11 de dezembro de 2015

Memória de Lisboa


Hoje regressei a uma das minhas casas de diversas memórias (quase todas boas de evocar): a Faculdade de Letras.

Antes da saída do edifício e numa expectativa difícil de reprimir, desci à cave, para confirmar se a excelente livraria, com títulos que só lá se encontram, ainda se mantinha aberta (é que, há cerca de um ano, o livreiro desabafou, com um "brilhozinho nos olhos", que não sabia se teria condições de manter aberta a porta).

 Com uns escassos vinte minutos para descansar, perguntei-lhe se tinha livros de fotografia. “Alguns, mas pouca coisa, pois esta casa é mais ligada à literatura e à linguística”. Confortavelmente sentada num sofá vintage, acabei por ficar rendida a este livro com fotografias e textos de Rómulo de Carvalho (sim, o nosso António Gedeão).

Li na introdução que encontraram, nos seus apontamentos em pastas de arquivo, diversas imagens e apontamentos sobre Lisboa. Deixo-vos aqui um deles, que me fascinou, pois trouxe-me à memória a “senhora Maria da hortaliça” que, em carroça puxada por um burro, e munida de uma balança de pratos, vendia os apelativos produtos na Praça de Londres e ruas do Bairro do Arco Cego.

Fotografia: © Rómulo de Carvalho, Memória de Lisboa, Relógio D’Água: “Venda de hortaliça na Rua Augusta", 1976

6 comentários:

M disse...

Eu lembro-me dessa carroça (nasci em 1973).

Luísa disse...

Várias coisas interessantes neste 'post': a livraria da FLUL não está fechada!! (Como sobrevive um estudante de letras sem uma livraria por perto!?!)
Depois, as diferenças que o tempo cria, seja na indústia automobilística, seja na forma de vnder produtos ou, mais fascinante ainda!, haver carros na Rua Augusta (a não ser que me tenha escapado um outro aro daquela dimensão). Coisa impossível nos dias de hoje, quando se luta por uma Baixa sem carros...

teresa disse...

A permanência da livraria é algo que muito me alegra, Luísa, pois os livros são, muitos deles únicos, apelativos e fazem muita falta nesta área das Humanidades. Durante o dia, algumas preciosidades encontram-se expostas cá fora, no corredor. É um local onde apetece ficar sem tempo, sempre em busca de preciosidades (o facto de ficar na cave, sem luz exterior, mau para quem lá se encontra todo o dia, acaba por ser positivo para quem quer mergulhar nos livros, sem se distrair) :)

roskopf disse...

Entao e ninguem liga o nome de Rómulo de Carvalho, a um poeta, que era apaixonado pela fotografia?

teresa disse...

Fiz referência ao autor como o conhecido poeta, foi para mim surpresa a qualidade do fotógrafo.

roskopf disse...

Peço desculpa, so verifiquei mais tarde que tinha referido o poeta, mas já não consegui retirar o meu comentario