31 de outubro de 2012

A mulher das gaivotas

E ontem ao entardecer, descubro a variante da senhora que dá milho aos pombos: a senhora que dá comida às gaivotas. Comovem-me sempre estas mostras de afecto com os animais. Simples e eficientes solidariedades.


O mar ao fundo

Sempre os cafés e a Castello e o livro que viaja comigo. Vai mudando, mas este é duma colecção que prezo, a Caminho Policial. O mar não se vê, mas adivinha-se.


30 de outubro de 2012

Mais uma corrida, mais uma viagem.

Há muito tempo que não os via e deu-me uma grande saudade de dar uma corrida e ir pedir fichas aos senhores da bilheteira.  Vim encontrá-los na feira de Monchique, no passado domingo


Entre bruxas, queimadas e conjuros (não confundir "com juros")

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Já por aqui se tem mencionado essa festividade das américas, a dar pelo nome de Halloween. O que pelas aldeolas da vizinhança se tem vindo a deixar extinguir, é o Pão-por-Deus: a campainha quase cessou de tocar no tal feriado em vias de extinção, a ponto relegar para uma nebulosidade amnésica , a compra de rebuçados com que se saudava a criançada . Em tempos, percorrendo um livro da biblioteca municipal verificava-se, com algum espanto, uma referência do senhor Noam Chomsky ao facto de aquilo que temos como tradição, nem sempre (quase nunca) o ser … Não se duvida de que no mais recôndito do nordeste transmontano se seja mais tradicional do que na tribo suburbana à qual se pertence (mesmo sonhando-se, no íntimo, com o não alinhamento…). Fazendo de advogada do diabo (t’arrenego, te esconjuro!), declara-se ser fascinante encontrar pontos de contacto em relatos de diversas latitudes – assim acontece com uma rainha que , sem o esperar, viu o pão que transportava na clandestinidade convertido em rosas, maravilha reivindicada por distantes países do velho continente. O mesmo sucede com os temas do romanceiro tradicional, recitados junto ao fogo da lareira, em cozinhas de paredes enegrecidas e que, em eras longínquas, eram levados pela tradição dos viajantes que, a cavalo, percorriam montes e vales detendo-se para descansar «contando um conto, acrescentando um ponto»… Parece que, nesse nordeste mais tradicional, também se comemoram noites de bruxaria, com pragas à mistura num caldeirão que, na vizinha Galiza, serve para o preparo das tão célebres queimadas. Apesar de tudo, receia-se a perda de algumas características talvez mais genuínas, não sendo confortável à escriba a descaracterização por imitação. É que nem sempre o mais fácil e transmitido por enlatados da tv (videojogos e afins) a determinada faixa etária , se extingue por aí: há conceitos que se enraízam, apagando o que, na génese (e aqui as desculpas ao senhor Chomsky), aparentavam ter cimentado um pouco a nossa identidade (ideia peregrina num mundo a perder fronteiras), mas talvez seja isto uma divagação (sem rumo, como vai sendo hábito) ao correr das teclas, tentativa de náufraga a agarrar-se à tábua de salvação, fazendo coro com o sociólogo (dizem alguns, “para que servem eles?”) : “tenho o direito a ser igual sempre que a diferença me inferioriza; e tenho o direito a ser diferente sempre que a igualdade me descaracteriza”

29 de outubro de 2012

em barcelos a crise atinge também os mortos




há uns anos que os vivos de panque, barcelos andam a prometer obras no seu cemitério.
talvez por ser mais importante uma inauguraçãozinha num largo qualquer, a obra necessária para os mortos foi sendo sempre ultrapassada por algumas desnecessárias para os vivos.

panque já tinha sido noticia há uns tempos porque durante o restauro de uma igreja da freguesia (são martinho, mondim) ali tinha sido descoberto uma antiga necrópole bastante activa na idade média.
como tem acontecido muito por barcelos, as intervenções feitas ficam pela obra de fachada num momento para depois caírem no esquecimento e na degradação total, que era como estava essa necrópole nos últimos anos (não sei exactamente como andará agora que não ando por barcelos há uns 2 anos).
já aqui falei algumas vezes do abandono total do castelo de faria, mas esta necrópole só não é tão grave porque, de facto, a sua importância é bastante reduzida comparativamente ao castelo, determinante na fundação de portugal enquanto nação independente.

hoje, panque voltou a ser notícia pelos seus mortos.
é que o cemitério de tão ocupado que está, tem agora os seus mortos a ser enterrados nos passeios do dito.
não sei exactamente como os vivos chegam agora às campas dos mortos, ja que os passeios têm mortos também, mas provavellmente os mortos têm tempo para esperar
a verdade é que se para os vivos as coisas não andam fáceis por barcelos, para os mortos não andam melhores.
a diferença é que que aos mortos já nada lhes importa.



