino pedro era conhecido entre os seus companheiros de partido como o 'obama de massamá'. eu, sendo de massamá e não sendo tão bronzeado (na expressão desse outro tão notável senhor que governa, literalmente, a itália) como o menino pedro, não aspiro a ser o obama de coisa nenhuma, mesmo sendo igualmente de massamá. com tal credibilidade e tais adjectivos, esperava-se que de cada vez que o coelho falasse não saísse uma coisa ao estilo das defesas do roberto (esse enorme guarda-redes do benfica com muitos anos a virar frangos).
imediatamente a seguir a ter chumbado em português o pec IV por não aceitar mais sacrifícios ao povo, andou pela europa fora a dizer, em inglês, que não tinha aprovado porque o pec não ia tão longe como devia.
esta semana, a propósito do pedido de ajuda do estado português à união europeia, o obama da escola básica de massamá afirmou que daria todo o seu apoio para uma ajuda... a 2 meses e que depois das eleições o governo eleito então negociaria com as instituições europeias.
eu garanto ele disse isto e que ninguém se riu (embora fosse mais para chorar..). aquela pobre alma é mesmo tão criança, inocente, ingénua (ou parva e burra) que acha que alguém vai negociar com portugal para 2 meses o que quer que seja e que a união europeia vai esperar que exista um novo governo para negociar??? ele acha que está a pedir 10 euros ao pai para ir ao cinema e comer pipocas e que amanhã se fala dos trabalhos de casa por fazer?
quem negoceia é o estado português (independentemente do governo que estiver) e quem vier a seguir vai ter que cumprir os compromissos do estado, sejam eles quais forem.
por isso, e porque não sendo tão completamente oco (se o espremermos sai de lá alguma coisa, ainda que não seja coisa boa), o primeiro ministro tratou de dizer que o presidente vai ter que encontrar consensos para comprometer o estado e literalmente mandou-o negociar.
lavou a mãozinhas como se diz que terá feito o pilatos quando a populaça terá dito preferir o barrabás que era um bacano e não o cristo que era esquizofrénico, tinha a mania que era um messias e andava na companhia duns tipos com mau aspecto.
jamais me tinha passado pela cabeça que o facto de, também eu, morar em massamá, dava alguma credibilidade no que quer que seja e muito menos na política.
recentemente, num livro laudatório sobre passos coelho escrito pela jornalista felicia cabrita e brilhantemente apresentado pelo inultrapassável (ok, é-o, mas apenas pelo medina carreira) mário crespo, ficamos a saber que para além dos dotes para um determinado doce conventual, o menino pedro era conhecido entre os seus companheiros de partido como o 'obama de massamá'. eu, sendo de massamá e não sendo tão bronzeado (na expressão desse outro tão notável senhor que governa, literalmente, a itália) como o menino pedro, não aspiro a ser o obama de coisa nenhuma, mesmo sendo igualmente de massamá. com tal credibilidade e tais adjectivos, esperava-se que de cada vez que o coelho falasse não saísse uma coisa ao estilo das defesas do roberto (esse enorme guarda-redes do benfica com muitos anos a virar frangos).
imediatamente a seguir a ter chumbado em português o pec IV por não aceitar mais sacrifícios ao povo, andou pela europa fora a dizer, em inglês, que não tinha aprovado porque o pec não ia tão longe como devia.
esta semana, a propósito do pedido de ajuda do estado português à união europeia, o obama da escola básica de massamá afirmou que daria todo o seu apoio para uma ajuda... a 2 meses e que depois das eleições o governo eleito então negociaria com as instituições europeias.
eu garanto ele disse isto e que ninguém se riu (embora fosse mais para chorar..). aquela pobre alma é mesmo tão criança, inocente, ingénua (ou parva e burra) que acha que alguém vai negociar com portugal para 2 meses o que quer que seja e que a união europeia vai esperar que exista um novo governo para negociar??? ele acha que está a pedir 10 euros ao pai para ir ao cinema e comer pipocas e que amanhã se fala dos trabalhos de casa por fazer?
quem negoceia é o estado português (independentemente do governo que estiver) e quem vier a seguir vai ter que cumprir os compromissos do estado, sejam eles quais forem.
por isso, e porque não sendo tão completamente oco (se o espremermos sai de lá alguma coisa, ainda que não seja coisa boa), o primeiro ministro tratou de dizer que o presidente vai ter que encontrar consensos para comprometer o estado e literalmente mandou-o negociar.
lavou a mãozinhas como se diz que terá feito o pilatos quando a populaça terá dito preferir o barrabás que era um bacano e não o cristo que era esquizofrénico, tinha a mania que era um messias e andava na companhia duns tipos com mau aspecto.
