10 de setembro de 2010

Lembrar coisas boas: o 10 de Setembro e o 'canard'

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(imagem: Universidade de Lyon)

O primeiro número do semanário satírico (ainda hoje de saúde) Le canard enchaîné saíu no dia 10 de Setembro de 1915. A propaganda à guerra levaram Maurice e Jeanne Maréchal ao imperativo de criarem este periódico insubstituível. No mês seguinte, foi interrompida a sua publicação tendo a mesma sido retomada em Julho de 1916. Entre os primeiros colaboradores do semanário encontram-se nomes como os de Anatole France e Jean Cocteau.


aqui o sítio oficial da publicação.

O aperitivo

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E um Martini pelo fim da Tarde?
Realités, 1952

Modernidade

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E o Fiat 1900...
Realités, 1952

Mais um TPC...

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A ausência por uns dias e um portão que ficou por esquecimento aberto pelo provisório zelador, bem como modificações no volume e comportamento da nossa guardiã doméstica, levaram a crer que algo tinha sucedido... Na passada segunda-feira, o veredicto do veterinário: «devem ser uns cinco ou seis e estão prestes a nascer!»... E não é que vieram "à dezena"? Conclusão: trabalho de casa acrescido...

Mistério

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Lá em casa apareciam mensalmente, pela mão do meu pai que adorava contos. Estes eram policiais e a adaptação brasileira do Ellery´s Queen Magazine. Li-os desde miúda e em adulta fui comprando em alfarrabista e coleccionando. As capas são completamente anos 50 e muito explicitas.. Daí talvez este meu gosto pela Pulp Fiction.

9 de setembro de 2010

O fim da Chapelaria

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Comprei este livro num instantinho, a pedido de um amigo que gosta desta colecção. A capa é de Maria Vasconcelos. Entretanto assisti à retirada de haveres da Chapelaria Vasconcelos e Loja de Ferragens na Morais Soares. Fica-se sempre impressionado com estas coisas. Há Há 84 anos que existia a Albuquerque.

Estofos em napa

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E assim era o Fiat 128, em 1973.

Cinzano

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E o Cinzano num contexto recatado,
Realités, 1952

Cher cherry rocher

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Cher cherry rocher
Realités, 1954

Frappée...

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Quero uma frappée, se faz favor!
Realités, 1954

8 de setembro de 2010

Poivre

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Lindo, que lindo é.
Nouveau parfum a succes de CaronRealités, 1954


Sem cafeína

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Deixo-me embalar por estes reclames desenhados. 
Realités, 1954

Back to school

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(imagem:http://cagle.com/)

O fragmento que se segue tem múltiplas implicações extensivas a desenvolvimentos da actualidade para lá das ambientais ou educativas. Ciente de que cortes orçamentais (também) contribuirão a médio prazo para situações dificilmente resolúveis (haverá maior riqueza para um país do que o aprender a reflectir criticamente? Será tal propósito viável quando metade dos alunos da escola são subsidiados em livros e refeições, chove nas salas de aula e a instalação eléctrica continua a oferecer risco?) fica-se a pensar que não basta certificar com diplomas para as estatísticas da OCDE (ai os números, os números!), sendo o mais importante um saber bem alicerçado não traduzido, decerto, em meia-dúzia de publicitados computadores "made in Portugal" ou mais umas obras (quase exclusividade das escolas secundárias). Fica, pois, transcrito, parte de um “clássico” certamente conhecido de muitos. Para que não restem dúvidas, destaque-se a não defesa do facilitismo em situações de aprendizagem (afirmação baseada em depoimentos de alguns jovens que, mesmo com delicadeza, utilizam o rótulo de “exigente” ao verificarem que a classificação das provas nacionais se revela, não poucas vezes, superior à conquistada ao longo do ano).
Durante debate ocorrido no mês de Novembro/2000 numa Universidade dos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia. O jovem que colocou a questão afirmou ainda que esperava a explicação de um humanista e não de um brasileiro. Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um interveniente determinou a óptica humanista como o ponto de partida para a sua resposta da qual se transcreve um excerto:

[…] Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. […] Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa."