Adivinha

Aqui nasceu um grande artista português, que eu muito evoco, porque muito o aprecio. Onde nasceu e quem é?


28 de outubro de 2012

A coelha

Um nome singular para os dias que correm. Não é a minha praia, certamente.


O espreitador

E esta figura humana espreita-nos maliciosamente do alto do pórtico da Sé de Silves. O canteiro deve-se ter divertido a esculpi-lo.

A amiga dos gatos de Salir

Salir estava mais animada. Encontrámos um senhor de idade, este gato de cor inusitada e dezenas de outros gatos, mais a senhora que cuida deles. "Alguém tem que ajudá-los, não é?" diz ela.




O gato preto

E os gatos são os únicos sinais de vida que encontramos em Querença- Este a vigiar o jardim.





Crise

Assim se vence a crise em Loulé.

A cidade : memórias a preto e branco

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As cidades são desenhadas no imaginário pessoal a fervilhar de vida, percorridas no quotidiano por anónimos que a revitalizam em som e movimento. A nossa foi-se desertificando, reavivada na memória por imagens antigas, a preto e branco.

Lisboa (Chiado), fotografia recebida sem referência ao autor.

27 de outubro de 2012

Mural

Se o outro gatito nos espreitava em Querença, este não era ali. 
Olhar a cidade Loulé e pronto.

Olhar

Gosto destes algarvios gatos, que não nos receiam e nos pedem uma festa. Olham-nos assim.


A casa dos quatro beijos

A passar pela estrada fora, vimos o nome da casa. E demos quatro beijos, porque sim.


Sol e pedra

É uma cidade com um ambiente diferente. Por isso gostei deste toque do sol na pedra. Direi que é no Algarve e mais não digo. Reconheceis a cidade e o edifício?
Sé de Silves

25 de outubro de 2012

Paris: Rolling Stones dão esta noite concerto surpresa

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(imagem: make-up-addict.over)

Os Rolling Stones vão apresentar-se hoje em Paris, num breve concerto, revelou o grupo no Twitter, provocando enorme agitação. O concerto de curta duração, terá lugar no Trabendo, sala do nordeste parisiense (La Villette), com capacidade para 700 pessoas. Só 350 bilhetes foram postos à venda, deixando antever um elevado número de convidados. O guitarrista Ronnie Wood referiu à publicação britânica NME, que a banda se deslocaria a Paris e tencionava surpreender com concertos surpresa em pequenos auditórios. Os bilhetes, com o preço de 15 euros, foram vendidos em número limite de dois por pessoa. Tudo isto foi preparado em secretismo «há 10 dias, recebemos a visita surpresa do responsável pela tournée dos Stones e do produtor, ligado às Encore Productions» - disse à APF Alexis Bernier, co-diretor do Trabendo, «ficámos a saber que tinham visitado todos os auditórios parisienses com uma capacidade de 300 a 800 lugares. Contactaram-nos alguns dias mais tarde, para nos informar que a sala correspondia ao universo artístico, sem mais nada dizerem»- acrescentou. Quanto ao perímetro de segurança, tudo é controlado pela comitiva dos Stones« eu encontro-me nos escritórios do auditório, mas não tenho sequer acesso à sala!», acrescentou Bernier. Na manhã de hoje, um perímetro de segurança tinha sido instalado nas imediações do Trabendo, sala carismática onde se apresentam os novos talentos. Os fãs esperavam juntavam-se junto à megastore da Virgin, na Av. dos Campos Elíseos, único ponto de venda dos bilhetes. A notícia só foi posta em circulação à meia noite de quarta feira. Desde então, formou-se uma pequena multidão a tentar conseguir ingressos. À chegada era distribuída uma senha com um marcador indelével, o que permitia a compra dos bilhetes. «É excecional poder vê-los nestas circunstâncias»- exclamava Juan, um sexagenário que correu para as instalações da Virgin, assim que ouviu a divulgação na rádio. Na segunda feira será diferente o público que vai assistir ao espetáculo da banda -  convidados privilegiados da Carmignac, uma sociedade francesa de gestão que cresceu de modo significativo nos 10 últimos anos encontrando-se, na atualidade, entre «os pesos pesados» do continente europeu. Gerindo fundos superiores a 53 bilhões de euros, a Carmignac possui  meios para oferecer aos seus clientes como “prenda” a mítica banda de rock. Depois de Paris, os Stones devem dar, até ao fim do ano, 4 concertos em Londres e nos Estados Unidos, mas com entradas que irão ascender a cerca de 500 euros.