8 de abril de 2011
a 'independência' das agências de rating, a sua ganância e a falta de espinha de quem lhes dá cobertura
o procurador-geral do estado de connecticut, richard blumenthal, moveu um processo contra as agências de rating moody's e standard & poor's porque 'conscientemente mentiram ao público e fizeram-no pois isso permitia-lhes obter lucro' e por 'acreditar que a moody’s e a s&p forjaram a natureza do serviço que disponibilizavam ao mercado. disseram que eram independentes, objectivas e que não eram influenciadas pelo desejo de ganhos financeiros ao atribuir notações a produtos financeiros estruturados, quando sabiam que simplesmente não era assim', segundo as suas recentes declarações à 'lusa'. o procurador-geral do estado do ohio processou igualmente as agências de rating exigindo a restituição dos montantes perdidos pelos fundos de pensões estatais em títulos que aquelas agências tinha dado notação máxima, sem nenhuma razão que não fosse simplemente aumentar artificialmente o seu valor e dar lucro ao fundo de pensões que é o principal accionista de duas delas. esta semana os jornais noticiavam que vários economistas portugueses iriam entregar uma queixa na procuradoria-geral da república contra 3 agências de rating (fitch, moody's e s&p) que controlam mais de 90% do mercado e em que duas delas são controladas pelo mesmo fundo de pensões que obtém informação previligiada dos estados e das empresas por eles avaliadas permitindo assim ganhos ilícitos e especulativos e aburdamente elevados em prejuizo dos outros investidores e das empresas e estados que eles 'avaliam'. para o senhor silva (por acaso o ministro das finanças anterior à segunda vinda do fmi a portugal e que durante o seu consulado a dívida externa portuguesa mais que duplicou, se por acaso se esqueceram), que acha que devemos fazer vénias às agências e não as enervar muito porque elas são muito honestas e nós muito madraços, talvez fosse tempo de começar a olhar em volta e ver que o mundo não é exactamente como ele imagina entre a bipolaridade (porque é o político mais mais anos de poder em portugal e se afirma como um não político) e o alzheimer (que o faz esquecer do que já foi na vida e o que fez).
Mulheres
Mulheres destemidas que posam sem medo. De repente fizeram-me lembrar a minha Póvoa. Onde as fotografei?
Mercado do Bolhão, Porto
Mercado do Bolhão, Porto
a quem possa interessar nestes tempos sombrios

no próximo domingo, pela tardinha, o arsis vai apresentar a 'paixão segundo s. mateus', do francisco martins.
francisco martins é um dos maiores e melhores músicos da história da música portuguesa.
é dele aquela que é, provavelmente, a música que mais gozo me dá cantar, mesmo que diga que se fizeram as trevas.
esta paixão segundo s. mateus tem uma história conhecida e muitas vezes musicada, quer pela liturgia, quer por alguns compositores mais famosos.
resumidamente é a prisão, julgamento, condenação e morte de cristo.
ao contrário das histórias normais, aqui 'o rapaz' morre no final.
esta paixão, até pela época em que foi feita e pelo estilo do francisco martins, é uma mistura de polifonia e de gregoriano e é nesses estilos que será cantada.
para quem queira uma hora de quaresma na tarde de domingo, o convite fica feito.
e sim, o tenebrae será o ´selo´final.
pode um acidente no viaduto de tercena ser prejudicial para a dieta?
pode !!!
ontem, ao final da tarde, um acidente no viaduto de tercena fez parar o trânsito no ic19.
essa paragem obrigou-me a um passeio turístico pela cova da moura, damaia, amadora, queluz... e, perigo dos perigos, passar pela zona da ponte pedrinha.
o que tem isto a ver com a dieta e os nível de colestrol?
tudo !
como pode um pacato cidadão sobreviver a uma passagem pelos arcos sem ter que estacionar o carro e ir fazer uma romagem á marianita e atestar o carro de deliciosos a pornograficamente quentinhos pastéis de nata e frescos duchaises??
não pode!
essa é a questão..
