19 de agosto de 2010

diabo na cruz, virou



os diabo na cruz são um daqueles grupos que nos fazem acreditar na vitalidade da música portuguesa que vai buscar inspiração na tradição popular.
o seu disco 'virou' é uma enorme viragem na música portuguesa.
é a prova de como é possível misturar o rock com a tradição e como ambos ficam a ganhar com isso:
o rock com a riqueza rítmica e temática da tradição;
a tradição, com a energia e a simplicidade formal do rock.
pela primeira vez oiço um disco e não sei quem ficou a ganhar mais com a mistura: se o rock, se a tradição.
felizmente, foi a música que ficou a ganhar e muito.

depois de andar há algum tempo com este 'virou' em escuta, finalmente assisti ao concerto dos diabo na cruz no sudoeste (depois dos inenarráveis 'joão só e os abandonados').
mesmo tendo em conta que os concertos diurnos nos festivais de verão são coisa vagamente destinada ao fracasso, este dos diabo na cruz foi duma vitalidade que não desiludiu as expectativas.
contando com a grande experiência dos seus músicos (jorge cruz, b fachada, bernardo barata, fernando pinheiro e joão gil), os diabo na cruz trouxeram uma espécie de mescla de hardcore com a tradição popular.
um dos melhores concertos do sudoeste deste ano, seguramente.

não os percam !!


Palavras em Português

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(imagem: tomaradianteira.blogspot)

Inesperadamente sou alertada por uma amiga para este interessante post. Atendendo à pertinência das questões colocadas, a atenção pessoal é mobilizada pelo texto apelativo.
Em sintonia com o poeta quando afirma «a minha pátria é a Língua Portuguesa», recordo amigos que, emocionados, ensinaram o nosso idioma e a nossa cultura em diversos recantos do planeta. Os comentários que deixavam eram coincidentes : «nem imaginam a sensação de ouvirmos, em paragens distantes, pessoas de diversas idades a declamarem versos dos nossos poetas, a conhecerem em profundidade a nossa cultura, a dialogarem em Português».
Os variados relatos diziam respeito a estudantes do ensino secundário (sim, sem descenderem de emigrantes escolheram o Português como opção, a alguns destes jovens, conheci-os e acolhi-os em minha casa) ou do superior, nem sempre directamente ligados a Portugal por factores históricos.
Quando se estima e tenta cuidar das palavras – utilizadas com transparência e não como retórica oca são do mais belo que existe (as desculpas pela subjectividade da afirmação) - o seu valor torna-se inestimável. Por isso mesmo, causa certa apreensão o simplismo de algumas teorias (?) tentando encontrar nomes e rostos envolvidos (não confundir com o conceito de «a culpa morrer solteira») sempre que esbarram em quem – por visibilidade pública – deveria ter maiores responsabilidades na correcção linguística : políticos, locutores, juristas, jornalistas, docentes…
A tese do capital cultural tal como a defende Pierre Bourdieu que, de forma simplista, se poderá resumir ao determinismo “colado” a cidadãos oriundos de meios desfavorecidos a ponto de travar a sua progressão escolar e social custa, pessoalmente, a aceitar (embora o autor seja apelativo e pertinente em muitos dos escritos ). Por isso mesmo e colocando na arena os que, acerca dos maus tratos ao idioma, criticam pais e defendem professores a par de outros que culpam estritamente o ensino, tudo leva a crer tratar-se de uma questão cuja complexidade – não parecendo cingir-se a matéria a um primário “tomar o partido de” - mereceria uma reflexão amadurecida, indissociável de honesta contextualização a servir-lhe de suporte com vista à implementação, a curto prazo, de práticas eficazes.
Sabendo tratar-se de um dos poemas mais utilizados nos últimos tempos – também por destacar a importância da comunicação verbal – fica a sua transcrição por consistir numa alternativa (literária, é certo) a salientar a importância de clarificar conceitos através de algo tão importante como palavras (quando devidamente utilizadas, o que nunca é demais repetir):

São como cristal, as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras, orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes, leves.
Tecidas são de luz e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta?
Quem as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

Pulsar

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Este livro da Miniatura foi comprado pela minha mãe em Outubro de 1954 na Póvoa de Varzim. Mais uma deliciosa capa de Bernardo Marques. As Neves de Kilimanjaro, essas terminam assim: "Mas ela não ouvia nada senão o pulsar intenso do seu próprio coração".