(*) Cristóvam Buarque foi governador do Distrito Federal (PT) e reitor da Universidade de Brasília (UnB), nos anos 90. É palestrante e humanista respeitado mundialmente.

A Janela Alta

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"Parece-me muito. O senhor deve ganhar muito dinheiro. - Bebeu mais um pouco de Porto. Em tempo quente, não gosto de Porto, mas é agradável darem-nos a oportunidade de respondermos com uma recusa."
Raymond Chandler, A Janela Alta
Capa de Lima de Freitas



A Pastelaria Machado







































































Fotografias de VV mano da nossa Teresa,
Vivam  as pastelarias das Caldas da Rainha!

7 de setembro de 2010

O homem que chora

Esta rua é tranquila e viva, à sua maneira. Tem esplanadas várias sempre cheias de gente Existe muito comércio e algum  raro em Lisboa, como uma casa de penhores, uma casa de fazer tabuletas e outras mais já em desuso. Todos os habitantes, mais ou menos, nos conhecemos.
 À noite acalma de todo . Excepto pelo senhor que grita. Todas as noites à mesma hora passa, de voz entaramelada pelo álcool e  expressando todo o vocabulário vernáculo que sabe. Insulta geralmente a "minha mãezinha" (a dele) e adora que o tentem reprimir e lhe dêem troco.  "Olhe as crianças" dizem, "quero lá saber,"responde ele .Volta e meia senta-se numa soleira e desata a chorar. Alto, angustia ouvi-lo. " O que me importa " está ele a dizer agora, enquanto uma vizinha lhe diz" xiu".
Às vezes quando saio de casa muito cedo, encontro-o, exausto de tanto gritar, volteando pelo espaço. Não sei de onde lhe vem esta raiva e tristeza toda, tão matemática na hora e local. E porque escolheu esta rua. Não mora aqui. Estou a escrever e a ouvi-lo. Mas não se esgota, voltará amanhã e depois de amanhã.



Foto de: JJosef Koudelka
Josef Koudelka
RUSSIA. Moscow. 1998.

a silly season é uma pandemia de verão ou é uma questão de temperatura e humidade relativa?


por vezes tenho dúvidas, que é coisa que vou aumentando com a idade juntamente com a barriga e os cabelos brancos.
sobre as mais variadas coisas.
a última dúvida que me assaltou sobre foi sobre a magna questão de saber se a silly season é uma pandemia sazonal, aliada à merecida ociosidade balnear, ou se, pelo contrário, e mais genericamente, é uma questão eminentemente ligada à temperatura e à humidade relativa.
todos os anos, pelo verão, um grupo de madeirenses, amigos do grande cómico que governa a ilha, para mostrar serem dignos dessa amizade, reúne-se numa das esplanadas da praia do porto santo para o que chamam a 'universidade de verão'.
os cómicos, sentados na esplanada do 'henrique', debatem os mais variados assuntos, sempre dentro do espírito monty phyton que impera no arquipélago.
nada de mal, diria eu, que cada um tem direito a tecer as considerações que quer, sobre o que quiser, do modo que muito bem entenda.
estão de férias e não gostam de portugal (nem de serem portugueses) quando estes não lhes estão a dar dinheiro e estão no seu direito.
a minha questão não tem a ver com os hilariantes pândegos de resoluções ao sabor de brisas e corais.
a minha questão com a tal silly season tem a ver com o destaque que o jornal das missas, perdão, que o jornal da madeira deu ao assunto e como se fosse um acontecimento 'normal', digamos assim.
de tal modo é inacreditável o teor da notícia que vos deixo aqui a versão electrónica da dita.


a que propósito me veio isto à lembrança hoje?
a propósito deste assunto tratado hoje em todos os jornais como se fosse uma coisa séria e não apenas de uma coisa hilariante:


já estamos em setembro e o regresso ao trabalho já começou...
será da humidade do ar no arquipélago da madeira?

p.s.:
silly é também continuarem a rebentar foguetes enquanto as encostas da ilha da madeira estão a arder, mostrando claramente que as leis do rectângulo não se aplicam na soberania madeirense.