Fonte: L'internaute magazine

O meu amor é traiçoeiro

Em 1963, Laura Alves obtinha um sucesso retumbante no Brasil com a peça "O meu amor é traiçoeiro".



Vizinha

Estou a abrir a porta da rua e aproxima-se uma velhinha vizinha toda bonita e arranjada. "Desculpe menina, sabe o que a fechadura diz à Chave? " Eu sorrio, digo que não sei. " Ó filha, mete-te toda!". E afasta-se toda risonha, rua abaixo.

 Foto: Magnum, Herbert List

24 de outubro de 2012

Reaproveitar



 Um belo blogue de reaproveitamentos do que se encontra calçada fora.
Aqui.http://tesourosdecalcada.blogspot.pt

Em tempos que já lá vão...


"Em tempos que já lá vão, no parque da Palhavâ era o Jardim: Zoológico de Lisboa. E no parque da Palhavâ , então às portas da cidade, se deram os feitos notáveis do reinado de El -Rei Camelo que nesta história vou contar aos meninos. Nesse tempo vivia no Jardim¡ Zoológico a família dos Leopardos, pai, mãe e filho. muito respeitada por todos o sem vizinhos,os Urso, e os lobos, e os Chacais, e os Cães do Terra Nova. e os Gatos Angóras que tinham casa ali perto. O filho, o sr. Leopardo Júnior, era o moço mais esbelto daqueles reinos.. De pêlo Iuzidio e olhos de porcelana, passava o'dia a brincar com os pais, se os pais estavam para a brincadeira, ou a jogar sozinho o jogo da bola, com uma bola de madeira de grandes dimensões. Em frente viviaa outra família por igual respeitável.Esta chamava-se o dos Gatos Angorás:-pai, mãe, dois filhos e uma flha. E Menina Angorá era tão linda, com os seus frisados cabelos em torno da cabeça de boneca, com os seus olhos redondos como contas, com a cauda farta de rainha, que até o vizinho chacal , cavalheiro de poucas falas, a tratava por Vénus da Palhavã."



Texto de Sousa Costa, Desenhos de Emmerico Nunes, História de El-Rei Camelo, Biblioteca dos pequeninos

A LÍNGUA DAS VARINAS



"Os pudibundos dizem que a linguagem das varinas da Madragoa, faz corar qualquer um, mas, felizmente, há quem encontre naquele vocabulário as delícias dos dicionaristas. Varinas (que quase não há) e Madragoa (que vai subsistindo) têm apenas um ocasional ponto de encontro geográfico naquele bairro lisboeta. As varinas (ou as suas bisavós ovarinas, mais ou menos recentes) vieram nos bandos dos pescadores de Ovar que procuravam melhores condições de vida e foram criar a Caparica, as «palafitas» dos saveiros do Tejo e se alongaram mesmo até ao Algarve num percurso ainda hoje sinalizável. A Madragoa, hoje um bairro com características dos século XVIII e XIX, é de origem árabe. Madragoa, era a mulher ordinária, desarranjada ou excentricamente vestida. Ainda não há muito tempo, escrevia Aquilino Ribeiro na Estrada de Santiago: «Apanhasses-te tu em Britiande e que vá arrancar-se com quanta bófia tem (...) assim mesmo a grandessíssima madragoa"
Roby Amorim  "Elucidário de Conhecimentos quase Inúteis", Edições Salamandra, 1985.