18 de agosto de 2010

meu querido mês de agosto, parte 2: a piscina de fajão

a piscina de fajão em agosto é uma espécie de inferno, sem ser no sentido metafórico da teologia religiosa.
é um inferno mesmo.
dos imaginados pelo dante alighieri.

por uma razão estranha que a minha capacidade de discernimento não consegue descortinar, alguns dos utentes de agosto da piscina de fajão comportam-se como uma espécie de porcos em pocilga, ou têm aquele atitude parva dos meninos cujos pais babados acham que são hiperactivos, mas que são apenas muito mal educados.
e como estão de férias, tudo lhes é permitido e exigível.
e têm alguns defeitos de fabrico:
o principal defeito de fabrico é a falta do botão do controlo do volume de som: falam aos berros para pessoas que estão a dois metros deles e contam a sua (deles) vida, como se aquela coisa interessasse a mais alguém para além deles mesmos, ou para gritarem que vão fazer mais uma 'bomba', ou para berrarem 'olha para mim', como se o mundo existisse apenas num raio de 1mt em volta do seu umbigo.
como gostam de dar nas vistas, fazem campeonatos de 'bombas', que é uma espécie de campeonato de saltos para a água para deficientes mentais.
não lhes passa pela cabeça que a água que salta para as lajes em volta da piscina as torna demasiado perigosas para quem anda por elas (especialmente as crianças que correm mais do que andam), e até para eles próprios, que saltam mais do que pensam.
tomam banho (com shampoo, claro) nos chuveiros da piscina para que todos vejam que são limpinhos (outra hipótese é pouparem água e gás em casa), mesmo que a espuma que cai para as lajes seja demasiado perigosa (a questão da estética do banho em público é coisa que não lhe cabe naquelas cabecinhas pequeninas..), e mesmo existindo balneários com chuveiro a uns 30 metros de distância onde podem fazer exactamente o mesmo, com a porta fechada.

a piscina de fajão tem o grande defeito de ser gratuita, estar limpa, ter balneários limpos, duche de entrada com água quente e de ter as suas regras de utilização escritas em português, que é uma língua não falada pelos invasores de agosto.
falta o tradutor em forma de cacete para os analfabetos funcionais.

felizmente que existem todos os outros meses entre maio e setembro para a piscina de fajão ser... uma piscina excepcionalmente bonita.

os aduf de volta à terra dos adufes




no último sábado os aduf deram um concerto em monsanto.
uma espécie de regresso ao local da influência.
depois de terem trabalhado na expo 98 com algumas adufeiras de monsanto, os aduf regressaram agora para um concerto na terra dos ditos.

um concerto preparado ao pormenor, seguramente para posterior edição em video, e com um alinhamento diferente do que seria o normal num outro concerto dos aduf.
aqui, o aproveitamento das gravações feitas com a população de monsanto, mais a participação das adufeiras de monsanto, deram ao concerto uma unidade formal que o tornou numa espécie de marco para a fase seguinte do projecto: mais coeso e com mais esperança que realmente continue.
a música de influência da tradição popular, está em portugal numa fase excelente, quer de qualidade quer de diversidade.
os aduf são uma prova disso.

aduf, monsanto 14 agosto 2010

pena é que para chegar de fajão a monsanto (uns 100km, pouco mais) tenha que demorar mais de 2 horas (sim. para cada lado).
a grande vantagem é que num sabado de agosto há sempre uma festa à nossa espera para alimentar o estômago, mesmo que sejam 2 e meia da manhã. e lavacolhos acolheu-me com umas deliciosas bifanas acabadas de grelhar...

meu querido mês de agosto, parte 1: os incêndios de fajão




o ano em fajão divide-se em duas grandes épocas:
agosto e o resto do ano.
o 'resto' do ano é tão bom que lhe 'desculpo' o agosto.

o agosto em fajão são os incêndios ou os medos deles;
a 'tradição' diz-nos que os grandes fogos em fajão são um assunto de década.
com uma pontualidade quase absoluta, as chamas chegam junto à aldeia a cada década, no ano 5º.
o último teve o seu pico mais intenso a 15 de agosto de 2005.
pelo meio são incêndios mais pequenos, como uma espécie de pré-aviso de catástrofe.
depois de 2005, principalmente com os sapadores, tem havido uma imensa preocupação com a abertura de corta-fogos, limpeza de bermas e de matos junto às aldeias da freguesia.
provavelmente evitará males maiores que seguramente virão.
este fim de semana o incêndio atacou na encosta em frente, na cota superior das gralhas, onde há uns 15 dias dias tinha havido um outro provocado por um 'incidente acidental': uma fagulhas duma serra a cortar madeira.
a rapidez do ataque foi assombrosa e a eficácia também: uns rápidos jactos vindos de um avião apagaram o fogo com uma velocidade que parecia ficcionado para material de propaganda.
em menos de meia hora estavam no local 2 helis, 1 avião, os sapadores e o fogo apagado.
desta vez, pelo menos por uns dias, o medo dum grande fogo está adiado.
mas a questão em fajão parece ser sempre essa:
está adiado.
apenas.