Viagens «à terra»

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A crónica de Carlos Pinhão divulgada pela T trouxe sorrisos… fica-se a pensar que falta divagar acerca do “movimento contrário”, ou seja, reflectir sobre aqueles que, nascidos em Lisboa (não pela assistência hospitalar, mas por lá terem vivido os primeiros anos de infância até sonharem com saltar muros e subir árvores com toda a cumplicidade materna e paterna), fugiram para locais não muito distantes genericamente desginados por «campo»… E começa-se a imaginar que nas diversas deslocações à cidade, por motivos de trabalho ou de lazer, se passará a dizer casualmente a amigos e familiares «vou à terra» ao invés de explicar que a ideia é ir até à faculdade (na própria freguesia onde se nasceu) ou espreitar as novidades nos palcos da Praça de Espanha…
Para reforçar a ideia, fica um recente “retalho campestre”. Recém-chegada de uma das inumeráveis “runiões” (algumas mais úteis do que outras), tropeça-se num visitante inesperado… A cadela, prestes a trazer à luz do dia uma promissora ninhada, ladra em incontroláveis agitações (quando se deveria sentir calma para o “ importante momento”). Como terá entrado tal espécie avícola, existindo vedação e um portão de dimensões razoáveis? Deve ser exímio voador… E gosta de se exibir para a fotografia... Já não chegavam as perdizes que, em excursão, se passeiam pela relva (para desgosto materno que, ao saber da ousadia, as visualiza estufadas e de pele estaladiça acompanhadas de um perfumado puré de maçã), ou os coelhos a destruírem a horta (o mocho que à noite se hospeda no muro da entrada não incomoda, dado ser visitante civilizado)… Ainda bem que “este campo” não se situa no continente africano!

Os infelizes lisboetas







Uma crónica de Carlos Pinhão para o SI.

A Casa do Alentejo

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Vista pelo Almanaque Alentejano, 1942.

Teresa Batista etc...

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Quando releio as revistas velhas que tenho cá por casa, nunca resisto a saboreardevagarinho as crónicas e colunas de humor do Carlos Pinhão. Grande escritor, sempre actual, que falta que faz. Aqui está uma de 1973, publicada no Século Ilustrado.

A Rosete

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Pouca pomada, muito brilho
Almanaque Alentejano, 1942


6 de setembro de 2010

na compra de quê, oferta do quê?




sempre que passo neste anúncio saltam-me à cabeça as lembranças mais absurdamente variadas.
'isso é muita banda desenhada na adolescência, monty phyton a mais, ou abuso na medicação...' costumo ouvir nessas alturas
mas a verdade que esta promoção de 'na compra de virilha, oferta de axila', para além do efeito poético da rima que me comove, me faz sempre lembrar o
zil zelub, aquele infeliz violoncelista que tinha perdido o controlo dos seus membros, a necessitar, ao fim do dia, de alguma peça em falta que se tenha esquecido de regressar ao corpo depois da fuga.
nos dias de humor mais negro a imagem era mais algum decepado pernil a precisar da virilha como elemento aglutinador para a nova perna e de uma nova axila para substituir a desgastada pelo uso da velha muleta.
'banda desenhada a mais na adolescência', estarão vocês a concordar agora.

mas é mais forte que eu quando tropeço em anúncios tão absurdamente propensos ao delírio.
e é o pobre do zil zelub que agora anda por aqui aos saltos á procura da sua virilha perdida...

Sementes

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Comprar sementes e toca a semear.
Almanaque Alentejano, 1942

Chiado

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Seis anos antes do incêndio, estes eram os artigos apresentados pelos Armazéns do Chiado.
Revista Mais, 1982

Você gasta menos

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Era o ano de 1973, publicitava-se o Datsun 1200 e estas eram as moedas que contavam.

5 de setembro de 2010

Do tostão para o milhão

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Mensagem ainda útil?
1970, SI

Post It

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Post-it, Revista Mais 1983.
Como eu prefiro estes telefones aos actuais...

À procura de um lugar ou como explicar gostos...

