18 de janeiro de 2011
17 de janeiro de 2011
surrealismo no vale pardieiro
este sábado regressei ao vale pardieiro.
já aqui escrevi algumas vezes sobre o vale pardieiro e, nomeadamente, sobre a minha admiração pelos antepassados dos seus actuais naturais.
a tenacidade que demonstraram ao rasgar o monte sobre o qual assentam as suas casas para fazer passar a corrente do rio ceira sem inundar as margens da curva apertadíssima que debrua a aldeia é sinónimo de um povo que sabe que consegue os seus objectivos se se unir.
estranhamente pouca gente que normalmente vai a fajão conhece o túnel do vale pardieiro e, talvez por isso, eu passe a vida a recomendar que o visitem.
no sábado à tarde regressei mais uma vez ao vale pardieiro para mostrar o tunel.
ao descer pelo lado oposto ao que normalmente desço, perguntei a uma pessoa que ali estava, qual o acesso, porque nunca tinha descido por aquele lado.
o bafo que veio com as perguntas sobre quem eu era, de onde vinha e ao que vinha deixaram-me um pouco atordoado, tal a quantidade de vapores etílicos que jorravam a cada frase.
mas lá se disponibilizou a descer connosco enquanto voltava a perguntar sobre e mim e, mesmo respondendo-lhe eu a tudo, insistia que eu não lhe dizia quem era.
se esse fosse um diálogo em lisboa eu teria mandado o senhor meter-se na sua vida. mas estando numa aldeia e sendo natural a curiosidade e os receios sobre estranhos, fui respondendo a todas as parguntas.
e lá fui dizendo de quem era filho, onde tinha casa, como me chamava, quantas vezes costumava ir a fajão, o que fazia.
tudo, literalmente tudo.
mas toda a informação parecia que não chegava ao cérebro do questionador, talvez obnubilado pelos vapores etílicos.
pelo meio ia-se queixando da junta de freguesia que nada fazia, que teve que 'abrir' a estrada para a sua casa (coisa que verificar ser mentira, porque foi 'aberta' pela câmara municipal), mais o caminho que descia para o vale que estava nos seus terrenos (coisa que também fui informado tratar-se de caminhos públicos).
tudo dito e explicado, com mais e mais perguntas sobre mim e, não obstante as respostas, a obnubilação cerebral não lhe permitir processar a informação, chega-se a hora e dizer adeus, ao que vem um estranho e inusitado convite para lanchar em sua casa, que recuso agradecido por ter à minha espera uma festa de aniversário em fajão, com porco assado no espeto,
mas prometi, logo que chegasse a fajão, fazer eco junto do presidente da junta, de todas as queixas e lamentos.
quando estava meia aldeia no passadiço a jantar o porco e o arroz de feijão, chegam dois militares da gnr com ar de quem tem um serviço sério para tratar e todos brincámos sobre a falta de licença para jantar na via pública...
eis senão quando o presidente da junta, pessoa pela qual pergutaram os militares da gnr, me chama e me pergunta se eu tinha ido naquela tarde ao vale pardieiro.
claro que tinha ido.
mas qual era o motivo que tinha feito dois militares da gnr andarem 50 quilómetros à procura de quem tinha ido naquela tarde ao vale pardieiro?
apenas que o tal senhor com quem tinha falado durante a tarde e me tinha confessado ser agente principal da psp, tinha telefonado para a gnr da pampilhosa da serra e dizer-e com medo de um casal que tinha andado a passear pelo vale pardieiro e deu todas as indicações que eu lhe tinha dado, mais o facto de achar que eu teria '40 e poucos anos' e que, só por si é demonstrativo do mal que o vinho pode fazer ao cérebro...
os militares da gnr, após falarem comigo, desculparam-se e pediram-me desculpa pelo incómodo e quando questionados sobre se queria juntar-se a todos e comer alguma coisa, responderam educadamente que tinham mais coisas que fazer.
eu pedi desculpa pelo incómodo e lamentei que um agente principal da psp, que tem todo o direito a beber todo o vinho que quiser nos períodos em que não está a trabalhar, tenha obrigado dois elementos da gnr da pampilhosa da serra a conduzirem 50 quilómetros por causa de alguém que, obviamente, naquele dia nao estava com todas as suas capacidades cerebrais a funcionar.
eu acharia normal que um qualquer casal com 90 anos a viver isoladamente numa aldeia se assuste por ver um estranho na sua terra... mas um polícia vai telefonar para a gnr ????? se tinha dúvidas e medos porque não mo disse directamente?
tal como alguém lhe perguntou à noite quando ele foi a fajão e se justificava que me tinha perguntado 30 vezes quem eu era e eu me tinha recusado a identificar (primeiro porque ninguém me pediu, segundo porque não o costumo fazer a pessoas em chinelos e a tresandar a vinho): se eu não tinha dito quem era, como é que ele sabia onde era a minha casa ou quantas vezes ia a fajão e mais todas as informações pessoais que passou para a gnr?
o que me preocupa nisto, é que gente desta anda armada legalmente...
e o que eu gostava, era que após o dito agente principal ter saído à noite de fajão, ninguém tivesse telefonado para a gnr para o fazer soprar no balão...
o que me chateia mesmo muito, é que não sei se tenho coragem de aconselhar mais alguma pessoa a visitar o vale pardieiro...
16 de janeiro de 2011
Por feiras e mercados...