Fotografia: Joshua Benoliel 1912 

23 de outubro de 2012

Bristol Club Dancing

As noites mais alegres de Lisboa são as do Bristol Clube Dancing. 1927, capa da Revista ABC de autoria de  Jorge Barradas





Quiosque

"O homem do quiosque acabava de tirar os taipais e expunha a mercado-ria: jornais, revistas e folhetos, cautelas, a lista da. Santa Casa. [..] Dentro do quiosque, era ainda noite escura, Cheirava a limão, capilé, café requentado, charuto de picar, e o garoto aspirou com delícia estes aromas. O homem agachou-se, saiu pela portinhola debaixo do balcão, e continuou a pendurar a fazenda. — Olha o Texas-Jack. Este ainda a gente não leu. Oh, paizinho, compre-nos o Texas-Jack!"



 Escola do Paraíso, José Rodrigues Migueis
Fotos do Arquivo Municipal de Lisboa

Mês Napoleão



"Prosaicamente, chamamos-lhe hoje o décimo-terceiro mês, sem recurso a qualquer tipo de mitologia. A sua generalização é uma conquista muito recente, mas o preceito tem quase dois séculos. Ciente de que os esforços e a determinação devem ser pagos, ou que aumentam precisamente por serem pagos, Bonaparte instituiu o 13? mês para as suas legiões. Gratos, os soldados passaram a chamar-lhe o mês napoleão, mas a expressão perdeu-se."

Assim explica Roby Amorim o décimo-terceiro mês, no seu "Elucidário de Conhecimentos quase Inúteis", Edições Salamandra, 1985. Livro este que é uma preciosidade e foi comprado por 50 cêntimos na rua.




22 de outubro de 2012

«Coisas sólidas e verdadeiras»

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Imagem: Sheffield Park, Sussex/Luke Mcgregor - Reuters


Enviaram-me hoje uma crónica de Manuel António Pina, sobre uns melros que nasceram nas trepadeiras em frente à janela de sua casa. Ao vê-los tornarem-se livres e sentindo próxima a largada destas aves que gosta de contemplar – também me fazem companhia pelas proximidades, também já vi alguns ninhos nos cedros do caminho que me conduz a casa –  retrata-as com a expressão «coisas sólidas e verdadeiras». E termina com o parágrafo: «Em breve nos abandonarão e procurarão outro território para a sua jovem e vibrante existência. E eu tenho uma certeza: não, nem tudo é política; a política é só uma ínfima parte, a menos sólida e menos veemente, daquilo a que chamamos impropriamente vida»... O que serão as cores de outono senão «coisas sólidas e verdadeiras»?

 Chanson d'automne

21 de outubro de 2012

Vou pensar nisso

"Não estou de acordo nem em desacordo. E você? Olhe...vou pensar nisso. Espere...Acho bem dar o Samuel Beckett ao prémio Nobel" (dizia assim Mário Cesariny)

Em 1969 , Samuel Beckett recebia o prémio Nobel da Literatura.
Alguns escritores portugueses pronunciavam-se sobre o assunto no Século Ilustrado.








Poupar

Palavra chave para a culinária nos dias de hoje. E ontem já foi assim...Aproveitar, reciclar, utilizar integralmente os alimentos de que dispomos.
Receitas Royal. Clicar na imagem para aumentar.



rokia traore hoje na gulbenkian !!!

hoje, 21 de outubro, estará no grande auditório da fundação gulbenkian aquela que é seguramente a maior voz feminina da musica do mali.
aqui falei dela a propósito de questões laterais.
volta aqui hoje à casa exclusivamente por si só e pela qualidade da sua música.
numa terra cheia de excelentes músicos masculinos, rokia traoré ousou desafiar os preconceitos e começar a cantar no feminino.
a sua vinda a lisboa, dentro do ciclo 'músicas do mundo: roots' da temporada de música da fundação, será um retorno à tradição mandinga.
será um oportunidade excelente para ver e ouvir, a preços razoáveis, uma das mais importantes vozes de áfrica.
a ir !!



19 de outubro de 2012

Manuel António Pina: A poesia vai acabar...