cuidado com o trânsito, muito cuidado !!!
ontem, ao final da tarde, um acidente no viaduto de tercena fez parar o trânsito no ic19.
essa paragem obrigou-me a um passeio turístico pela cova da moura, damaia, amadora, queluz... e, perigo dos perigos, passar pela zona da ponte pedrinha.
o que tem isto a ver com a dieta e os nível de colestrol?
tudo !
como pode um pacato cidadão sobreviver a uma passagem pelos arcos sem ter que estacionar o carro e ir fazer uma romagem á marianita e atestar o carro de deliciosos a pornograficamente quentinhos pastéis de nata e frescos duchaises??
não pode!
essa é a questão..
cuidado com o trânsito, muito cuidado !!!
Storm, de Tim Minchin
Agora em desenho animado, o assombroso poema beat de Tim Minchin que arrasa a pseudociência, os falsos regressos ao mundo natural e o charlatanismo moderno. Deviam ser de leitura e visionamento obrigatórios nas aulas de inglês da preparatória.
7 de abril de 2011
Porque não é «este» país, mas sim o dos de cá...

De regresso a casa, a fugir a caminhos congestionados, a paragem para o instantâneo... Um sorriso a nascer com o súbito pensamento de que imagens nos trazem com frequência`à memória temas musicais ou versos soltos. No presente caso, estabelece-se a associação com o poeta de Orpheu, futurista e... tudo! «Portugal tem de ser qualquer coisa de asseado»... porque se gosta e, como tal, nos permitimos o direito de construir sonhos desejando-os realidade.
o essencial e o acessório
gostamos particularmente do acessório.
hoje acordei ao som de um locutor na antena 3 que perguntava várias vezes à sua colega de emissão se assim estava bem, ou se era melhor assado.
passado algum tempo, na tsf, uma habitual crónica dava continuidade aos sinais do acessório e perguntava ao técnico de som se estaria melhor assim, ou assado, ou frito. e discorria sobre o pedro homem de mello e os resgates
abro os jornais on-line e, quer no público, quer no dn, vejo ‘o primeiro ministro preocupado com a imagem’
primeiro que tudo, convém esclarecer que qualquer técnico de som se preocupa com o som e qualquer operador de câmara se preocupa com a imagem.
as boas e as más.
toda a gente faz testes de som e testes de imagem antes de ir para o ar e toda a gente sabe disso.
especialmente sabem disso as rádios, os jornais e as televisões.
num dia que o tal primeiro ministro anuncia o pedido de ajuda externa, continuar com esta tristeza do ataque primário á preocupação da imagem e não ao conteúdo da mensagem é um sinal de que nem os jornais, nem as rádios, nem as televisões, nem provavelmente a maioria de nós interiorizou a gravidade da situação.
como escreveu o mateus no seu evangelho, ‘deixai-os; cegos são e condutores de cegos; e se um cego guia outro cego, ambos vêm a cair no barranco (mateus, XV)
p.s.
quanto ao acessório, este é o post nº 18000
hoje acordei ao som de um locutor na antena 3 que perguntava várias vezes à sua colega de emissão se assim estava bem, ou se era melhor assado.
passado algum tempo, na tsf, uma habitual crónica dava continuidade aos sinais do acessório e perguntava ao técnico de som se estaria melhor assim, ou assado, ou frito. e discorria sobre o pedro homem de mello e os resgates
abro os jornais on-line e, quer no público, quer no dn, vejo ‘o primeiro ministro preocupado com a imagem’
primeiro que tudo, convém esclarecer que qualquer técnico de som se preocupa com o som e qualquer operador de câmara se preocupa com a imagem.
as boas e as más.
toda a gente faz testes de som e testes de imagem antes de ir para o ar e toda a gente sabe disso.
especialmente sabem disso as rádios, os jornais e as televisões.
num dia que o tal primeiro ministro anuncia o pedido de ajuda externa, continuar com esta tristeza do ataque primário á preocupação da imagem e não ao conteúdo da mensagem é um sinal de que nem os jornais, nem as rádios, nem as televisões, nem provavelmente a maioria de nós interiorizou a gravidade da situação.
como escreveu o mateus no seu evangelho, ‘deixai-os; cegos são e condutores de cegos; e se um cego guia outro cego, ambos vêm a cair no barranco (mateus, XV)
p.s.