O jornal guardado


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Em 15 de Agosto de 1945 o Japão rendia-se. Eis a capa do DN que alguém guardou numa caixa que me ofereceu com papelada vária. Disseram, "acho que vais gostar". 
Obrigada irmãs Gouveia:)

Planos directores municipais e outras coisas mais...

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Em dia festivo e a caminho da praia, sou alertada para o letreiro de licenciamento da obra. A primeira reacção foi sentir que poderia figurar em rubrica de «Portugal no seu melhor» dado o «rigor» da informação presente no cartaz. Passando à fase de interiorização e para quem gosta de ter nascido na nossa (com destaque para o possessivo) varanda sobre o mar, o riso passa de imediato à ironia amarga. O grande empreendimento, a escassos metros da beira-mar, traz à lembrança os tempos em que a paisagem era respeitada para deleite dos veraneantes, deixando-se a questão da sustentabilidade ambiental para os especialistas.
Pensando que a praia se situa no concelho de Óbidos, localidade preservada, conceitos como o de ordenamento do território parecem subitamente converter-se em título de obra ficcional de gosto duvidoso… e fica o post porque se gosta de ser portuguesa e de viver em Portugal.

Combinação

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Quem ainda usa?

Figurinos

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Alguém ainda está em roupinha de andar por casa?

Vampiro Magazine

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Mais uma capa, esta do Vampiro Magazine de 1950, com uma bela capa de Cândido da Costa Pinto.Era uma época em que os grandes pintores e ilustradores o faziam, mesmo para um simples magazine policial. E viva o surrealismo!

17 de agosto de 2010

Before the fact

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Resgatei-o hoje, pela módica quantia de 50 cêntimos. A capa é de Roberto Araújo, com a qualidade e encantamento do costume. O livro "Before the fact". Acaba assim. 

" E era, realmente, uma pena que ela tivesse de morrer, quando gostaria tanto de viver".

A sopa de Ossos

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A maravilhosa receita de sopa de ossos da Knorr, 1966

Raparigas cultas

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Ora encontrei este livro por acaso. Colecção das raparigas cultas. E já mostro mais. A autora conhecem, Odette de Saint Maurice. Engraçada esta pequena nota biográfica.





16 de agosto de 2010

Evocando Elvis Presley através de Graceland

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Graceland, residência de Elvis Presley, situa-se no número 3734 do Presley Boulevard em Memphis, Tenessee.
A moradia de 24 divisões integrada numa área de 13 hectares foi convertida em museu no ano de 1982 , tendo passado a ser considerada património histórico.
O cantor, sentido a ameaça dos admiradores e receando pela segurança pessoal, decidiu refugiar-se neste reino onde instalou família e antigos companheiros de escola convertidos em jardineiros, motoristas e contabilistas.
Após a morte do rei a 16 de Agosto de 1977, a luxuosa mansão passou a ser visitada por fãs de todo o mundo.
É hoje a segunda residência privada mais visitada nos Estados Unidos, sendo a primeira a Casa Branca.

Agradecimentos: l'Intern@ute Magazine

Blue Suede Shoes

Graceland

O Livro da 4ª Classe de 1954

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Livro Elementar de Leituras da 4ª Classe

Autores: Manuel Subtil, Cruz Filipe, Faria Artur, Gil Mendonça
Livraria Sá da Costa

Capas e Capas

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Uma capa de 1967 da Crónica Feminina. Hoje não seria publicada com tanto pormenor.

Bronzaline

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 Este anúncio não é nada bonito, mas não resisti ao apelo do Bronzaline. Era aquele bronzeador que as mães proibiam e com que nós generosamente nos besuntávamos. O cheiro ainda está na minha memória. Reinava o ano de 1969.

15 de agosto de 2010

A felicidade

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Outra bela jovem, que propõe : Aumente a sua biblioteca sem gastar mais dinheiro. Você também se sentirá feliz.
APR

Ninotchka



Um belo filme para ver ao domingo.

E ter o prazer de ouvir e ver Greta Garbo a rir.