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Deixou-nos o poeta, o cronista, a voz inequívoca num universo tantas vezes marcado pelo marasmo . Fazem falta vozes como a do poeta, a lembrar que não teremos de ser assim … indiferenciados. Há notícias que nos apanham de surpresa, nem sempre pelos melhores motivos. Esperava que Manuel António Pina ainda tivesse tanto a dar-nos, sobretudo (egoísmo pessoal) em tempos de desencanto.

 A poesia vai acabar,
 os poetas vão ser colocados em lugares mais úteis.
 Por exemplo, observadores de pássaros
 (enquanto os pássaros não
 acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao
 entrar numa repartição pública.
 Um senhor míope atendia devagar
 ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum
 poeta por este senhor?» E a pergunta
 afligiu-me tanto por dentro e por fora
 da cabeça que tive que voltar a ler
 toda a poesia desde o princípio do mundo.
 Uma pergunta numa cabeça.
 — Como uma coroa de espinhos:
 estão todos a ver onde o autor quer chegar? 

 Manuel António Pina

a propósito de algumas questões que me foram colocadas

este post era para ser um comentário, mas acabou por ser demasiado extenso, como normalmente acontece comigo.
garanto que procurei resumir a minha resposta às questões colocadas pelo 'pirata vermelho.
se eu soubesse, resumia melhor, assim respondo longo, chato e embrulhado.
peço desculpas antecipadas.

caro pirata,
vamos tentar sistematizar as questões que me coloca por forma a tentar responder integralmente às mesmas:
1.
quanto ao título e às palavras em língua estrangeira que lá estão (pitt broken), identificam o agrupamento musical que gravou aquela música e que no vídeo em questão a está a tocar.
sobre a origem do nome, poderá perguntar aos próprios através da sua página no facebook (livro de caras, em português), sabendo eu que tem a ver com algumas das suas influências culturais musicais,
2.
quanto ao vocábulo 'cover' que, na linguagem musical da música popular urbana costuma significar 'versão', significa que aquela canção, que em português se poderia chamar mau romance, é da autoria de um outro compositor e autor que não aqueles que a estão a cantar, neste caso uma senhora, cidadã dos estados unidos, chamada stefani germanotta, que utiliza o nome artísitico de lady gaga (as razões desta escolha deverá perguntar igualmente à própria).
penso que estão respondidas as questões relativas a pitt, broken, cover, bad, romance, lady e ga (que presumo ser abreviatura de gaga)
vamos agora a mais umas questões:
1.
 pergunta-me se a canção é de natureza espiritual ou política.
presumo que sinta que existem mais opções para além dessas duas, mas deve ter querido apenas saber se esta encaixa numa destas, deixando de fora todas as outras possíveis.
eu, como materialista, diria que nenhuma canção é espiritual, mas adiante.
2.
nesta canção como em milhões de outras, se pesquisar no google (como penso que tem exclusividade de preferência pelo português, poderá fazê-lo no sapo) ou noutro motor de busca com o nome da canção e a palavra letra (bad romance letra), a mesma deve aparecer quase instantaneamente.
para a traduzir, utilize um tradutor automático disponível em muitos motores de busca, nomeadamente no google.
a questão quanto ao conteúdo da canção poderá avaliá-la por si. eu classificaria como uma canção de amor, mesmo que pouco convencional, com gente feia a amar-se (feia por fora, que por dentro não há ninguém bonito. somos todos tripas, gorduras, sangue, músculos....)
3.
quanto à natureza do que chamo o filão de braga e arredores (mão morta, peixe avião, partizan seed, la la la ressonance, at fredy’s house, mundo cão…) tem a ver com um movimento cultural musical extremamente activo e diversificado que, numa pequena área geográfica, tem um produção não existente noutras zonas mais populosas.
finalmente, a questão das qualidades vocais e instrumentais do ‘rapazito’.
1.
a qualidade de voz é uma coisa tão discutível como qualquer outra, do mesmo modo a questão da simplicidade da execução de um qualquer tema. woody guthry (o nome é mesmo assim, em estrangeiro) dizia que alguém que soubesse dois acordes tinha a obrigação de os utilizar como uma arma; johnny cash, assumia abertamente que nos primeiros anos da sua carreira apenas sabia 3 acordes (coisa facilmente audível nas suas músicas); josé afonso escolheu o rui pato para o acompanhar nas primeiras gravações, não seguramente por ele, ao tempo ser um bom executante (foi mais porque não tinha outro disponível na altura da gravação), mas porque era o mais útil para aquela tarefa naquele momento.
a voz de bob dylan, leonard cohen, tom waits, neil young ou alfredo marceneiro, estão a léguas que cumprirem alguns dos requisitos para aquilo que se pode identificar como uma ‘boa’ voz.
uma voz numa canção tem uma utilidade e é dessa utilidade que eu me ocupo quando analiso se gosto de uma voz ou de uma interpretação.
quero cantores que me digam o que estão a cantar e que me façam sentir o que cantam.
a celine dion tem uma enorme extensão vocal e é muito afinada. que bom para ela...