quanto ao acessório, este é o post nº 18000
fajão county choppers

as oficinas de transformação de carros, motos e outros veículos motorizados nas suas diversas formas e feitios estão muito na moda nos canais por cabo.
que eu saiba, começou nos famosos orange county choppers, no estado de new york.
de uma pequena oficina acessória ao seu principal negócio de aço na primeira série, transformou-se numa enormíssima ‘fábrica’ e agora dividida em dois para o peixe render melhor.
os ‘choppers’ de fajão são mais ecológicos.
utilizam materiais reciclados de velhos frigoríficos, fogões, tubos abandonados e, claro, rolamentos que já tiveram melhores dias e outras utilizações.
os choppers de fajão funcionam na antiga ‘tele-escola’. na mesma onde em putos andaram a aprender, andam agora a fazer.
a última novidade é uma carro que, acionada a ‘mudança’, vira com os 4 rolamentos ao mesmo tempo.
estará pronto para a descida programada para o mês de maio.
até lá, muita solda, muito martelo e muito parafuso vai correr com os fajão county choppers...
Lisboetas
Um casal a saborear um sol amável, belos, conversando e vendo uma Lisboa que lhes corre aos pés. Olho-os e faz-me bem senti-los. Olvido a crise por instantes, as dores e chatices residuais, acredito com eles na completude que só outra pessoa nos pode dar. É Lisboa e não somos lixo nenhum.
6 de abril de 2011
o mercado dos palpites em mais duas partes
1.
o ‘socialista’ dominique strauss-kahn, antigo candidato à presidência do partido socialista francês e actual presidente do fundo monetário internacional (fmi) afirmou numa entrevista conjunta ao washington post, la repubblica e el pais, que o principal problema de portugal ‘não é tanto de dívida pública como de financiamento dos bancos e dívida privada’.
afinal o problema não é o estado português ter uma dívida incomportável, mas sim os bancos, as empresas e o portuguesinho que gasta muito mais do que aquilo que tem?
estou já a imaginar o inenarrável e incontrolável miguel relvas a saltar a terreiro com aquela incomparável incontinência verbal a debitar 3465 palavras por minuto sem que o ar lhe falte a dizer que não senhor, que a culpa é toda da dívida pública (que por acaso é muito inferior a muitas das economias sólidas..).
2.
hoje foi noticiado que o instituto de gestão financeira da segurança social teria estado a vender algumas das suas aplicações em títulos estrangeiros para comprar títulos de tesouro da república portuguesa no leilão de hoje.
os comentadores do mercado de palpites vieram imediatamente clamar contra esta iniciativa de aplicar os fundos que garantem a sustentabilidade das pensões em títulos duma república que não pode garantir o seu pagamento (uma espécie de títulos da ‘operação coração’ de que os benfiquistas devem estar lembrados, aplicada à república portuguesa).
sendo para mim estranho que sejam os senhores dos bitaites económicos a avalizar a incapacidade do estado português para pagar e, mais estranho ainda, que defendam que o instituto de gestão financeira da segurança social deve aplicar os seus fundos no estrangeiro quando o estado de quem eles dependem (e se por acaso falir, nem o fundo nem as pensões se salvam) precisa desses mesmos fundos.
o ‘socialista’ dominique strauss-kahn, antigo candidato à presidência do partido socialista francês e actual presidente do fundo monetário internacional (fmi) afirmou numa entrevista conjunta ao washington post, la repubblica e el pais, que o principal problema de portugal ‘não é tanto de dívida pública como de financiamento dos bancos e dívida privada’.
afinal o problema não é o estado português ter uma dívida incomportável, mas sim os bancos, as empresas e o portuguesinho que gasta muito mais do que aquilo que tem?
estou já a imaginar o inenarrável e incontrolável miguel relvas a saltar a terreiro com aquela incomparável incontinência verbal a debitar 3465 palavras por minuto sem que o ar lhe falte a dizer que não senhor, que a culpa é toda da dívida pública (que por acaso é muito inferior a muitas das economias sólidas..).