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(imagem:blogs.inlandslocal)

O que nos leva a eleger um romance, um poema, um filme, um tema musical? Tentamos sempre argumentar e certamente alguns conseguirão aprofundar motivos para as preferências, com toda a subjectividade inerente.
Será difícil encontrar explicações. Há dias uma amiga, a propósito de um importante marco, encomendou uma peça alusiva, a marcar pela diversidade de cores e de texturas… pediu aos próximos que a visitassem e escrevessem sobre as impressões causadas. Lá o fiz, a temer que a conhecida autora venha a ler o que algum improviso e as primeiras sensações me ditaram, tendo o cuidado de justificar, quase como desculpa e antes da pessoal interpretação, as associações estabelecidas…
Quanto à escrita, podemos alegar lugares-comuns como o despertar a sociedade de um entorpecimento, a reflexão, a erudição do escritor (sobretudo no denominado romance histórico) a gerar, no leitor, a curiosidade de aprofundamento sobre épocas e personalidades, a magia do universo construído (em alguns romancistas da América latina) o impulso criativo que leva à junção de palavras ou à construção de expressões até então impensáveis (pensando-se aqui nos eleitos escritores africanos de expressão portuguesa)…
Surgiu o pensamento ao ter revisto há dias o filme Beleza Americana de Sam Mendes, caricatura perturbadora de uma sociedade não muito distante da nossa …
Subitamente, desfilaram pensamentos e associações, tendo evocado uma experiência em sala de aula: no tempo restante e como motivação à leitura os jovens, perto do final de uma meta escolar , contactaram com escritores da nossa actualidade, através de momentos de leitura partilhada. O romance era como que um safanão (à semelhança do filme de Mendes) e, no final de uma das sessões, fui discretamente interpelada por uma jovem «sei que muitos estão a apreciar, mas a vida já é tão difícil, fico deprimida sempre que se avança neste enredo»…
Muito se tem escrito sobre a arte, se terá a mesma alguma função e, não querendo entrar em terrenos movediços, fui ontem surpreendida por um outro filme do mesmo realizador de ascendência madeirense, este datado de 2009 e que , a título pessoal, tinha passado despercebido. Refiro-me a Away we go ("Um lugar para viver", no título traduzido). A aparente simplicidade de uma história bem contada, a escolha de personagens com observações mais ou menos embaraçosas, algumas algo estereotipadas a fazerem-nos lembrar conhecidos e, notória, a banda sonora do filme, a revelar pessoalmente o compositor Alexi Murdoch.
Sendo uma história aparentemente simples e com um final de reconciliação com um passado de perdas a marcar, ao longo dos tempos, o percurso da protagonista, acaba-se ainda a concluir que é apelativo num realizador a sua capacidade de nos surpreender pela positiva, pois vai para além do contar a mesma história de modos diversos.

As rotas





A Tap em 1967, Revista Notícia

4 de setembro de 2010

No world of their own

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Outra bela capa de Lima de Freitas para a Argonauta.

a senhora Bic

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1959

Mélia

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Segundo reza a legenda, a Mélia Maria estava a gozar um dia de sol na praia. Assim era em 1963. Hoje esta capa seria completamente impensável.

everything ages fast

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Ver aqui

Mito urbano!




Ando mesmo lixado com os economistas!
Invadiram o espaço de debate com as suas lógicas, ideias e opiniões, tanto na imprensa escrita como na televisão. Estou farto de economia, finanças, deficit, contenção, orçamento, taxas, crise, prejuízos, bolsa, impostos, desemprego, subsídios, crédito, BCE, juros, spreads, falências, poupanças, euro, quebras, acções, etc..
Quantas vezes, fazendo zapping, oiço doutos economistas, utilizando argumentos opostos, chegarem às mesmas conclusões: Isto está mal; As medidas tomadas estão erradas; Portugal não vai conseguir sair da crise.
É precisamente este termo ‘crise’ que me azucrina a cabeça.
Para justificarem a crise, uns dizem que os portugueses não estão estimulados para a poupança e atingimos o valor mais alto de sempre de dinheiro colocado em poupanças. Outros dizem que o crédito está mais difícil e no crédito à habitação atingimos um dos valores mais altos dos últimos anos. Por outro lado, assistimos a negócios, com verbas exorbitantíssimas, de compra e venda de cotas de empresas.
Desculpem economistas mas não dá para vos perceber!
Há três dias, em animada conversa com a minha sobrinha R., de 16 anos, coloco-lhe a habitual pergunta:
- E, para o que é que vais?
- Vou para economia!
- Ó sobrinha linda, não! Esses gajos são uns mensageiros da desgraça, aves agoirentas, pessimistas por defeito, só sabem falar da crise.
- Não é bem assim… qual crise?
- Então não estamos em crise?
- Crise! Isso é só um mito urbano!


