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imagem:blogs.inlandslocal)
O que nos leva a eleger um romance, um poema, um filme, um tema musical? Tentamos sempre argumentar e certamente alguns conseguirão aprofundar motivos para as preferências, com toda a subjectividade inerente.
Será difícil encontrar explicações. Há dias uma amiga, a propósito de um importante marco, encomendou uma peça alusiva, a marcar pela diversidade de cores e de texturas… pediu aos próximos que a visitassem e escrevessem sobre as impressões causadas. Lá o fiz, a temer que a conhecida autora venha a ler o que algum improviso e as primeiras sensações me ditaram, tendo o cuidado de justificar, quase como desculpa e antes da pessoal interpretação, as associações estabelecidas…
Quanto à escrita, podemos alegar lugares-comuns como o despertar a sociedade de um entorpecimento, a reflexão, a erudição do escritor (sobretudo no denominado romance histórico) a gerar, no leitor, a curiosidade de aprofundamento sobre épocas e personalidades, a magia do universo construído (em alguns romancistas da América latina) o impulso criativo que leva à junção de palavras ou à construção de expressões até então impensáveis (pensando-se aqui nos eleitos escritores africanos de expressão portuguesa)…
Surgiu o pensamento ao ter revisto há dias o filme
Beleza Americana de Sam Mendes, caricatura perturbadora de uma sociedade não muito distante da nossa …
Subitamente, desfilaram pensamentos e associações, tendo evocado uma experiência em sala de aula: no tempo restante e como motivação à leitura os jovens, perto do final de uma meta escolar , contactaram com escritores da nossa actualidade, através de momentos de leitura partilhada. O romance era como que um safanão (à semelhança do filme de Mendes) e, no final de uma das sessões, fui discretamente interpelada por uma jovem «sei que muitos estão a apreciar, mas a vida já é tão difícil, fico deprimida sempre que se avança neste enredo»…
Muito se tem escrito sobre a arte, se terá a mesma alguma função e, não querendo entrar em terrenos movediços, fui ontem surpreendida por um outro filme do mesmo realizador de ascendência madeirense, este datado de 2009 e que , a título pessoal, tinha passado despercebido. Refiro-me a
Away we go ("Um lugar para viver", no título traduzido). A aparente simplicidade de uma história bem contada, a escolha de personagens com observações mais ou menos embaraçosas, algumas algo estereotipadas a fazerem-nos lembrar conhecidos e, notória, a banda sonora do filme, a revelar pessoalmente o compositor
Alexi Murdoch.Sendo uma história aparentemente simples e com um final de reconciliação com um passado de perdas a marcar, ao longo dos tempos, o percurso da protagonista, acaba-se ainda a concluir que é apelativo num realizador a sua capacidade de nos surpreender pela positiva, pois vai para além do contar a mesma história de modos diversos.