2.
hoje foi noticiado que o instituto de gestão financeira da segurança social teria estado a vender algumas das suas aplicações em títulos estrangeiros para comprar títulos de tesouro da república portuguesa no leilão de hoje.
os comentadores do mercado de palpites vieram imediatamente clamar contra esta iniciativa de aplicar os fundos que garantem a sustentabilidade das pensões em títulos duma república que não pode garantir o seu pagamento (uma espécie de títulos da ‘operação coração’ de que os benfiquistas devem estar lembrados, aplicada à república portuguesa).
sendo para mim estranho que sejam os senhores dos bitaites económicos a avalizar a incapacidade do estado português para pagar e, mais estranho ainda, que defendam que o instituto de gestão financeira da segurança social deve aplicar os seus fundos no estrangeiro quando o estado de quem eles dependem (e se por acaso falir, nem o fundo nem as pensões se salvam) precisa desses mesmos fundos.
Já foi assim

A paisagem encontra-se hoje absolutamente modificada no local. Antes do aspecto mais recente, já assim foi. Conseguem descobrir o que hoje aqui se encontra? Fácil desafio...
(imagem recebida sem indicação da fonte)
5 de abril de 2011
Já és uma mulherzinha
Coincidências

Há dias, a jantar num espaço que já foi assim, fiquei sentada junto a uma vitrine onde se encontrava antiga fotografia a representar o primitivo aspecto do estabelecimento. A proprietária explicou-me a história do local e da sua família dedicada à restauração (não à do século dezassete, mas à dos comes e bebes). Por coincidência, encontrei uma publicação onde imagem idêntica se encontra. Conhecem que espaço é hoje e em que localidade foi captada esta fotografia tornada postal?
in Um passeio de Cintra até ao mar
Como referiram a Branca e a Leonor: Praia das Maçãs, Cervejaria Búzio.
Passado e presente

Hoje pasmei ao saber que o coliseu de Roma iria ser privatizado, ou seja, que Berlusconi havia concedido a gestão do monumento a um próspero empresário de calçado que- segundo contam as más línguas - prometeu não utilizar no monumento anúncios ao produto que comercializa. Por associação a memórias ancestrais, rebusquei coisas antigas de uma cidade reconstruída após o grande sismo e encontrei este exemplo. Conseguirão identificar o que é e onde se situa?
fonte: Roberto Carneiro (org.), Memória de Portugal: o milénio português
Rua da Verónica e parte da muralha fernandina.
As balanças portuguesas
As balanças da Fábrica de António Pessoa, cuja fábrica se situou na na Rua D à Calçada da Boa Hora em Lisboa.
4 de abril de 2011
o síndrome de avestruz
ninguém gosta de ser o palhaço duma festa, com excepção do propriamente dito, se for pago para tal.
mas uma coisa é ser palhaço a contragosto, coisa que pode acontecer a qualquer um; outra muito diferente é ser patético, mesmo que exista alguma literatura que fundamente a proximidade comportamental entre a patetice e a actividade dum palhaço (sendo que a deste é uma actividade profissionalmente paga e a outra é simplemente a falta de bom senso e da noção do ridículo).
meter a cabeça na areia (ou na relva para ser mais literal); apagar a luz para que o que não se vê, seja como o que não existe; tentar a técnica da aspersão para apagar o que pela ausência de luz não foi possível eliminar, tudo foram técnicas utilizadas ontem para ocultar a evidência: o porto tem a melhor equipa (mesmo não sendo a mais cara); pratica o melhor futebol (mesmo que ‘a bola’ o negue); tem a melhor organização (mesmo que se diga que o topo da pirâmide seja de honestidade duvidosa).
o comportamento do benfica ontem foi simplesmente patético.
ainda mais patético que o perú (na verdade, com aquele tamanho, foi mais uma avestruz) do roberto...
mas uma coisa é ser palhaço a contragosto, coisa que pode acontecer a qualquer um; outra muito diferente é ser patético, mesmo que exista alguma literatura que fundamente a proximidade comportamental entre a patetice e a actividade dum palhaço (sendo que a deste é uma actividade profissionalmente paga e a outra é simplemente a falta de bom senso e da noção do ridículo).
meter a cabeça na areia (ou na relva para ser mais literal); apagar a luz para que o que não se vê, seja como o que não existe; tentar a técnica da aspersão para apagar o que pela ausência de luz não foi possível eliminar, tudo foram técnicas utilizadas ontem para ocultar a evidência: o porto tem a melhor equipa (mesmo não sendo a mais cara); pratica o melhor futebol (mesmo que ‘a bola’ o negue); tem a melhor organização (mesmo que se diga que o topo da pirâmide seja de honestidade duvidosa).
o comportamento do benfica ontem foi simplesmente patético.
ainda mais patético que o perú (na verdade, com aquele tamanho, foi mais uma avestruz) do roberto...