no caso da canção bad romance, prefiro claramente a versão simplista e ‘feia’ dos pitt broken, à versão pirotécnica da lady gaga, porque está muito mais de acordo com o que a canção me diz.
dando alguns exemplos do que para mim é a utilidade da utilização de uma voz ou forma de cantar em diferentes estilos de música: o pavarotti era excelente no canto lírico e absolutamente horroroso e assassino a cantar música pop; os cantores de tuva são excelentes nos cantos guturais mas execráveis a cantar versões de pop/rock; a mezzo-soprano anne sophie von otter é deslumbrante no canto lírico (especialmente no barroco, digo eu) e deslumbrante a cantar música pop, porque sabe utilizar registos diferentes para canções diferentes.
os fadistas, cheios de 'portamentos' arrastados, estariam a léguas da 'qualidade técnica', não fora o facto de o fado ficar melhor com aquele arrastar sofrido da voz entre as notas.
canções diferentes necessitam de vozes diferentes e técnicas de canto diferentes.
a ‘boa’ voz é uma coisa tão discutível como qualquer outra e uma boa voz para uma coisa não quer dizer que seja uma boa voz para outra.
os quadros de excel são bons para mentes quadradas, como o nosso ministro gaspar que acha que o mundo é assim. mas não se aplicam nem no mundo, nem na música.
o que eu questiono numa canção, e neste caso concreto, é se aquela voz ajuda a perceber e gostar daquela canção.
para mim a resposta é sim.
se gostava de ouvir o ‘rapazito’ a cantar palestrina? a resposta é não.
2.
a questão da simplicidade musical.
no geral, é mais fácil fazer complicado do que simples.
a simplicidade custa porque se torna mais visível, e não tem nada a esconder.
a complexidade ajuda a esconder fragilidades no meio do aparato.
mas música não é melhor nem pior por ser mais ou menos complexa. é difícil existir uma música mais ‘quadrada’ do que uma valsa e no entanto o richard strauss não é um compositor menor.
na música contemporânea, os minimal repetitivos não são compositores menores por serem minimais e repetitivos, e não escolheram aquela via expressiva por não saberem compor uma melodia.
a qualidade de uma música vem da percepção que dela têm os que a ouvem. independentemente de os outros gostarem dela ou não; tem a ver com a função e utilização; tem a ver com a utilidade, seja essa utilidade a agit-prop, a dança ou o ruído de fundo num elevador.
 espero ter sido esclarecedor, já que não fui sucinto.

Amélia Pais

Fico feliz com esta notícia da  homenagem à minha querida professora Amélia Pais. Por tudo o que nos deu e ensinou, como só ela, vibrante e inteligente, obrigada. É tempo de a lembrarmos e de tudo o que felizmente nos deixou de bom. Amar a língua portuguesa e a leitura. E muito especialmente o deslumbre pela  poesia . 
Obrigada, Amélia. Desculpa nem sempre ter sido muito aplicada, odiar trabalhos de casa e não me calar durante as aulas, mas também sei que tu me sabias, apesar de tudo. 
Até já.

18 de outubro de 2012

pitt broken, ou como o filão de braga parece ser inesgotável

pitt broken é o nome que diogo lima, mais um música saído do forno de braga, foi escolher para este seu projecto musical.

esta bad romance da lady gaga mostra, não apenas que por debaixo daquela pirotecnia de pechisbeque, a lady gaga é uma excelente compositora, mas também que o projecto pitt broken é uma das melhores surpresas da nova musica portuguesa



Ainda os rankings...