Foto Richard Kalvar/Magnum Photos

3 de setembro de 2010

Pequenas maravilhas esquecidas

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Era o dia 15 de Outubro de 1957. A Agência Portuguesa de Revistas apresentava a primeira publicação sobre a TV Portuguesa. Director e editor Vítor Direito. Um dos colaboradores efectivos? Artur Portela filho. Durou apenas um ano. A primeira capa reluz ainda. Reconhecem personagem e local?


Afinidades



Dois motivos para apreciar o vídeo: cantigas que, na infância, ouvia à minha avó enquanto fazia as tarefas domésticas e por ter encontrado nas imagens (nem sempre nítidas) afinidades com este blogue.

Diálogo

Ontem, no programa de televisão do Dr. Oz, dizia-se que na maioria dos casais o tempo passado a falar um com o outro é menos de 10 minutos por dia.
Será verdade?

2 de setembro de 2010

A mulher mais linda

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Revista Notícia, 1970

A bolacha Maria

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Admiração

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Ele admira-a...Revista Notícia 1970

Energia

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Ainda não tinha encontrado um anúncio à cerveja preta da Sagres. Ei-lo. Beber dá energia. Beba é vá conduzir ou jogar basquetebol, como dizia a Manecos. Era assim em 1970

Com Maputo no pensamento

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(imagens: oficinasdesociologia.blogspot)

De olhos secos e a disfarçar conversas, sempre que um Verão finda, vejo sólidas (e que falta fazem!) amizades rumarem a Maputo para se dar início a um novo ano escolar. Desta vez, a primeira jornada de uma amiga de décadas, estreante nestas lides, dado tratar-se da sua primeira incursão por terras africanas. Fiquei contente, pois iria conseguir a tão merecida estabilidade profissional (e os alunos certamente ganharão com isso) , embora a parte egocêntrica me tenha feito ficar a pensar em tantos momentos bem-humorados, peças teatrais vistas em conjunto, imensas caminhadas pela nossa bonita vila, visitas à feira saloia de Almoçageme a tornarem-se memória viva em cada soalheira manhã de sábado…
Ontem bem cedo (por lá dá-se início ao horário lectivo às 7.30), uma mensagem na caixa de correio: «estamos bem, embora lá fora soem tiros e receemos sempre por vítimas, sobretudo pelos mais indefesos. A escola fechou e os miúdos foram levados, em segurança, para casa. A família mais chegada daí ainda não sabe de nada, para que não haja alarmismos e preocupações. Mesmo longe, não imaginas quanto estás presente».
Habituada, no passado, a pequenas revoltas (e episódios com certas particularidades em comum que me absterei de esmiuçar) em latitudes igualmente distantes, desvalorizei um pouco a questão. Ao fim do dia e em frente às imagens televisivas, comecei a ficar apreensiva…
Bonita a onda de solidariedade gerada, pois a seguir ao telejornal começou a chuva de mails e sms por parte de quem está mais próximo: «Sabes da L? E da R? Estarão bem?» houve mesmo alguém que conseguiu uma chamada telefónica e de imediato avisou os restantes. Na manhã de hoje continuei a ser inquirida e não me surpreendeu a infinidade de amigos que por cá se preocupam. A amizade é assim... Dou comigo a pensar que, mesmo tendo sentido revolta ao ver jovens feridos e ouvir nas notícias o número de vítimas mortais, a preocupação inicial vai de imediato para aqueles que connosco tanto têm partilhado de bom ao longo da vida. Não pensava deixar reflexão escrita sobre a recente vivência, mas a mesma surgiu após ter encontrado num antigo JL acabado de folhear , uns versos de José Luís Peixoto quando era ainda adolescente. Não receando ser apelidada de «lamechas» (só muito pontualmente), a primeira preocupação vai para os «nossos» em locais conturbados, o que traz à memória este tema de Jacques Brel. E sim, importa que morram crianças!