Sábado é dia de feira para comprar cebolas comestíveis cultivadas em Portugal, já que as da produção doméstica acabaram de ser consumidas. É sempre festivo ir a este local, ou seja, à feira de Almoçageme, quanto mais não seja pela cor e pela diversidade de oferta. Outrora genuína nos seus produtos, hoje não restam dúvidas de que muitos dos géneros vêm de outros países…

Continuam a servir de atractivo a muitos, os doces caseiros e os produtos que os vendedores mais idosos cultivam nas hortas e quintais... Sem intermediários… E que não se associe a visita a feiras e mercados à agenda para as presidenciais. É que nesta romagem a simpatia é genuína ao longo dos 365 dias do ano.
15 de janeiro de 2011
O melhor "film"
Aqui eram acomodadas as fotografias reveladas pela Foto Bazar.
Eram lindas estas embalagens.
Clicar para ampliar.
Eram lindas estas embalagens.
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13 de janeiro de 2011
Sintra:1 Lisboa:0

Quase que me atreveria a chamar-lhe canícula, tendo por termo de comparação este tempo miserável que se tem feito sentir… Os campos encontram-se salpicados do amarelo das azedas a contrastar com o verde das folhas de trevo.
Sentada por breves instantes na esplanada antes de retomar a jornada de trabalho, o calor sintrense quase que me atira para dentro do café. Já de regresso ao trabalho e a fazer fé nas palavras do locutor descubro, com surpresa, que na capital estão menos quatro graus do que por aqui e que a neblina esconde a cidade.
Já se anseia por dias mais longos . O sol a acenar em fim de tarde estava lá para comprovar que, num dos poucos dias do ano, o microclima funcionou de modo contrário. Ganha-se energia em momentos assim, o que leva a relegar algumas pequenas contrariedades de trabalho para o espaço insignificante que as mesmas merecem, ou seja, para uma espécie de temporário arquivo morto, passo o paradoxo.
distracções
sou distraído.
bastante distraído mesmo.
algumas das minhas distracções são antológicas... e um pouco, digamos, embaraçosas (como uma vez que, num eléctrico a caminho do campo santana, eu clamava que me tinham 'gamado' a carteira porque ela não estava no seu lugar habitual... mas sim na minha mão...)
é uma espécie de distracção generalizada e sem nenhuma espécie de especialização.
por exemplo, com a roupa que visto.
já me aconteceu, ir trabalhar com sapatos da mesma cor, mas de modelos ligeiramente diferente, ou de modelos ligeiramente diferentes.. mas um preto e outro castanho, ou esquecer-me do cinto (coisa que, do ponto de vista estético, num vestuário de calças e blazer fica, digamos, um pouco melhor). esquecer da gravata não conta porque acho que isso era mesmo o sub-consciente a actuar em meu proveito.
esta semana fui de manhã ao hospital de são josé para tirar uns pontos, que não tirei, e quando me deitei na marquesa, ao colocar as mãos junto ao corpo, senti uma textura plastificada claramente diferente das calças de algodão que vestia.
.. era uma imensa tira de plástico que as marcas de roupa usam coladas nas calças para facilmente identificar o tamanho, e que eu usei olimpicamente toda a manhã pela zona do hospital de s. josé, onde aproveitar para revisitar os locais que foram meus durante alguns anos...
ainda corro o risco de inaugurar uma moda.
10 de janeiro de 2011
Carpir
Para o meu irmão João Manuel.
Até sempre meu querido.
"Vamos lá. Vamos lá sorrir um pouco. A vida
é isto: fugir-nos como areia entre dedos;
versos soltos por uma outra manhã, ou
versos soltos aconchegando um féretro…
A vida, que é isto (amigos perdem o gás,
súbitos, e vêm então celebrá-los poetas,
os seus queridos poetas), vai descer à
terra, onde nada cessa e tudo se reagrega.
Zona da grã paciência, lá onde o anjo
que partiu dialogará, enfim, com o fantasma;
e os vivos, entre si, pedem lhes seja concedida
nova manhã de luto e luta. Vamos lá, vamos lá"
Paulo da Costa Domingos
Até sempre meu querido.
"Vamos lá. Vamos lá sorrir um pouco. A vida
é isto: fugir-nos como areia entre dedos;
versos soltos por uma outra manhã, ou
versos soltos aconchegando um féretro…
A vida, que é isto (amigos perdem o gás,
súbitos, e vêm então celebrá-los poetas,
os seus queridos poetas), vai descer à
terra, onde nada cessa e tudo se reagrega.
Zona da grã paciência, lá onde o anjo
que partiu dialogará, enfim, com o fantasma;
e os vivos, entre si, pedem lhes seja concedida
nova manhã de luto e luta. Vamos lá, vamos lá"
Paulo da Costa Domingos
9 de janeiro de 2011
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