Mais um ranking das escolas, divulgado há menos de uma semana. Na ausência de outros dados contata-se, de modo genérico, serem as escolas com menor número de alunos e frequentadas por estratos sociais favorecidos as que apresentam melhores resultados.

Continua-se à espera de um estudo destinado ao público em geral, no qual, a par da divulgação das listas, sejam contempladas as variáveis de contexto de cada estabelecimento, fatores como «significativa percentagem dos alunos desta escola não tem o Português como língua materna» ou «a sua alimentação [dos jovens] é insuficiente para um desenvolvimento físico e intelectual satisfatórios» , constituirão exemplos pontuais do que se afirma.

Fomos dos primeiros, na Europa, a contemplar por normativo uma escola para todos «Em 1835 […] o quarto país do mundo  a consagrar em lei o princípio da escolaridade obrigatória, em 1960 apresentávamos uma taxa de analfabetismo de 34% […]» (Teodoro, A. ; Aníbal, G.).

Apresentar rankings dissociados de um diagnóstico aprofundado, equivale a listar as doenças mais expressivas no país, sem que nada seja feito para a sua prevenção.

Como escreveu Almerindo Janela Afonso «Nem tudo o que conta em educação é mensurável».

Mês de fotografar


Como se deve fotografar no mês de Outubro.
Almanach photo Prisma de 1947


Azul

Reconheceis esta praia? :)


17 de outubro de 2012

Ranking das escolas

























Malala Yousafzai lutou para frequentar a escola. Agora luta pela vida. Em que lugar do ranking se coloca a escola que ela venha a frequentar?
Malala Yousafsai vem lembrar-nos que o único lugar que a escola deve ocupar é o da sua função social de formar pessoas. 
O ranking consegue inverter a visão das coisas. Desvia-nos a atenção do essencial!   Ainda hoje, em Portugal, há crianças que após a menarca são impedidas de continuar a frequentar a escola! Ainda existem pessoas que não sabem escrever o seu nome! Existem muitas crianças que vão à escola ter a única refeição quente do dia! Ainda existem muitas crianças sem hipótese de saber o que é ter o seu material escolar. Ainda...
Não existe ranking para as escolas que cumprem a sua função social.

foto em abcnews.go.com 

[A propósito, o ministro Gaspar diz que está a retribuir o alto investimento que o país teve na sua formação. Em que lugar do ranking colocam as escolas que ele frequentou?]

O rato

Eu não gosto lá muito de ratos. Metem-me nojo. Tenho convivido com um há cerca de dez dias, felizmente confinado ao quintal. Os meus gatos provaram que são bichos urbanos, achando-o curioso, mas sem se aproximar dele "Que bicho sujo, os donos que tratem do assunto". Hoje vi-o pensativo no meio do quintal. Não reagiu ao barulho. O veneno da caixa rateira funcionou. Está agora quieto debaixo do armário do quintal e acho que partiu para o céu dos ratos. Enquanto espero a ajuda do vizinho de cima para o remover dali, obrigada amigo Victor Vieira , penso que raio de parva que sou que até com pena dum ratinho fico.

Gatitos

Outra bela fotografia do Almanach photo Prisma de 1947. O autor é J. Zaoser. Usou Rollei  6*6.F; 3,5. 1/100. Para mim esta parte é chinês.



16 de outubro de 2012

Como se fotografa

Hoje recolhi num lugar onde vendem de tudo, restos de casas e de vidas, este Photo-Almanach  de 1947. Publica as fotos enviadas pelos seus leitores, ensina a fotografar  e inclui um calendário  que indica as possibilidades de fotografar em cada mês. Eu não resisti a este ensinamento.




