20 de agosto de 2019

O tempo por testemunha

Cora Coralina
Faz cento e trinta anos, nasceu uma menina bem por ali, pelo sertão de Goiás, no coração do Brasil, num lugar onde o tempo se encarregaria de transformar cidade em sinônimo de poesia.  Faz cento e trinta anos. 

Não havia, naquele tempo, quem previsse se ia chover ou não. Não havia mais do que o barulho de pássaros anunciando a manhã e o rumor do rio em movimento lambendo as pedras. 

Havia apenas a certeza de um novo nascimento. 

Faz cento e trinta anos e o tempo, testemunha desse milagre, parece não ter passado quando se pensa em poesia.  A janela da casa velha da ponte, segue aberta. Ainda dá para o mesmo horizonte que viu a menina Aninha nascer. 

De lá daquela janela, a menina que se fez Cora Coralina, segue impregnando quem quer que se aventure a lhe enxergar com o sabor doce dos seus poemas. 
Agora mesmo, nesse exato momento, como cento e trinta anos atrás. 

Tendo apenas o tempo por testemunha.   

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