Que importa se morrem?
Que importa se crianças,
De barriga grande, deitam espumas
De tantas cores pelas bocas?
(…)
José Luís Peixoto, (JL, 14 de Abril de 1992)

Vamos voar?

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1 de setembro de 2010

Ligações

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As cores do vidro fotografadas por Manuela Fernandes. Ou como dar vida ao que já foi útil.

Tem medo de ser feliz?

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Reinava o ano de 1968, as cores brilhavam e os grafismos sorriam.

A cartilha de Domingos Cerqueira por MEC

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Lembro os tempos em que, semanalmente, aguardava no Expresso a crónica de Miguel Esteves Cardoso. Quando, em finais de 80, o título A causa das coisas (compilação das semanais divagações do autor) foi publicado, comprei-o com interesse, tendo voltado a sorrir (como ainda hoje sucede ocasionalmente) durante a leitura de alguns saborosos textos. É que neles sinto que rimos também um pouco de nós próprios, já que o espírito nacional se encontra muitas das vezes decalcado em alguns detalhes (ou "tiques" diria eu…).
Vem a reflexão a propósito de um recente post da T no qual apresenta a cartilha escolar de Domingos Cerqueira em imagem enviada pelo Carlos Caria. Associei-a de imediato às crónicas outrora publicadas no referido semanário. Não estando certa se o livro é de fácil consulta, deixo – na sequência do comentário do Miguel Gil – uma "redacção" sobre o dito manual no qual as crianças davam, em pleno Estado Novo, os primeiros passos na aprendizagem da leitura:
A Cartilha Escolar de Domingos Cerqueira, inspector do Ensino Primário, acaba de ser reeditada pela Lello & Irmãos . No prefácio da 1ª edição, sob o título «Aos senhores professores», Domingos Cerqueira avisa-nos: «O autor da Cartilha Escolar é um profissional. Dirigindo uma escola frequentadíssima, teve necessidade de pôr em prática os melhores processos de ensino, para com o maior aproveitamento dos alunos, despender o menor esforço, porque a sua atenção e actividade havia de distribuir-se, muitas vezes, por quatro classes, qual delas a mais numerosa.»
Na realidade, é um livrinho maravilhoso, dividido em 25 lições, todas deliciosamente ilustradas e graficamente encantadoras. A penúltima lição é patriótica e empolgante «Defende-a e engrandece-a, Para a defender, não duvides verter por ela o teu sangue, se dele a Pátria carece» (pág. 59).
Trata-se de uma alternativa «dura» e «surrealista» ao terno sentimentalismo da Cartilha Maternal de João de Deus e as crianças de hoje devem apreciá-la desmedidamente, nem que seja só pelo exotismo da época.
Finalmente, louve-se o facto da Lello poder oferecer uma edição de tão grande qualidade, em tudo igual à original, com capa cartonada e ilustrações a quatro cores (só a capa é monocromática!) pelo preço de um jornal, 75$00. Devem comprar-se muitos exemplares e distribuí-los a todas as pessoas que encontrarem.

Miguel Esteves Cardoso, A causa das coisas.

Um belo livro

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Pedras Falsas de DIANA DE LIZ
prólogo de Ferreira de Castro
capa de [Roberto] Nobre

A murder is announced

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Numa edição da Fontana Books, publicado em 1950.
A dedicatória é deliciosa: To Ralph and Anne Newman at whosehouse i first tasted "Delicious Death" Grande Agatha Christie. Obrigada TR pela oferta matinal.