A cidade, o rio e uma grande mulher





"Saído de Cacilhas ainda com luz de dia o barco vem singrando, lentamente, para a outra margem do rio. Gritam gaivotas no céu nublado, passam majestosas as fragatas de velas brancas, de velas vermelhas e as pequenas embarcações empenachadas de fumo deslizam rápidas, fugidias, até se perderem na bruma leve dos longes crepusculares. Cerra-se a noite quando o navio se aproxima da lombada alvacenta da cidade. As águas tingem-se de tons metálicos. As luzes acendem-se às fileiras, ao longo dos cais ou no «corte alto das colinas, como uma guarnição de arraial. Esmeralda, encolhida no banco da camioneta, olha para o clarão das luzes da cidade, olha para as estrelinhas amareladas que cintilam aqui e além, e diz consigo: "Será festa..." De quando em quando um movimento do barco ou o vulto negro de um navio barram o seu campo visual, mal aberto entre os carros que se aglomeram no ferry-boat. Então só lobriga a mancha do casario, a esfumar-se, nas alturas, entre o clarão do crepúsculo. Um balanço largo, monótono, de embalo, agita o navio. Ela tem medo. Sente a insegurança do piso, sente o perigo, e olha em redor, instintivamente, à procura de apoio. Vê caras tranquilas, uns que dormitam, outros que admiram o panorama."

Leio de rajada, esquecendo tudo o resto. Escrito nos anos 40, o livro continua a captar com os seus retratos de mulheres portuguesas, vivendo entre as contingências que a sociedade da época determinava e o retrato duma Lisboa sofrida e amada. Uma grande escritora, quietamente esquecida nos nossos dias. Um dia hei-de mostrá-la às minhas sobrinhas netas e assim terei o prazer de a transmitir ao futuro. Porque dela, não apontam leituras para qualquer ciclo do ensino português. Sabeis quem é esta estupenda escritora?

Maria Archer, "Ela é apenas mulher".

E quem a terá desenhado?

14 de outubro de 2012

13 de outubro de 2012

Cores

Deslumbro-me sempre com a energia das flores algarvias.

Sítios

Onde estava eu, a beber um geladinho Pérola?

até os enterrarmos no mar !!!




Las tierras, las tierras, las tierras de España,  
las grandes, las solas, desiertas llanuras.  
Galopa, caballo cuatralbo,  
jinete del pueblo,  
al sol y a la luna.  
.
 ¡A galopar,  
 a galopar,  
hasta enterrarlos en el mar!  
A corazón suenan, resuenan, resuenan  
las tierras de España, en las herraduras.  
Galopa, jinete del pueblo,  
caballo cuatralbo,  
caballo de espuma.  
.
¡A galopar,  
 a galopar,  
hasta enterrarlos en el mar! 
.
Nadie, nadie, nadie, que enfrente no hay nadie;  
que es nadie la muerte si va en tu montura.  
Galopa, caballo cuatralbo,  
jinete del pueblo,  
que la tierra es tuya.  
.
¡A galopar,  
 a galopar,  
hasta enterrarlos en el mar!

Mo Yan ou "Não digas nada" - Nobel da Literatura

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 «[…] dizer “nada acontece”, significa que não tenho medo e escrevo o que quero - afirma o escritor sobre a proibição de ver publicado, no seu país, o romance “Peitos fartos e ancas largas” (acerca da interdição de cada mulher ter mais de um filho). Reconheceu que “existem coisas que se não podem plasmar de modo direto, mas um bom escritor sabe encontrar a melhor forma de narrar o que pretende transmitir”. “As minhas recordações estão preenchidas de fome e de solidão. A década de 60 foi muito difícil na China. Passava o dia no campo, a pastar as vacas e as ovelhas, enquanto os rapazitos da minha idade estudavam e brincavam na escola. Havia dias em que não via ninguém”. Entrar no exército “era a melhor maneira de ter uma vida boa, mas havia um limite de idade. Foi então que a minha família alterou o meu registo de nascimento, tendo declarado um ano a menos. Por isso há quem pense que nasci em 1956”. “Uma vez, um habitante de uma aldeia vizinha que tinha frequentado a universidade, disse-me que conhecia um escritor que podia alimentar-se 3 vezes por dia. Isto era uma coisa impensável para um miúdo de aldeia… E eu tinha tanto para contar… Imagine-se alguém que, durante 20 anos esteve votado ao silêncio e que, de repente, pode contar tudo o que viveu e observou. Foi este o verdadeiro poder na origem da minha escrita”»

 Mo Yan, Nobel da Literatura, 2012, fonte: La Voz, Argentina

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