O menino

Imagens com estórias de infância e juventude, poderia ser o título do post. Em período de férias e numa terra ainda ligada aos mais próximos, local de caminhadas colectivas. Aliás, todo o local poderia ser novamente tocado pela magia e apresentar um ar mais risonho. Quanto à estátua do menino, tratamo-lo por carinhoso diminutivo, sempre tendo ficado curiosa acerca da causa do seu nome de baptismo...
Conseguirão descobrir onde se encontra esta criança?
Luso
2 de abril de 2011
Qual a sua graça ou escolhas (algo) des(en)graçadas...

Actualmente e em alguns pontos do globo, pode registar-se um filho com nomes como Yahoo, Toranja, Ikea ou Periférico, havendo pais candidatos ao prémio extravagância (desconhece-se se existirá tal nomeação)…
O pequeno Yahoo veio ao mundo no México e, recentemente, um egípcio registou a filha como Facebook em gratidão para com a rede social de notória importância nos recentes desenvolvimentos ocorridos no seu país.
Mais simplificada terá sido a escolha de um casal chinês que seleccionou, para a filha, o nome @ , com o argumento de o mundo inteiro utilizar o símbolo no correio electrónico significando, o mesmo, na China, “amo-te”(não vamos duvidar, mesmo tendo em conta as diversas línguas do território, dada a escassez de tempo para tal investigação).
Em Setembro de 2007 nasceu na Suécia o bebé Google, filho de pai libanês e de mãe sueca, encontrando-se o mesmo bem e de saúde (afirmação para ser interpretada no sentido literal).
Fica-se a pensar que um nome é uma marca a acompanhar ao longo da vida, reforçando – a título pessoal - a gratidão aos progenitores pela escolha sensata… papá, mamã, ainda bem que não se armaram em originais… e no meio das presentes palavras deveria ouvir-se um suspiro de alívio...
Já têm circulado listas utilizadas em terras de Vera Cruz onde, na matéria, a realidade ultrapassa a ficção. No entanto e tendo-se deambulado um pouco – não tanto como o famoso Fernão Mendes Pinto cujas celebrações pelo 5º centenário de nascimento ainda decorrem, mas também há que descansar visto não se pertencer a tribo nómada e a idade começar a travar tanta digressão- verifica-se que a escolha de nome em diversas latitudes se prende com o crescimento de um progresso algo lento, mas que nos é grato. E assim se descobre que a jovem aluna de sua graça «Balbina no Hospital» nada mais traduz do que um franco agradecimento pelo lado materno, o tê-la trazido à luz natural ou eléctrica , consoante a hora do parto, em condições de maior higiene e segurança (apesar de Balbina ainda pairar no pensamento)…
(alguma da informação colhida no número de ontem de l'intern@ute magazine)
Olha a bela estação de serviço.
1 de abril de 2011
Associar para adivinhar

fonte: los 50 en fotografías
Repare-se na primeira imagem. Um dos elementos fotografados encontra-se por aqui como facilitador (ou irá complicar a questão?)...

Qual a ligação entre as duas fotografias? O desafio parece simples, ao contrário de um que há dias aqui deixei sobre uma musical série televisiva e permanece por desvendar...
os pigs podem voar ou para quem não tem asas tens uma piadas muito foleiras
o financial times publicou no dia 25 de março um texto (portugal and brazil: role reversal) onde tecia algumas considerações sobre pigs e brics e, resumidamente, aconselhava, no muito celebrado agora ‘out of the box’ que serve para tudo e mais alguma coisa, que portugal fosse anexado pelo brasil porque assim seria facilmente absorvido pela pujante economia brasileira e teria a sua dívida pública e o seu défice mais favorecido depois de diluídos na economia brasileira.
muitas vezes os jornais ingleses têm tradicionalmente este olhar entre o acefalamente racista e o imperialisticamente superior sobre os outros povos.
para eles, com uma espécie de mentalidade pré-copérnica, o mundo ainda gira em redor dos seus umbigos e, como acontece a muito boa gente, acham que vêm muito bem ao longe e esquecem-se de colocar os óculos para ver ao perto.
o financial times funciona como uma espécie de agência de comunicação ao serviço dos especuladores e dos adivinhos.
