13 de outubro de 2012

Mo Yan ou "Não digas nada" - Nobel da Literatura

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 «[…] dizer “nada acontece”, significa que não tenho medo e escrevo o que quero - afirma o escritor sobre a proibição de ver publicado, no seu país, o romance “Peitos fartos e ancas largas” (acerca da interdição de cada mulher ter mais de um filho). Reconheceu que “existem coisas que se não podem plasmar de modo direto, mas um bom escritor sabe encontrar a melhor forma de narrar o que pretende transmitir”. “As minhas recordações estão preenchidas de fome e de solidão. A década de 60 foi muito difícil na China. Passava o dia no campo, a pastar as vacas e as ovelhas, enquanto os rapazitos da minha idade estudavam e brincavam na escola. Havia dias em que não via ninguém”. Entrar no exército “era a melhor maneira de ter uma vida boa, mas havia um limite de idade. Foi então que a minha família alterou o meu registo de nascimento, tendo declarado um ano a menos. Por isso há quem pense que nasci em 1956”. “Uma vez, um habitante de uma aldeia vizinha que tinha frequentado a universidade, disse-me que conhecia um escritor que podia alimentar-se 3 vezes por dia. Isto era uma coisa impensável para um miúdo de aldeia… E eu tinha tanto para contar… Imagine-se alguém que, durante 20 anos esteve votado ao silêncio e que, de repente, pode contar tudo o que viveu e observou. Foi este o verdadeiro poder na origem da minha escrita”»

 Mo Yan, Nobel da Literatura, 2012, fonte: La Voz, Argentina

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