a seriedade das suas análises está muita vezes próxima e na razão directa dos anúncios publicitários que estão colocados nas páginas onde falam dos países e das empresas.
a grã-bretanha é um dos países da europa com um dos maiores valores percentuais (absolutos também, mas isso é irrelevante) de dívida pública e tem um défice das contas do estado com 2 dígitos, mas acha que pode dar lições aos seus súbditos, mesmo aqueles que são repúblicas independentes e até nas cartas preferem uma manilha ao rei.
como o financial times gosta de dar conselhos, aqui vai um conselho para o governo do seu país:
que tal pedir a anexação pela índia?
sempre ficavam com uns índices económicos mais apresentáveis no crescimento económico e na percentagem da dívida pública e talvez pudessem ser novamente alguma coisa no criquet...
em jeito de ajuda para saber do que falamos, aqui vai o quadro para ver on se encontra a pujante grã-bretanha e algumas outras economias igualmente sólidas:
muitas vezes os jornais ingleses têm tradicionalmente este olhar entre o acefalamente racista e o imperialisticamente superior sobre os outros povos.
para eles, com uma espécie de mentalidade pré-copérnica, o mundo ainda gira em redor dos seus umbigos e, como acontece a muito boa gente, acham que vêm muito bem ao longe e esquecem-se de colocar os óculos para ver ao perto.
o financial times funciona como uma espécie de agência de comunicação ao serviço dos especuladores e dos adivinhos.
a seriedade das suas análises está muita vezes próxima e na razão directa dos anúncios publicitários que estão colocados nas páginas onde falam dos países e das empresas.
a grã-bretanha é um dos países da europa com um dos maiores valores percentuais (absolutos também, mas isso é irrelevante) de dívida pública e tem um défice das contas do estado com 2 dígitos, mas acha que pode dar lições aos seus súbditos, mesmo aqueles que são repúblicas independentes e até nas cartas preferem uma manilha ao rei.
como o financial times gosta de dar conselhos, aqui vai um conselho para o governo do seu país:
que tal pedir a anexação pela índia?
sempre ficavam com uns índices económicos mais apresentáveis no crescimento económico e na percentagem da dívida pública e talvez pudessem ser novamente alguma coisa no criquet...
em jeito de ajuda para saber do que falamos, aqui vai o quadro para ver on se encontra a pujante grã-bretanha e algumas outras economias igualmente sólidas:
a propósito das ajudas externas e do mercado dos palpites
há uns tempos, ao introduzir uma peça sobre as agências de rating, os crescimentos e afins, josé alberto carvalho falava no ‘mercado dos palpites’.
nunca ele terá estado tão certo numa afirmação.
os palpites sobre percentagens de crescimento (ou diminuição) do pib são uma coisa próxima dos vaticínios futebolísticos: cada um dá o palpite de acordo com o que gostava que fosse.
a verdade também, é que nenhum dos palpitadores tem o menor problema em dar um outro palpite (que em nada tem a ver com o anterior) na semana seguinte.
nos últimos tempos a questão da ajuda externa tem tido uma presença só comparável à de deus na imaginação dos crentes: omnipresente até nos locais menos indicados.
é óbvio que portugal, tal como a esmagadora maioria dos países (com excepção dos que têm superavit), necessita de ajuda externa permanente, seja ela através de investidores particulares ou de outros estados (a noruega é um dos países que mais ’ajuda’ proporciona comprando dívida e a sua ‘fuga’ aos países do sul da europa foi um dos principais motivos de exposição fragilizada destes).
dizer como uma espécie de novidade dramática que ‘portugal já está a receber ajuda externa’ é uma coisa tão original como aquela que os admiradores do general la palisse lhe proporcionariam em homenagem na sua morte.
portugal, tal como os estados unidos, o reino unido, a frança, a itália, ou a esmagadora maioria dos países mundiais, recebe permanentemente ajuda externa.
o banco central europeu fornece ajuda a bancos de todos os países, incluindo os alemães, e a quase todos os governos da união. portugal é apenas mais um.
a itália tem uma dívida pública muito superior a 100% do pib e ninguém parece preocupado com isso; a da bélgica também tem 3 dígitos e ninguém fala em resgate, a do japão é quase 200% (sim, 200..) e é uma economia sólida com ratings excelentes (assim como tinha a islândia quando abriu falência).
as agências de rating são uma espécie de guarda avançada dos especuladores que as sustêm. nada disso é novo, mas é com isso que temos de viver.
uma espécie de necrófilos que atacam os que se colocam a jeito, mas que claramente tenham ainda condições de pagar, porque a assistência social não é o seu negócio.
ontem o senhor silva falava da autoridade que o governo tem para pedir ajuda ao fmi.
nos últimos tempos os constitucionalistas têm repetido à exaustão a autoridade legal do governo para pedir ajuda ao dito fundo.
os partidos, acham que o governo de gestão não tem poderes morais para nomear um director geral, mas têm a certeza que tem poderes legais para pedir a intervenção do fmi, que é uma coisa de gestão corrente.
mas mesmo que o governo o fizesse (e só se fossem loucos ou suicidas políticos é que puxavam a si essa responsabilidade), que plano o governo teria para apresentar como contrapartida à ajuda?
o que não foi aprovado e o fez cair?
um outro que nem sequer foi apresentado, mas que agora até o poderia ser sem a oposição ficar ofendida?
alguém acha que se chega ao fmi tipo puto ao pé do pai a pedir uns trocos para ir ao cinema?
no mercado dos palpites, também tenho direito a um:
a avaliar pela sondagens que vão sair amanhã… o granel vai ser muito maior do que aquele que temos agora.
nunca ele terá estado tão certo numa afirmação.
os palpites sobre percentagens de crescimento (ou diminuição) do pib são uma coisa próxima dos vaticínios futebolísticos: cada um dá o palpite de acordo com o que gostava que fosse.
a verdade também, é que nenhum dos palpitadores tem o menor problema em dar um outro palpite (que em nada tem a ver com o anterior) na semana seguinte.
nos últimos tempos a questão da ajuda externa tem tido uma presença só comparável à de deus na imaginação dos crentes: omnipresente até nos locais menos indicados.
é óbvio que portugal, tal como a esmagadora maioria dos países (com excepção dos que têm superavit), necessita de ajuda externa permanente, seja ela através de investidores particulares ou de outros estados (a noruega é um dos países que mais ’ajuda’ proporciona comprando dívida e a sua ‘fuga’ aos países do sul da europa foi um dos principais motivos de exposição fragilizada destes).
dizer como uma espécie de novidade dramática que ‘portugal já está a receber ajuda externa’ é uma coisa tão original como aquela que os admiradores do general la palisse lhe proporcionariam em homenagem na sua morte.
portugal, tal como os estados unidos, o reino unido, a frança, a itália, ou a esmagadora maioria dos países mundiais, recebe permanentemente ajuda externa.
o banco central europeu fornece ajuda a bancos de todos os países, incluindo os alemães, e a quase todos os governos da união. portugal é apenas mais um.
a itália tem uma dívida pública muito superior a 100% do pib e ninguém parece preocupado com isso; a da bélgica também tem 3 dígitos e ninguém fala em resgate, a do japão é quase 200% (sim, 200..) e é uma economia sólida com ratings excelentes (assim como tinha a islândia quando abriu falência).
as agências de rating são uma espécie de guarda avançada dos especuladores que as sustêm. nada disso é novo, mas é com isso que temos de viver.
uma espécie de necrófilos que atacam os que se colocam a jeito, mas que claramente tenham ainda condições de pagar, porque a assistência social não é o seu negócio.
ontem o senhor silva falava da autoridade que o governo tem para pedir ajuda ao fmi.
nos últimos tempos os constitucionalistas têm repetido à exaustão a autoridade legal do governo para pedir ajuda ao dito fundo.
os partidos, acham que o governo de gestão não tem poderes morais para nomear um director geral, mas têm a certeza que tem poderes legais para pedir a intervenção do fmi, que é uma coisa de gestão corrente.
mas mesmo que o governo o fizesse (e só se fossem loucos ou suicidas políticos é que puxavam a si essa responsabilidade), que plano o governo teria para apresentar como contrapartida à ajuda?
o que não foi aprovado e o fez cair?
um outro que nem sequer foi apresentado, mas que agora até o poderia ser sem a oposição ficar ofendida?
alguém acha que se chega ao fmi tipo puto ao pé do pai a pedir uns trocos para ir ao cinema?
no mercado dos palpites, também tenho direito a um:
a avaliar pela sondagens que vão sair amanhã… o granel vai ser muito maior do que aquele que temos agora.
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